Carolina, coordenadora de atividades de proteção de MSF, conversa com um paciente em uma das unidades de saúde onde atuamos na cidade de Zuwara, na Líbia. ©Shouqi Benarabi/MSF

Até março de 2025, Médicos Sem Fronteiras (MSF) oferecia cuidados de saúde a migrantes e refugiados na Líbia, quando as autoridades do país suspenderam nossas atividades como parte de uma ofensiva contra organizações internacionais. 

 

MSF oferecia atendimento médico básico, diagnóstico e tratamento da tuberculose (TB), apoio à saúde mental e consultas de saúde sexual e reprodutiva a refugiados, solicitantes de asilo e migrantes sem acesso aos serviços de saúde do país. 

Durante os três primeiros meses do ano, realizamos consultas médicas gerais e oferecemos serviços de proteção em um centro de detenção próximo à capital, Trípoli. Entre essas ações estavam a identificação de menores de idade e a atuação em defesa de sua liberação. Na cidade costeira de Zuwara, nossos serviços de atendimento médico geral e de saúde sexual e reprodutiva estavam disponíveis tanto para pacientes líbios quanto para pessoas de outras nacionalidades. Nossas equipes também encaminhavam para outras organizações, em Trípoli, os pacientes que necessitavam de atendimento especializado.  

Embora tenhamos sido obrigados a suspender nossas operações no fim de março, pacientes com quadros particularmente complexos ou graves continuaram sendo evacuados para a Itália pelo ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, por meio de um corredor humanitário, até o fim do ano. 

Em Misrata, nossas equipes atuavam desde 2022 no hospital de doenças respiratórias, em parceria com o Ministério da Saúde, principalmente no tratamento de pacientes com TB, incluindo casos de tuberculose multirresistente, além de apoiar a supervisão das equipes e as atividades de testagem. Entre o fim de 2024 e o início de 2025, transferimos ao Ministério da Saúde a gestão da unidade de tuberculose do hospital, enquanto uma equipe de MSF permaneceu no local para oferecer apoio técnico. 

Em 27 de março de 2025, MSF foi recebeu ordem de suspender suas atividades na Líbia, após a Agência de Segurança Interna da Líbia fechar nossas instalações e interrogar vários membros de nossa equipe. Essa onda de repressão também atingiu outras nove organizações humanitárias que atuavam no oeste do país.  

Em outubro de 2025, o Ministério das Relações Exteriores da Líbia determinou, por meio de uma carta, que MSF deixasse o país. Nenhuma justificativa foi apresentada para nossa expulsão, e o processo não foi transparente. Continuamos dialogando com as autoridades e, em janeiro de 2026, recebemos autorização para retomar nossas atividades. 

Dados referentes a 2025

3.040

Consultas ambulatoriais

46

Profissionais em tempo integral

590

Consultas de pré-natal

4,6 milhões de euros

Despesas

77

Pessoas iniciaram tratamento para tuberculose

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