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Nigéria

Fatima, no sétimo mês de gravidez, faz exame de rotina do centro de saúde de Bolori. Fatima já passou por seis gravidezes e perdeu um de seus bebês (Foto: Jean Christophe Nougaret/MSF)
Nigéria
Paises em que MSF atua

Em 2019, a intensificação da violência e da insegurança aumentou as necessidades humanitárias na Nigéria. Estima-se que mais de um milhão de pessoas estejam totalmente excluídas da ajuda.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) manteve a oferta de assistência às pessoas afetadas por conflitos e deslocamentos em vários estados, manteve também uma série de programas de saúde básica e especializada.

Deslocamento e violência

Nordeste da Nigéria


No nordeste da Nigéria, mais de uma década de conflitos entre o governo nigeriano e grupos de oposição armada custou um preço elevado. A ONU estima que mais de dois milhões de pessoas estejam deslocadas e cerca de sete milhões dependam de ajuda para a sobrevivência. Em 2019, com a deterioração acentuada da situação, vários voluntários foram sequestrados e mortos por grupos armados da oposição. Além disso, novas leis antiterroristas aumentaram as restrições à ação humanitária.

Somente pessoas que vivem em áreas controladas pelo governo em Maiduguri e arredores da capital do estado foram capazes de receber assistência humanitária. Em 2019, nas áreas a que pudemos acessar, administramos prontos-socorros de hospitais, centros cirúrgicos, maternidades e enfermarias pediátricas. Os serviços incluíram cuidados nutricionais, vacinas, tratamento contra malária, tuberculose e HIV, bem como para sobreviventes de violência sexual e apoio à saúde mental. Também realizamos atividades de água e saneamento. Ao longo do ano, internamos 34.900 pacientes para atendimento e tratamos 106.300 em regime ambulatorial.

Em Maiduguri, mantemos um centro de nutrição terapêutica e um hospital pediátrico com uma unidade de terapia intensiva. Nessas instalações, mais de 7.600 crianças foram tratadas por desnutrição grave, cerca de 7.700 por malária e mais de 3.800 por sarampo durante um surto que foi exacerbado pelo conflito em andamento. Em Gwoza e Pulka, cidades militares controladas pelos militares nigerianos, nossas equipes prestaram atendimento de emergência a quase 18.600 pacientes em hospitais públicos. Em Pulka, tratamos 74.400 pacientes ambulatoriais, mais comumente com diarreia aguda relacionada à falta de água limpa. Nos campos de deslocados em Ngala, tratamos 550 crianças gravemente desnutridas e assistimos quase mil partos. Em Rann, realizamos 9.220 consultas ambulatoriais. Além disso, implementamos a profilaxia sazonal contra malária em Banki e Bama.

Estado de Zamfara

Em Zamfara, dezenas de milhares de pessoas que fogem da violência no norte do estado procuraram abrigo na cidade de Anka e seus arredores. Nesta cidade, nossas equipes realizaram quase 31.800 consultas médicas e distribuíram utensílios de cozinha e produtos de higiene pessoal para mais de mil famílias. Observamos uma alta prevalência de desnutrição em crianças com menos de cinco anos de idade, e nossas equipes admitiram quase 12 mil internações e pacientes ambulatoriais em nosso centro de nutrição terapêutica intensiva na capital do estado, Gusau, e hospitais em Anka, Zurmi e Shinkafi. Além disso, no hospital de Anka, tratamos quase 20.000 pacientes por malária e cerca de 920 por sarampo

Estado de Benue

No estado de Benue, estima-se que 16 mil pessoas permanecem deslocadas, após fugirem da violência quando pecuaristas e agricultores entraram em conflito por terras em 2018. Cerca de metade deles vive em campos oficiais e na capital e nos arredores do estado, Makurdi. Em 2019, nosso apoio ao Ministério da Saúde incluiu a realização de mais de 27.300 consultas médicas, distribuição de itens de primeira necessidade, construção de abrigos, latrinas e chuveiros e fornecimento de água potável dentro dos campos oficiais. Também estendemos nossas atividades para ajudar as pessoas que vivem fora dos campos. Entre julho e dezembro, apoiamos o hospital de ensino de Benue, com cirurgia, aconselhamento e fisioterapia para pacientes que sofreram queimaduras após a explosão de um petroleiro.

Estado Cross River

Desde julho de 2018, oferecemos atendimento a refugiados das regiões noroeste e sudoeste de Camarões e comunidades anfitriãs. Em novembro de 2019, repassamos nossas atividades ao Ministério da Saúde. Durante o projeto, realizamos quase 36 mil consultas, tratamos mais de 4.400 casos de malária, oferecemos assistência em saúde mental a quase 1.300 pessoas e implementamos serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo a resposta à violência sexual e de gênero.

Saúde da mulher

O foco de nossas atividades no hospital geral de Jahun, estado de Jigawa, é a obstetrícia de emergência abrangente e os cuidados neonatais. Em 2019, nossas equipes assistiram mais de 13.400 partos, 70% dos quais foram partos complicados. Uma equipe especializada do hospital também realizou cirurgia vesico-vaginal em 302 mulheres com fístula obstétrica, uma condição resultante de trabalho de parto prolongado ou obstruído. Além disso, nossa equipe apoiou os cuidados obstétricos e neonatais de emergência básicos em outras quatro unidades da região.

Em Port-Harcourt, no estado de Rivers, administramos duas clínicas que oferecem atendimento médico e de saúde mental a um número crescente de sobreviventes de violência sexual. Durante o ano, tratamos 1.424 novos pacientes, 61% dos quais são menores de 18 anos.

Intoxicação por chumbo e noma

Em 2019, 938 pacientes completaram a terapia de quelação em nosso programa de tratamento para crianças com menos de cinco anos afetadas por envenenamento por chumbo associado à mineração artesanal de ouro no estado de Zamfara. Em outubro, publicados em conjunto com o Ministério da Saúde, o Occupational Knowledge International (OKI) e a TerraGraphics International Foundation (TIF), os resultados do programa piloto que executamos no estado do Níger de 2016 a 2018, mostrando como práticas de mineração mais seguras reduziram em 32% os níveis de chumbo no sangue. Continuamos a tratar casos de envenenamento por chumbo, realizamos pesquisas operacionais e defendemos soluções com nossos parceiros e as autoridades federais.

Noma é uma doença gangrenosa que desfigura o acometido. Afeta especialmente as crianças pequenas, deixando cicatrizes que apenas cirurgias reconstrutivas complexas podem reparar. Quatro vezes por ano, enviamos cirurgiões, enfermeiros e anestesistas especializados em noma para apoiar o tratamento no Hospital Infantil de Sokoto. Além de cirurgias, oferecemos atendimento nutricional, psicossocial e fisioterápico. Em 2019, nossas equipes realizaram 170 intervenções cirúrgicas e 530 consultas individuais de saúde mental. Com o Ministério da Saúde, também realizamos campanhas de sensibilização com foco na detecção precoce e no tratamento nos estados de Sokoto, Kebbi, Níger e Zamfara.

Em 2019, mantivemos o pedido de reconhecimento e soluções para o noma, por meio de conferências médicas, defendendo o aumento da capacidade cirúrgica e exibindo o documentário apoiado por MSF “Restaurando a Dignidade”, na Nigéria e no mundo.

Febre de Lassa

No estado de Ebonyi, em resposta a um surto de febre de Lassa – uma doença hemorrágica aguda –, que foi declarado uma emergência nacional, apoiamos os Ministérios Estaduais e Federais de Saúde e o Centro Nigeriano de Controle de Doenças com suporte técnico e treinamento de pessoal em um hospital escola em Abakaliki.

Dados de 2019:

Consultas ambulatoriais
Pessoas internadas no hospital
Pacientes de malária tratados
287.200
64.600
53.300

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