Um tradutor de MSF dá instruções às mulheres que esperam com seus filhos por consultas médicas numa clínica móvel em Adiftaw. Etiópia, março de 2021. © Igor Barbero/MSF

Em 2025, Médicos Sem Fronteiras (MSF) atuou em sete regiões da Etiópia, prestando atendimento essencial a pessoas afetadas pela violência, por surtos de doenças e pelo deslocamento. 

Em nossos projetos, as equipes de MSF ofereceram serviços essenciais, incluindo vacinação, atendimento pediátrico e ambulatorial, atenção à saúde sexual e reprodutiva, atendimento de emergência e assistência nutricional. Também ampliamos o acesso da população a serviços de água, saneamento e higiene por meio da construção e da recuperação de infraestruturas.  

Ao longo do ano, pessoas que fugiam de novos episódios de violência no Sudão do Sul atravessaram a fronteira e chegaram à região de Gambella. Algumas se dirigiram a campos já existentes, onde passaram a viver ao lado de famílias que haviam sido deslocadas anos antes; outras foram acolhidas em locais criados para receber os recém-chegados. Ao mesmo tempo, O aumento do número de pessoas deslocadas e os cortes no financiamento internacional da ajuda humanitária por importantes doadores, como a USAID, aumentaram a pressão sobre serviços básicos, como a distribuição de alimentos, o atendimento de saúde e o fornecimento de água e serviços de saneamento.  

As equipes de MSF continuaram gerindo um centro de saúde no campo de refugiados de Kule. Além das atividades regulares realizadas no centro, que incluem atendimento para casos de malária e de violência sexual e de gênero, nossas equipes ofereceram tratamento a refugiados recém-chegados com ferimentos relacionados à violência ou com cólera em toda a região de Gambella. Também distribuíram itens de primeira necessidade, como sabão e recipientes para armazenar água.  

Em novembro, concluímos, em Kule, a vacinação de crianças menores de cinco anos com a vacina R21 contra a malária. Foi a pela primeira iniciativa desse tipo realizada na Etiópia e em um campo de refugiados no mundo. 

Na região Somali sucessivas estações chuvosas com pouca ou nenhuma chuva agravaram a seca e tornaram ainda mais difícil a sobrevivência da população. As equipes de MSF fizeram a triagem de crianças para identificar casos de desnutrição e apoiaram, em parceria com as autoridades locais do distrito de Barey, na zona de Afder, ações de nutrição, água e saneamento. Também realizaram campanhas de vacinação para ajudar as unidades de saúde, já sobrecarregadas, a enfrentar os efeitos dos cortes cada vez maiores no financiamento.  

Enquanto isso, em Tigré, três anos após o fim das hostilidades na região, as pessoas ainda vivem em campos superlotados e têm pouco acesso a itens e serviços básicos. 

Em Shire e Sheraro, nossas atividades incluíram atenção à saúde sexual e reprodutiva, atendimento a pessoas afetadas por violência sexual e de gênero e apoio a pessoas com problemas de saúde mental, além do tratamento de doenças tropicais negligenciadas. Para combater um surto de cólera em áreas de difícil acesso, instalamos unidades de tratamento e reforçamos as medidas de prevenção e controle de infecções.  

Em Korem, cidade afetada pela instabilidade, pelo acesso limitado aos serviços de saúde e pelos danos à infraestrutura de saúde, emergências como sarampo, cólera e desnutrição continuaram fazendo parte da realidade da população. No hospital geral de Korem, oferecemos atendimento de emergência e encaminhamento de pacientes, fornecemos insumos médicos e capacitamos profissionais que atuam nos serviços de saúde materno-infantil. Também doamos insumos a outras quatro unidades de saúde da região. 

De surtos de malária no sudeste da Etiópia à desnutrição infantil em Afar e aos casos de calazar e picadas de cobra, além das ameaças de epidemias em Amhara, nossas equipes reforçaram a assistência de saúdes em Mizan Teferi, Semera, Gondar e Abdurafi. Para isso, responderam a necessidades médicas urgentes e mantiveram o apoio às comunidades que enfrentam crises de saúde recorrentes. 

MSF continua exigindo responsabilização pelas mortes de nossos colegas.

Em 24 de junho de 2021, nossos colegas María Hernández Matas, Tedros Gebremariam Gebremichael e Yohannes Halefom Reda foram mortos enquanto estavam em serviço, em Tigré. Como as autoridades etíopes não responderam aos nossos reiterados pedidos para que fosse realizada uma investigação formal e transparente, em 2025 divulgamos nossas conclusões internas. A investigação concluiu, que o ataque teve como objetivo deliberado matar trabalhadores humanitários claramente identificados. Exigimos que os autores do ataque sejam responsabilizados. 

Dados referentes a 2024

273.000

Consultas ambulatoriais

200

pessoas com kala azar tratadas

81.800

Casos de malária tratados

1.122

Profissionais em tempo integral

1.480

pessoas com cólera tratadas

25,2 milhões de euros

Despesas

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