MSF ofereceu também vacinação contra a poliomielite para os residentes do acampamento e para as comunidades do entorno. A mulher e a criança da foto viviam no acampamento e vieram das Montanhas Nuba, no Kordofan do Sul, no Sudão, onde os cuidados de saúde são limitados. É comum que os refugiados movimentem-se pela fronteira sudanesa, ora para o Sudão do Sul, ora de volta para o Sudão.
Foto: Yann Libessart/MSF

Refugiados, deslocados internos e pessoas em movimento

Mais de 82 milhões de pessoas foram deslocadas à força em todo o mundo; o número de pessoas deslocadas à força duplicou nos últimos 10 anos.

Há muitas razões para a fuga, incluindo guerra, perseguição, conflito, desastres naturais, miséria e repressão. Com a saúde e o bem-estar comprometidos, as vidas dos mais vulneráveis podem estar em risco. A maioria é composta por deslocados internos, o que significa que não cruzaram a fronteira e permaneceram no seu país.

As equipes de MSF trabalham ao lado de pessoas em movimento em seus pontos de chegada ou durante as viagens perigosas que empreendem dentro e fora de seus países.

 

Fatos sobre deslocados internos e refugiados


• Uma pessoa deslocada internamente foi forçada a fugir de casa, mas permaneceu dentro das fronteiras de seu país e, portanto, não é legalmente definida como refugiada.


• O ACNUR estima que dos 82,4 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo, mais da metade, ou 48 milhões, são deslocados internos.


• Há mais de 26 milhões de refugiados em todo o mundo.


• Existem outros 4,1 milhões de requerentes de asilo, pessoas cujo pedido de estatuto de refugiado ainda não foi determinado.


• Os países de baixa renda hospedam 85% dos refugiados do mundo.

Deslocados internos e refugiados precisam de assistência e proteção

Uma grande parte de nossas atividades de campo é voltada para pessoas deslocadas internamente e refugiados. Com o número de pessoas deslocadas à força dobrando na última década, suas necessidades de saúde continuam a aumentar e nem sempre são atendidas.


Nossas primeiras atuações nesse contexto foram lançadas nos campos criados para refugiados vietnamitas, cambojanos, laosianos, afegãos e etíopes, no final dos anos 70 e na década de 80. MSF tem uma longa história de assistência e proteção às pessoas.

O que observamos? Qual é a resposta?

As consequências do conflito armado e do deslocamento da população para a saúde pública foram bem documentadas nos últimos 30 anos. Observamos altas taxas de mortalidade entre grupos de deslocados internos e refugiados, mas foram identificadas prioridades evidentes para conter a letalidade: o fornecimento de alimentação adequada, água potável, saneamento e abrigo tem demonstrado ser uma intervenção eficaz.


Nossas equipes em campo realizam rápidas avaliações de necessidades, estabelecem prioridades de programas de saúde pública, trabalham em estreita colaboração com as comunidades afetadas, organizam e gerenciam instalações de saúde e suprimentos médicos essenciais, treinam trabalhadores locais, coordenam com uma gama complexa de organizações de ajuda, monitoram e avaliam o impacto de seus programas e administram com eficiência recursos escassos.


Nosso trabalho com deslocados internos e refugiados inclui uma ampla gama de serviços, tais como:


• Tratamento de doenças não transmissíveis;


• Campanhas de vacinação;


• Atividades de saúde mental;


• Cirurgia e atendimento para trauma;


• Consultas ambulatoriais;


• Serviços de saúde materna e obstétrica;


• Fornecimento de abrigo, água potável, latrinas e mais.


Também fazemos pressão para que os pacientes tenham acesso a cuidados de saúde gratuitos ou a preços acessíveis.

Pessoas em movimento e travessia insegura

A migração e a mobilidade humana fazem parte do mundo interconectado em que vivemos. O “escopo” da migração humana é, portanto, vasto. Nosso trabalho com deslocados internos e refugiados foi expandido na década de 1980 para incorporar a “exclusão social” na Europa e além; incluindo as necessidades dos migrantes sem documentos.


Histórias de violência e altos níveis de sofrimento são comuns entre aqueles que procuramos ajudar. As rotas que eles tomam podem ser marcadas com violência e abuso, criminosos contrabandistas que extorquem e abandonam sua “carga” e travessias perigosas por desertos e pelo mar.


Eles também enfrentam contenção, detenção e deportação, uma vez que os movimentos da população – o que quer que os motive – às vezes são vistos como uma ameaça ao invés de incitar expressões de solidariedade. Alguns governos falham em proteger homens, mulheres e crianças já expostos à vulnerabilidade, acrescida de violência ou privação. A segurança é negada aos que precisam de refúgio, os altos riscos das travessias são invisibilizados e a dignidade e os direitos remanescentes são esmagados. Os maus-tratos, e às vezes a violência, infligidos pelas autoridades podem assumir várias formas, deixando os indivíduos privados de seus direitos básicos e afetados em sua saúde e bem-estar.


Trabalhando com pessoas em movimento, agimos apenas com base nas necessidades e vulnerabilidades voltadas para a saúde, independentemente de qualquer “rótulo” individual que as autoridades ou terceiros concedam.

O que testemunhamos?

MSF tem experiência em primeira mão das consequências da contenção, deportação e dissuasão manifestadas por meio de fronteiras fechadas; da detenção, rejeição (ou retornos forçados), acampamentos prolongados e negação do direito de buscar e desfrutar de asilo ou de ganhar a vida. Nossas equipes testemunham relevantes níveis de violência e maus-tratos. Isso pode incluir violência de gangues em um país de origem, por exemplo, ou mesmo perseguição desenfreada fora de um país de origem quando residente lá por anos e/ou preso.

Essas pessoas precisam de saídas, refúgio e proteção como refugiadas.


A perseguição extrema de migrantes sujeitos à detenção, escravidão e violência na Líbia, a jornada de sírios a caminho da Europa e o contexto de vítimas de violência de gangues no Triângulo Norte da América Central que pretendem chegar aos Estados Unidos via México são todos exemplos disso.

Como respondemos?

Colocamo-nos firmemente em solidariedade aos que se deslocam e aqueles que os assistem. MSF enfrenta as consequências prejudiciais dessas políticas e práticas, que alimentam o trabalho de redes criminosas, e apela para que a humanidade prevaleça em todas as instâncias, juntamente com a prestação de assistência médico-humanitária e proteção para os necessitados.


Em nossas missões e projetos, damos atenção especial aos serviços médicos a serem prestados às pessoas em movimento, sempre que forem identificadas necessidades críticas de saúde ou quando as necessidades vitais de socorro forem negadas pelas autoridades.


Durante 2015 e 2016, as equipes de MSF prestaram assistência em vários pontos ao longo da rota terrestre dos Bálcãs, especialmente nas fronteiras da Grécia e da Sérvia, oferecendo assistência médica, apoio psicológico, saneamento, alimentação, abrigo e transporte. Estamos ou estivemos presentes na Itália, Suécia, Bélgica e Alemanha. Também fornecemos abrigo, água, saneamento e itens essenciais de socorro em centros de recepção, assentamentos informais e acampamentos transitórios.
Em um acampamento de migrantes na Itália, um quarto dos entrevistados em uma pesquisa disse que havia péssimas condições de higiene no local. Em um assentamento próximo, mais de um em cada 10 disse que havia falta de água potável.


Em 2020, as equipes de MSF em todo o mundo continuaram respondendo às necessidades crescentes. Na Síria, fornecemos artigos de primeira necessidade, como tendas, cobertores e kits de higiene, que incluem sabonetes, aos deslocados que fogem da guerra. Uma onda de violência de grupos armados no Sahel – Mali, Burkina Faso e Níger – obrigou milhares de pessoas a deixar suas casas, onde nossas equipes lhes fornecem cuidados médicos, incluindo serviços de aconselhamento psicológico.

Centros de apoio

Nossas equipes na França identificam jovens que normalmente fazem a jornada desacompanhados e oferecem-lhes apoio por meio de um centro diurno para menores em Paris. As equipes fornecem descanso, cuidados médicos e assistência administrativa por meio do centro diurno de atendimento.


MSF também administrou um centro especializado em Atenas, na Grécia, para reabilitar sobreviventes de tortura, a maioria dos quais cruzou o mar em busca de segurança e proteção na Europa.

MSF e atividades de busca e resgate

Oferecemos capacidade de busca e resgate e atendimento médico no Mar Mediterrâneo Central em um navio, o Geo Barents, que fretamos de forma privada.


Equipes de MSF trabalharam em atividades de busca e resgate em vários navios no Mediterrâneo desde 2015, resgatando milhares de pessoas de afogamentos.

Consequências das políticas de migração da UE

Em junho de 2016, anunciamos que MSF não aceitará mais fundos da União Europeia e dos Estados-membros.

Trata-se de um posicionamento contra suas políticas de dissuasão prejudiciais, as tentativas cada vez mais intensas de expulsar as pessoas e o sofrimento causado nas costas europeias. Essa decisão foi aplicada aos nossos projetos em todo o mundo.

 

Esta página foi atualizada em novembro de 2021.

 
Fonte: Tendências Globais do ACNUR: deslocamento forçado em 2020:
https://www.unhcr.org/flagship-reports/globaltrends/