Entre março de 2025 e janeiro de 2026, as equipes de MSF em Ciudad Juárez realizaram quase 5 mil consultas, nas quais a violência foi identificada como o principal fator desencadeador de necessidades de saúde mental. © MarÍa ChavarrÍa

Em 2025, diante de uma mudança brusca no cenário migratório no México, Médicos Sem Fronteiras (MSF) adaptou suas operações para oferecer atendimento às pessoas que permaneceram no país e às comunidades locais. 

 

A nova administração dos Estados Unidos (EUA), que assumiu o governo em janeiro, implementou políticas que alteraram profundamente o cenário migratório da América Central. O aumento das deportações e o encerramento da função de agendamento do aplicativo móvel CBP One – por meio da qual migrantes podiam marcar entrevistas para solicitar asilo nos EUA – contribuíram para uma redução significativa da circulação de pessoas em toda a região. Como consequência, as necessidades humanitárias no México também mudaram.  

Para nos adaptarmos a essas mudanças, encerramos nossos projetos em Coatzacoalcos, Reynosa e Matamoros, onde, por mais de sete anos, concentramos nossos esforços no atendimento a pessoas que estavam em trânsito ou aguardavam na fronteira. Impedidas de seguir viagem e obrigadas a permanecer no México, essas pessoas passaram a enfrentar incertezas em relação ao futuro, obstáculos legais e dificuldades para ter acesso aos serviços de saúde. Diante desse novo cenário, nossas atividades deixaram de se concentrar na assistência emergencial e passaram a atender às necessidades médicas e psicológicas crônicas de pessoas que se encontravam em um limbo jurídico e social.  

A Cidade do México e outros centros urbanos passaram a ser locais de acolhimento e permanência prolongada, em vez de pontos de passagem. Em resposta a essa mudança, MSF continuou atuando na capital e em Tapachula para apoiar pessoas que já não estavam em trânsito, mas tentavam reconstruir suas vidas. Na fronteira norte, em Ciudad Juárez, redirecionamos nossas atividades para atender vítimas da violência.  

Nosso Centro de Atendimento Integral na Cidade do México continuou sendo fundamental para nosso trabalho no país. Ali, nossas equipes ofereceram atendimento multidisciplinar — incluindo assistência médica, psiquiátrica e psicológica, serviço social e fisioterapia — a sobreviventes de violência extrema, tortura e violência sexual. 

Em todos os nossos projetos, incluindo a resposta de emergência no estado de Hidalgo após a devastação provocada pelo furacão Priscilla, ampliamos nossa abordagem para atender não apenas migrantes e pessoas deslocadas internamente, mas também comunidades locais com acesso limitado aos serviços de saúde em razão de barreiras socioeconômicas e geográficas. Adaptamos nossas atividades em unidades fixas e clínicas móveis para alcançar comunidades dispersas e muitas vezes invisibilizadas. Ao mesmo tempo, o atendimento em saúde mental ganhou importância cada vez maior, diante do deslocamento prolongado e dos traumas vivenciados pela população.

Dados referentes a 2025

39.000

Consultas ambulatoriais

180

sobreviventes de violência sexual atendidos

8.370

Consultas individuais de saúde mental

229

Equivalentes em tempo integral

370

consultas de pré-natal

10 milhões de euros

Despesas

Você pode gostar

Filtrar por

Lista de projetos​