Uma criança é atendida durante uma campanha de vacinação contra a cólera em um centro de saúde da Première Urgence em Koufroun, no leste do Chade, onde MSF forneceu as vacinas. ©Léa Gillabert/MSF

Em meio ao agravamento da crise humanitária, marcada pelo deslocamento de populações, surtos de doenças e insegurança alimentar, as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) atuam em diversas regiões do Chade, preenchendo lacunas nos serviços de saúde e respondendo a situações de emergência. 

 

Em 2025, a população do Chade enfrentou surtos recorrentes de cólera, difteria e sarampo, além da ameaça persistente da malária e do agravamento da desnutrição. A baixa cobertura vacinal do país favorece a ocorrência de epidemias, especialmente onde o acesso aos serviços de saúde é dificultado pelos custos e pela falta de unidades em funcionamento e de equipes adequadamente estruturadas. Ao mesmo tempo, os cortes na ajuda internacional reduziram ainda mais a capacidade de um sistema de saúde já fragilizado de responder às necessidades da população. Diante desse cenário, MSF ampliou sua atuação por meio de apoio a hospitais, centros de saúde geral e estruturas comunitárias de atenção à saúde, além da mobilização de equipes para atuar em emergências. Trabalhamos para oferecer cuidados capazes de salvar vidas e fortalecer a capacidade local de resposta em algumas das comunidades mais isoladas do país.

 

Prestando assistência a refugiados sudaneses e comunidades de acolhimento no leste do Chade 

Até 31 de dezembro, estima-se que 1,26 milhão de pessoas tenham atravessado a fronteira para o Chade desde o início do conflito no Sudão, incluindo 356 mil cidadãos chadianos que retornaram ao país. Com a rápida superlotação dos pontos de trânsito, muitas pessoas foram transferidas para áreas de expansão de campos já existentes, como Iridimi e Touloum. Em Touloum, MSF ofereceu consultas de pré-natal, apoio psicológico, tratamento da desnutrição, vacinação e encaminhamentos para tratamento especializado. Em abril, após as Forças de Apoio Rápido do Sudão assumirem o controle do campo de Zamzam, em Darfur do Norte, no Sudão, mais de 60 mil pessoas chegaram a Tiné, no Chade, em apenas uma semana. Em resposta, MSF distribuiu alimentos terapêuticos para crianças menores de cinco anos e para gestantes e lactantes. Também fornecemos itens essenciais de ajuda humanitária, como utensílios para preparo de alimentos e kits de higiene, além de construirmos latrinas no campo de Touloum. Para acolher os recém-chegados, iniciamos a oferta de atendimento integral em saúde geral em dois novos campos, localizados em Iridimi e Goudrane. 

Ao longo do ano, oferecemos atendimento geral de saúde aos refugiados em Tiné e Ouré Cassoni, incluindo consultas de pré-natal, atendimento a sobreviventes de violência sexual, vacinação de rotina, apoio nutricional e cuidados em saúde mental. Também realizamos ações de promoção da saúde e atividades relacionadas à água, ao saneamento e à higiene. Em agosto, MSF passou a operar uma clínica fixa e clínicas móveis em Ouré Cassoni, além de realizar o abastecimento emergencial de água por caminhões-pipa e a construção de instalações sanitárias para atender às necessidades urgentes da população desse campo densamente povoado. 

Na cidade de Adré, mantivemos nosso atendimento integrado em saúde geral e especializada no centro de saúde e no hospital. No centro de saúde, nossas equipes realizaram consultas pediátricas e de saúde reprodutiva e vacinaram crianças no momento de sua chegada à fronteira. No hospital, prestamos assistência a partos, internamos crianças com desnutrição aguda grave e oferecemos atendimento hospitalar neonatal e pediátrico. 

No campo de Metché, mantivemos nosso hospital em funcionamento, atendendo tanto refugiados quanto comunidades anfitriãs com serviços de emergência, cirurgia, assistência à saúde materna e neonatal, apoio em saúde mental e tratamento da desnutrição. Para garantir o acesso adequado à água potável e reduzir o risco de epidemias, nossas equipes reabilitaram poços artesianos e ampliaram os sistemas de distribuição de água no campo. No campo de Aboutengue, oferecemos atendimento ambulatorial e hospitalar e tratamos pacientes com desnutrição aguda moderada e grave. Nossa equipe também apoiou o tratamento de doenças crônicas e condições de saúde mental, além de colaborar com o Ministério da Saúde na realização de campanhas de vacinação. 

 

Respondendo a epidemias 

O enfrentamento de epidemias permaneceu uma das principais áreas de atuação de MSF em 2025. A nordeste de N’Djamena, capital do país, respondemos a um surto de difteria que afetou diversos distritos das províncias de Bahr El-Gazel e Batha, oferecendo tanto atendimento ambulatorial quanto hospitalar. Para prevenir novos surtos, nossas equipes, com o apoio de agentes comunitários de saúde, realizaram campanhas de vacinação em Bahr El-Gazel e no campo de Iridimi, na província de Wadi Fira.

A equipe de resposta a emergências de MSF no Chade apoiou as ações de vigilância epidemiológica e vacinação em várias províncias, incluindo Batha, N’Djamena e Salamat. Também participamos da resposta emergencial à desnutrição em Am Timan durante o período de escassez alimentar — a fase entre as colheitas, quando os estoques de alimentos se esgotam —, e tratamos crianças com desnutrição grave, além de ampliarmos a capacidade hospitalar.

No 9º distrito de N’Djamena, respondemos a um surto de sarampo oferecendo atendimento ambulatorial e doando kits de tratamento aos centros de saúde. Durante a estação chuvosa, para enfrentar surtos de cólera, iniciamos atividades nas províncias de Ouaddaï, Sila e Hadjer Lamis.

No distrito de Hadjer Hadid, em Ouaddaï, instalamos unidades de tratamento de cólera e pontos de reidratação oral, além de aprimorar a distribuição de água e as medidas de prevenção e controle de infecções. Também apoiamos a resposta do Ministério da Saúde a um surto de meningite em cinco distritos de Ouaddaï, realizando vacinação e tratando casos graves no Hospital Regional de Abéché. Por meio de campanhas de vacinação, do fortalecimento da vigilância epidemiológica, da resposta rápida e de uma estreita colaboração com as autoridades de saúde, contribuímos para conter múltiplos surtos.

 

Respondendo às necessidades permanentes 

Além das respostas emergenciais, mantivemos projetos de longo prazo voltados ao combate à malária, à desnutrição e à ampliação do acesso aos serviços de saúde. Em Moïssala, na província de Moyen-Chari, MSF atuou em parceria com o Ministério da Saúde na implementação da quimioprevenção sazonal da malária em 37 zonas de saúde. Nossas equipes também realizaram consultas pediátricas e prestaram assistência a partos nos hospitais de Moïssala. 

A insegurança alimentar continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelo Chade, agravada por fatores como o deslocamento de populações, os impactos dos eventos climáticos extremos e a fragilidade da situação econômica. No distrito de Massakory, na província de Hadjer Lamis, MSF apoiou 21 unidades comunitárias, que ofereciam tratamento da desnutrição em conjunto com outros serviços de saúde, como assistência à saúde sexual e reprodutivaTambém apoiou uma unidade hospitalar especializada no tratamento da desnutrição. As equipes de MSF contribuíram para o funcionamento dos programas pediátricos ambulatoriais de alimentação terapêutica, enquanto agentes comunitários de saúde capacitados por MSF realizaram o rastreamento de crianças com desnutrição e providenciaram seu encaminhamento para tratamento sempre que necessário. Também reabilitamos sistemas de distribuição de água e desenvolvemos ações de promoção da saúde voltadas ao enfrentamento dos fatores que contribuem para a desnutrição. 

Na província de Sila, demos continuidade ao nosso modelo de atenção comunitária à saúde em 91 aldeias, no qual os próprios moradores participam das decisões sobre as atividades desenvolvidas. As equipes de MSF realizaram consultas de clínica geral, apoiaram o encaminhamento de gestantes para serviços de maternidade e participaram das atividades de vacinação. Esse projeto busca fortalecer as unidades de saúde já existentes, com o objetivo de garantir a continuidade dos serviços mesmo após o encerramento da atuação de MSF na província.

Dados referentes a 2024

586.900

Consultas ambulatoriais

136.500

Casos de malária tratados

979.600

Vacinações de rotina

2.446

Profissionais em tempo integral

40.700

Crianças admitidas em programas ambulatoriais de alimentação terapêutica

72 milhões de euros

Despesas

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