Você está aqui

Líbia

Profissional da equipe de MSF conversa com homens detidos no centro de detenção de Abu Salim em Trípoli, na Líbia. (Foto: Guillaume Binet/Myop)
Líbia
Paises em que MSF atua
Apesar da instabilidade em curso, a Líbia continua a ser um destino para os trabalhadores migrantes de toda a África e um país de trânsito para migrantes, solicitantes de asilo e refugiados que tentam atravessar o Mediterrâneo com destino à Europa.
 
Em 2018, Médicos Sem Fronteiras (MSF) prestou assistência médica a migrantes e refugiados mantidos arbitrariamente em centros de detenção supostamente sob o controle do Ministério do Interior. Muitos de nossos pacientes nos centros eram pessoas extremamente vulneráveis, como crianças desacompanhadas, mães lactantes e seus recém-nascidos, e sobreviventes de tráfico de seres humanos que haviam sido mantidos em cativeiro por longos períodos, privados de alimentos, torturados e expostos a violência extrema, incluindo o assassinato de  familiares.
 
A maioria das questões médicas de que tratamos eram relacionadas com as ou agravadas pelas condições terríveis  dentro dos centros, como superlotação, alimentação e água inadequadas, além de latrinas insuficientes, facilitando a disseminação de infecções agudas do trato respiratório, tuberculose, doenças diarreicas e doenças de pele, como sarna. Transtornos de saúde mental e trauma foram frequentemente exacerbados pelo sofrimento de uma detenção indefinida.
 
MSF denunciou repetidas vezes essa situação inaceitável, deliberadamente reforçada por formuladores europeus de políticas; porém, vimos pouco avanço. Pelo contrário, a campanha de efetiva criminalização dos navios de busca e salvamento no Mediterrâneo e a transferência de responsabilidade dessas operações da União Europeia para a guarda costeira da Líbia isolaram ainda mais a costa líbia, prendendo  pessoas  vulneráveis  em um país onde suas vidas estão ameaçadas e violações graves dos direitos humanos ocorrem, conforme documentado pelas Nações Unidas e outras organizações.
 
Em 2018, nossas  equipes  realizaram  mais de 31.500 consultas médicas em centros de detenção em Trípoli, Misrata, Khoms e Zliten, e encaminharam mais de mil pacientes para unidades de saúde secundária.  Em  dezenas de ocasiões em Misrata e Khoms, obtivemos acesso a pessoas que haviam sido trazidas do mar para a Líbia pela guarda costeira ou navios comerciais, violando o direito internacional dos refugiados e as convenções marítimas. Realizamos aproximadamente 140 consultas de primeiros socorros em pontos de desembarque em 2018.
 
Continuamos a trabalhar em Bani Walid, conhecido como o principal centro de contrabandistas e traficantes, a  fim  de  ajudar as pessoas que haviam sido mantidas em cativeiro por redes criminosas  na  área,  mas que conseguiram escapar ou foram libertadas. Realizamos 810 consultas médicas com sobreviventes e encaminhamos uma dúzia de pessoas para cuidados médicos secundários em Misrata ou Trípoli.
 
A maioria dos migrantes e refugiados vive fora dos centros de detenção ou é mantida em locais clandestinos de cativeiro, e, como as comunidades locais na Líbia, essas pessoas são afetadas pela deterioração das instalações de saúde pública, que enfrentam grave escassez de medicamentos e profissionais. Em 2018, nossas equipes realizaram 2.500 consultas ambulatoriais em Tawergha e Misrata para pessoas locais e migrantes. Começamos também a oferecer atendimento de pré e pós- natal a mulheres que vivem em Bani Walid.
 
Por outro lado, fechamos nosso projeto em Bengazi, no leste do país, onde nossa presença tornou-se menos relevante.
 

Dados de 2018:

Consultas ambulatoriais
Consultas pré-natal
46.900
1.160

MSF usa cookies neste site para melhorar sua experiência.
Saiba mais na

Política de Privacidade. Aceitar