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Exclusão do Acesso à Cuidados de Saúde

As equipes de Médicos Sem Fronteiras levam cuidados a populações que, por quaisquer motivos, estejam privadas do acesso a serviços de saúde.

As equipes de Médicos Sem Fronteiras levam cuidados a populações que, por quaisquer motivos, estejam privadas do acesso a serviços de saúde.

São diversos os fatores que podem inviabilizar esse acesso: em meio a conflitos armados, a insegurança limita os deslocamentos e o receio da violência representa uma ameaça; por vezes, as mesmas insegurança e violência motivam, também, a fuga massiva de profissionais de saúde de uma determinada localidade; a inexistência de um sistema de saúde público institucionalizado e a escassez de profissionais de saúde é comum em diversos países em desenvolvimento; desastres naturais podem destruir instalações de saúde; a falta de recursos financeiros pode impossibilitar o uso de quaisquer tipos de transporte para se chegar às poucas estruturas de saúde disponíveis em regiões de difícil acesso; e, por vezes, a cobrança de taxas referentes às consultas e aos medicamentos pode restringir o acesso à saúde.

Na tentativa de oferecer serviços essenciais e superar tais obstáculos, equipes de MSF avaliam o contexto a fim de implementar a solução que melhor se adapte ao cenário encontrado. A organização pode investir na construção de instalações de saúde permanentes ou provisórias, de acordo com a demanda de saúde identificada em campo, e atuar por meio de clínicas móveis, que tem por objetivo levar cuidados até as regiões e comunidades mais remotas.

No sistema de saúde da República Centro-Africana, por exemplo, é os pacientes precisam pagar, de seus próprios bolsos, para bancar o custo que seus atendimentos representam. O sistema não funciona. Não para os pacientes, e não para o sistema de saúde. Na realidade, em um país como a República Centro-Africana, onde o Estado é fraco, a população é pobre e a prevalência de doenças é grande, o sistema da política de contrapartida contribui para o abandono dos cuidados de saúde primários para a maioria da população. As taxas bloqueiam o acesso a cuidados de saúde. No entanto, em muitos países, elas ainda existem.

A violência urbana presente no cotidiano de diversos países também pode significar uma limitação para o acesso a cuidados. “Independentemente dos recursos que o México tem como país, parte da população tem de enfrentar diretamente situações de extrema violência e encontra dificuldades para acessar o sistema de saúde. Organizações criminosas que operam em grande parte do país usam métodos e estratégias que têm consequências médicas e humanitárias graves para a população. Programas de promoção e prevenção foram suspensos e instalações de saúde não estão mais operacionais devido à falta de pessoal treinado, que geralmente tem de reduzir sua carga horária e ficam expostos a serem roubados ou são ameaçados nas regiões afetadas pela violência. Tudo isso afeta os pacientes, que têm cada vez menos acesso a serviços de saúde”, explica Emiliano Lucero, que atuou como coordenador médico por um ano, entre 2013 e 2014, no México.

No Afeganistão, que teve seu sistema de saúde recentemente celebrado por iniciativas bem-sucedidas, a falta de recursos e os altos custos dos serviços oferecidos foram apontados como as principais barreiras ao acesso a cuidados, de acordo com estudo publicado por Médicos Sem Fronteiras em fevereiro de 2014.