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Síria

Uma jovem mãe tem seu filho examinado por médicos na clínica de MSF no campo de deslocados de Ain Issa, na Síria. (Foto: Chris Huby/Le Pictorium)
Síria
Paises em que MSF atua

O conflito na Síria continua em seu sétimo ano, atingindo patamares alarmantes de violência e deixando milhões de pessoas em terríveis necessidades de ajuda.     

Civis, áreas civis e infraestrutura civil continuaram sob fogo intenso em 2017. Milhares de pessoas foram mortas ou feridas em ofensivas militares em todo o país e centenas de milhares foram forçadas a deixar suas casas por conta do conflito. Enquanto isso, 11 instalações médicas apoiadas por MSF foram atingidas em 12 ocasiões por bombas ou granadas, em ataques direcionados ou indiscriminados.

MSF oferece ajuda médica e humanitária na Síria, mas suas atividades são gravemente limitadas pela insegurança e restrições de acesso.

MSF sempre negocia o acesso com as autoridades no controle de uma área – sejam elas oficiais ou “de facto”. No entanto, o grupo Estado Islâmico não deu garantias desde que sequestrou a equipe de MSF em 2014 e o governo sírio não concedeu autorização de trabalho, apesar das repetidas solicitações.

Em 2017, nas áreas onde o acesso pôde ser negociado, MSF manteve ou apoiou diretamente seis hospitais e sete centros de saúde, e também implantou seis equipes de clínicas móveis e seis equipes de vacinação em regiões controladas pela oposição no norte da Síria.

Em áreas onde os profissionais não puderam ser alocados ou permanecer, MSF manteve apoio à distância para as instalações médicas. Realizado principalmente a partir de países vizinhos, isso consistiu em: doações de medicamentos, material médico e itens de primeiros socorros, treinamento remoto de médicos na Síria, aconselhamento médico técnico e apoio financeiro para cobrir os custos de funcionamento das instalações. Em áreas sitiadas, o apoio clandestino de MSF era ainda mais crítico, pois itens médicos essenciais eram frequentemente removidos dos comboios oficiais de ajuda pelas forças sitiantes. Em 2017, as instalações que recebem apoio à distância dea MSF realizaram mais de 2,6 milhões de consultas ambulatoriais e 158 mil procedimentos cirúrgicos de grande/menor porte, assistiram mais de 38 mil nascimentos e internaram mais de 152 mil pacientes para atendimento hospitalar. Embora algumas dessas instalações dependam totalmente do apoio de MSF, outras são apoiadas por uma série de organizações, portanto, os números acima não podem ser inteiramente atribuídos a MSF.

Província de Raqqa

Em junho, as Forças Democráticas da Síria (SDF) lançaram uma ofensiva com apoio internacional liderado pelos EUA para assumir o controle da cidade de Raqqa. À medida que as frentes de batalha se aproximavam da cidade, os civis ficaram presos e altos níveis de insegurança tornaram extremamente difícil alcançar os necessitados. MSF montou uma unidade de estabilização médica perto das frentes de batalha para melhorar as chances de sobrevivência das pessoas feridas em combates ou que fugiram da cidade.

Em novembro, depois que o combate ativo diminuiu em Raqqa, MSF foi uma das únicas organizações a oferecer atendimento médico dentro da cidade, através de uma unidade de atenção de saúde primária e um ponto de estabilização. Quando os moradores começaram a retornar, muitos foram feridos ou mortos por armadilhas, dispositivos explosivos improvisados, minas e explosivos espalhados pela cidade. MSF tratou 233 pessoas para esses tipos de lesão nas últimas seis semanas de 2017.

O hospital em Tal Abyad foi parcialmente danificado em uma ofensiva liderada pela SDF para assumir o controle da cidade. MSF iniciou os trabalhos no local em parceria com as autoridades locais de saúde, antecipando o fluxo de feridos de guerra da cidade de Raqqa e áreas vizinhas. MSF apoiou todas as principais alas do hospital, incluindo as de pediatria, maternidade, cirurgia, vacinação, talassemia e saúde mental. Durante a ofensiva de Raqqa, a equipe internou centenas de pacientes para cirurgias de grande porte; 73% dos procedimentos foram considerados vitais e mais da metade foram relacionados a conflitos, principalmente lesões por explosão.

O campo de deslocados de Ain Issa, ao norte de Raqqa, tornou-se um campo de trânsito oficial para pessoas deslocadas. À medida que as chegadas ao acampamento aumentavam, as equipes distribuíam itens de socorro, como colchões, cobertores e kits de higiene, montavam serviços de água e saneamento e respondiam a um surto de sarampo, além de realizar vacinações de rotina. Construíram também uma clínica de saúde mental e médica e apoiaram um centro de saúde primária administrado por voluntários.

Em julho, MSF reabilitou um centro de atenção primária em Tabqa e começou a oferecer consultas médicas, cuidados de saúde mental e fisioterapia para as pessoas deslocadas. Ao norte de Tabqa, uma equipe no campo de deslocamentos de Twaheenah conduziu vacinação contra o sarampo e ofereceu cuidados básicos de saúde.

MSF apoiou ou administrou mais de 100 mil vacinasem crianças na província de Raqqa em 2017, muitas das quais viviam em áreas anteriormente inacessíveis.

Província de Hassakeh

Os intensos combates no nordeste da Síria resultaram em deslocamento maciço, milhares de mortos e graves danos às unidades de saúde. Muitos pacientes feridos foram atendidos no pronto-socorro que MSF reabilitou no principal hospital de referência em Hassakeh.

Como em Raqqa, quando a violência diminuiu e as pessoas começaram a voltar para casa, a equipe viu um aumento acentuado no número de pacientes feridos por explosivos que haviam sido deixados ou colocados em casas, em terras agrícolas e ao longo de estradas.

Em 2017, MSF tratou de quase 3.800 pacientes na sala de emergência e realizou 563 procedimentos cirúrgicos.

MSF também manteve dois centros de saúde primária em Hassakeh, além de clínicas móveis e fixas em acampamentos para pessoas deslocadas, com foco em saúde mental e reprodutiva e tratamento para doenças não transmissíveis (DNTs), como hipertensão e diabetes.

Província de Alepo

No distrito de Azaz, MSF manteve seu apoio total ao hospital Al Salamah, onde estão disponíveis os cuidados de saúde primária e secundária. Como nenhuma vacinação regular foi administrada nessa área desde 2014, MSF lançou uma campanha de vacinação em larga escala.

Em março, em resposta a um grande fluxo de pessoas deslocadas pelos combates no norte da Síria, MSF iniciou atividades no hospital Manbij, em parceria com as autoridades de saúde locais. Equipes mantiveram clínicas móveis na área ao redor e nos acampamentos e realizaram vacinação em todo o distrito.

Em Kobane (Ein Al Arab, MSF trabalha com as autoridades locais de saúde para restabelecer os serviços básicos de saúde, oferecendo consultas ambulatoriais, vacinação e apoio psicológico. Em 2017, a equipe construiu uma ala de atendimento ambulatorial e apoiou o pronto-socorro, unidade de terapia intensiva, maternidade, sala de cirurgia e atividades de enfermagem no hospital geral de Kobanê, com supervisão, treinamento e fornecimento de medicamentos.

Província de Idlib

Ao longo de 2017, MSF apoiou programas de vacinação no norte de Idlib e implantou equipes móveis para ajudar as pessoas que chegam a campos e acampamentos. Além de oferecer consultas médicas, as equipes distribuíram kits de higiene e de sobrevivência para o inverno e conduziram atividades com água e saneamento.

Em novembro, MSF se concentrou no atendimento médico direto a pessoas com DNTs, apoiando equipes nos centros de saúde primários de Taqad e Tal Krysian e mantendo clínicas móveis em vilarejos remotos.

MSF reforçou seu apoio à distância para pacientes pós-transplante de rim em toda a província, garantindo acesso contínuo a cuidados vitais para mais de 90 pessoas.

Em Qunaya, MSF assinou um acordo de cogestão com o hospital de referência regional e enviou cinco profissionais permanentes para oferecer supervisão técnica e material em todos os serviços.

MSF ainda ofereceu atendimento especializado para pacientes com queimaduras no hospital Atmeh, incluindo cirurgia, enxertos de pele, curativos, fisioterapia e suporte psicológico.

Província de Homs

Na área sitiada e controlada pela oposição do norte de Homs, MSF manteve seu apoio à distância a oito instalações médicas. Suporte à distância para pacientes pós-transplante renal também foi realizado no norte de Homs, onde 26 pacientes foram inscritos.

Província de Rif Dimashq

Períodos de maior cerco e bombardeio pela coalizão do governo sírio, que precedeu os chamados acordos de "reconciliação", cortaram efetivamente as vias de apoio de MSF a comunidades em áreas altamente devastadas de Rif Dimashq, no centro da Síria, onde as necessidades médicas continuaram imensas.

Em maio, MSF suspendeu todo o seu apoio médico a Ghouta Oriental por cerca de um mês em resposta ao desrespeito aos serviços de saúde durante um período de intenso combate entre grupos armados de oposição na área.

Ao longo do ano, MSF reduziu seu programa de suporte à distância em Rif Dimashq de 33 para 22 instalações, a fim de focar em hospitais e clínicas mais relevantes do ponto de vista médico, com necessidades médicas não relacionadas a trauma como prioridades tão altas quanto tratar feridos de guerra.

Províncias de Daraa e Quneitra

MSF ofereceu apoio médico, técnico e logístico a oito centros de saúde no sul da Síria para melhorar o acesso ao atendimento de pessoas deslocadas e aos habitantes das comunidades locais em Daraa e Quneitra. MSF também trabalhou em um serviço de suporte remoto de "telemedicina", a ser implementado no início de 2018.

MSF atua no país desde 2009.

Dados de 2017:

Consultas ambulatoriais
Internações
Intervenções cirúrgicas de grande porte
647.600
30.100
10.000

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