Equipes de MSF prestam atendimento médico a vítimas de conflitos armados e migrantes com dificuldades de acesso à saúde em Arauca, Venezuela. 2025. ©Natalia Romero Peñuela/MSF

Diante da persistência da crise política e socioeconômica na Venezuela em 2025, Médicos Sem Fronteiras (MSF) atuou para suprir lacunas na assistência à saúde, oferecendo serviços essenciais e fortalecendo as estruturas de saúde locais. 

Na Venezuela, a população convive com o colapso das instituições que deveriam suprir suas necessidades básicas, após mais de 25 anos sob um regime autoritário, marcados por corrupção e repressão política. Em 2025, a deterioração econômica — agravada por sanções e pelo isolamento político — intensificou-se diante dos cortes no financiamento da ajuda internacional. Diante da falta de profissionais de saúde, unidades em funcionamento e insumos essenciais, a população, sobretudo as mulheres, não recebe o atendimento de que necessita. 

Nossas equipes apoiaram a rede pública de saúde nos estados de Anzoátegui e Delta Amacuro, oferecendo atendimento direto — incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva — e implementando medidas de prevenção e controle de infecções. Em Anzoátegui, nossas atividades incluíram atendimento geral de saúde, serviços de saúde materna e neonatal, consultas de planejamento familiar e atendimento a sobreviventes de violência sexual. MSF promoveu uma abordagem integral ao atendimento a essas pessoas em unidades de saúde de todo o estado. Em 2025, com base na avaliação das necessidades da população, redirecionamos nossas ações para reduzir as elevadas taxas de mortalidade materna e neonatal. 

Para garantir uma transição bem-sucedida das nossas demais atividades em Anzoátegui, doamos insumos médicos às unidades nas quais atuávamos, realizamos a manutenção preventiva de equipamentos médicos e fizemos reformas estruturais. 

Em Delta Amacuro, continuamos a prestar assistência médica a comunidades remotas — predominantemente indígenas —, apesar dos desafios logísticos impostos pela geografia da região. Como o deslocamento é feito por vias fluviais, a população pode levar até seis horas para chegar a uma unidade de saúde. Nossas equipes na região atuam para ampliar a oferta de atendimento geral de saúde, serviços de saúde sexual e reprodutiva e tratamento da desnutrição, da tuberculose e do HIV. Também implantamos os protocolos técnicos de MSF em áreas como a assistência materna e neonatal, marcadas por altas taxas de mortalidade. 

Por fim, a equipe realizou um amplo trabalho de preparação e planejamento para possíveis situações de emergência decorrentes da instabilidade política e das tensões entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela

Dados referentes a 2024

169.800

Consultas ambulatoriais

870

Consultas individuais de saúde mental

15.300

consultas para serviços contraceptivos

185

Profissionais em tempo integral:

76

Sobreviventes de violência sexual atendidos

6,2 milhões de euros

Despesas

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