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África do Sul

Distribuição de preservativos como parte de atividades de MSF para sensibilização da comunidade no município de Boitekong, em Rustenburg (Foto: Siyathuthuka Media)
África do Sul
Paises em que MSF atua

MSF desenvolve novas estratégias para testar e tratar HIV e tuberculose (TB), apoia sobreviventes de violência sexual e promove o  melhor acesso a medicamentos que salvam vidas.

Distrito de King Cetshwayo, KwaZulu-Natal

O projeto de MSF para HIV e tuberculose no distrito de King Cetshwayo utiliza estratégias comunitárias inovadoras  para reduzir a incidência das doenças, além de enfermidades e mortalidade.

Como parte dos serviços de sensibilização da população para o diagnóstico, MSF realiza anualmente, desde 2012, uma média de 4.500 testes de HIV em mais de 30 escolas secundárias. Isto não só aumentou a cobertura dos testes para HIV no distrito, como também demonstrou a viabilidade de prestar serviços de saúde sexual e reprodutiva nas dependências de escolas.

Um processo para descentralizar os cuidados de TB resistente a medicamentos (TB-DR) também está em andamento no distrito, para que os pacientes possam receber tratamento mais perto de suas casas. MSF iniciou um novo tratamento no hospital do distrito para 126 pacientes com TB-DR, incluindo o novo medicamento, bedaquilina. Em Durban, a maior cidade da província, MSF lançou um ensaio clínico chamado TB Practecal, em parceria com a Investigative Network para TB e HIV. O ensaio visa encontrar um protocolo de tratamento mais curto e mais eficaz para TB-DR, que não exija que os pacientes se submetam a dolorosas injeções diárias e tem menos efeitos colaterais debilitantes.

Khayelitsha, Cabo Ocidental

O projeto Khayelitsha, perto da Cidade do Cabo, desenvolve ações inovadoras no tratamento de HIV e TB-DR, com o objetivo de influenciar as políticas locais, nacionais, regionais e internacionais sobre o tratamento dessas doenças.

O projeto aumentou com sucesso o acesso de pacientes com TB-DR a novos medicamentos e conta atualmente com alguns dos maiores grupos de pacientes que usam os novos medicamentos ou combinações deles. Esse foi um fator decisivo para a escolha do projeto como sede da experiência multi-localizada  endTB, que visa revolucionar o tratamento dos mais difíceis tipos de TB. Em 2017 a principal ação de apoio ao paciente do projeto foi o foco no alcoolismo como a razão mais comum pela qual os pacientes de TB-DR interrompiam o tratamento. Também foi investigada a eficácia do autoteste oral como ferramenta para aumentar o número de pessoas conscientes do seu status  HIV positivo. O projeto também dirigiu clubes de apoio pós-natal para mães e seus bebês em unidades básicas de saúde, em parceria com Mothers2Mothers, com o objetivo de oferecer assistência integrada e preventiva da transmissão do HIV de mãe para filho. Nenhuma transmissão foi registrada 18 meses após o parto.

Rustenburg, Noroeste

Em 2017, MSF manteve o apoio ao departamento de saúde da província, expandindo o acesso médico e psicossocial às sobreviventes de violência sexual no distrito de Bojanala. O projeto está localizado no cinturão de mineração de platina da África do Sul, onde uma em cada quatro mulheres de 18 a 49 anos foi estuprada durante a vida. No total, 332 sobreviventes de violência sexual foram tratadas em três centros de cuidados primários apoiados por MSF, chamados "centros de cuidados Kgomotso", onde um pacote de cuidados médicos essenciais, exames forenses e serviços psicossociais estão disponíveis.

Para aumentar o número de pacientes que acessam os serviços e são encaminhadas aos centros, em 2017 MSF manteve assistentes sociais em uma organização comunitária e em uma delegacia de polícia local. Os enfermeiros de MSF também apoiaram a prestação de serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo a escolha da interrupção da gravidez, em duas unidades de cuidados de saúde primários. Entre setembro e dezembro, um total de 428 pacientes interromperam a gravidez no primeiro trimestre em instalações apoiadas por MSF.

MSF defende o aumento do acesso a serviços abrangentes nas unidades de saúde para sobreviventes de violência sexual em todo o país. O relatório, Untreated Violence: Critical gaps in medical and clinical forensic care for survivors of sexual violence in South Africa, (Violência Não Tratada: lacunas críticas nos cuidados médicos e clínicos forenses para sobreviventes de violência sexual na África do Sul), divulgou os resultados de pesquisa telefônica realizada por MSF sobre as instalações designadas para prestar cuidados a vítimas de violência sexual em todo o país. A pesquisa constatou que 73% das instalações participantes não oferecem ou não têm capacidade de oferecer todos os serviços necessários.

Corrigir as leis de patentes (FTPL)

Lançada em 2011 com MSF como membro fundadora, a campanha  FTPL é uma coalizão de 36 grupos de pacientes e organizações que defendem a reforma das leis de propriedade intelectual da África do Sul, a fim de enfrentar os obstáculos ao acesso a medicamentos com preços acessíveis. Em agosto de 2017, o Departamento de Comércio e Indústria publicou uma nova proposta da Política de Propriedade Intelectual para comentários públicos, que foi bem recebida pela coalizão FTPL ao reconhecer a necessidade de um equilíbrio entre a saúde pública e a proteção da propriedade intelectual. A coalizão do FTPL continua a exercer pressão sobre o governo, a fim de agilizar o ritmo da reforma legislativa. Uma política final e projetos de reforma devem ser debatidos pelo parlamento em 2018.

Projeto “Sem falta de estoque” (SSP)

O SSP é um consórcio de organizações – incluindo MSF – que se dedica a ajudar milhares de pessoas que vivem na África do Sul, cujos meios de subsistência e vidas estão ameaçados pela escassez crônica de medicamentos essenciais. O SSP reúne relatos sobre estoques de usuários de serviços de saúde, profissionais de saúde e voluntários e mapeia casos relatados. O SSP busca a rápida resolução para falta e escassez de estoque através do envolvimento com fornecedores, governo e demais partes interessadas.

Na conferência da International AIDS Society em 2017, o SSP apresentou uma análise econômica do impacto financeiro que os cortes no estoque de medicamentos contra HIV e TB têm nos indivíduos afetados e no sistema de saúde. Os estoques podem estar sendo reduzidos para pelo menos 40% dos usuários dos serviços de saúde e os esforços feitos por profissionais de saúde para obter medicamentos em caso de faltas de estoque colocam um substancial encargo financeiro sobre o sistema de saúde.

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História de Paciente
PAPOILA MAKGBATLOU

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“Por 29 anos eu sofri abuso físico e mental nas mãos do meu marido. Eu fiquei com ele porque, em nossa cultura, nós respeitamos os desejos de nossos pais e minha mãe achava que eu iria humilhá-la se o deixasse. Em 2014 e 2015, perdi minha mãe, irmã e irmão, e minha vida desmoronou – eu não conseguia  encarar minha casa, mas não tinha para onde ir. Nas ruas de Boitekong, encontrei uma profissional de MSF da área de saúde chamada Rosina, que me contou sobre os serviços para vítimas de violência sexual no centro de atendimento Kgomotso, no centro comunitário de saúde Boitekong. Pedi emprestado R20 (cerca de 5,50 reais) e peguei um táxi para o centro, onde fui aconselhada e depois transferida para um abrigo para mulheres e crianças vulneráveis. Sinto-me forte agora e pronta para sair do abrigo. Se uma mulher que sofre abuso ouvir minha história, quero que ela saiba que eu costumava esconder meus problemas mas, se você não procurar ajuda, isso pode te matar por dentro. Chegar a uma clínica e conversar com um conselheiro salvou minha vida”.

 

Dados de 2017:

Pacientes de HIV tratados
Pacientes que começaram o tratamento para TB
Sobreviventes de violência sexual tratados
14.300
690
330

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