Haiti: atividades na Maternidade Isaïe Jeanty são retomadas após interrupção causada por confrontos violentos

Equipes voltam a prestar cuidados obstétricos, incluindo emergências, e apoio a sobreviventes de violência sexual

Vista de um pátio dentro da Maternidade Isaïe Jeanty, a única maternidade pública em Cité Soleil, Porto Príncipe, Haiti. © Alexandre MarcouMSF
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Após uma suspensão de três semanas devido a confrontos violentos entre grupos armados, Médicos Sem Fronteiras (MSF) retomou gradualmente as atividades na Maternidade Isaïe Jeanty, em Cité Soleil, no Haiti. Em conjunto com o Ministério da Saúde Pública e da População, desde 14 de julho, a unidade funciona 24 horas por dia, sete dias por semana.  

Com o retorno dos atendimentos, mulheres podem novamente receber cuidados médicos, em um contexto em que o acesso aos serviços de saúde continua extremamente difícil. 

A unidade foi obrigada a suspender suas atividades em 19 de junho, após cinco dias de intensos confrontos entre grupos armados em Cité Soleil, durante os quais tiros atingiram a maternidade. Inicialmente, nossas equipes permaneceram no local com um quadro reduzido de profissionais para manter um nível mínimo de atendimento. Mas, à medida que a violência aumentava, elas foram forçadas a deixar a unidade.

 

Foi uma decisão particularmente difícil, pois sabemos quão importantes são as necessidades de saúde sexual e reprodutiva em Cité Soleil.

– Diana Manilla Arroyo, coordenadora-geral de MSF no Haiti

“Mas continuar nessas condições teria colocado ainda mais vidas em risco”, afirmou Diana.

 

Confrontos forçam moradores a fugir

Os confrontos também afetaram gravemente os moradores de Cité Soleil, forçando muitos deles a fugir de suas casas.

“Homens armados chegaram [à minha casa], então peguei meus filhos e fui embora. Meus vizinhos me ajudaram a escapar. Meu irmão era mototaxista; ele queria voltar para me ajudar, mas encontrou homens armados que o capturaram e o trancaram em nossa casa antes de incendiá-la. Ele foi morto”, relata uma paciente atendida em uma clínica móvel de MSF, localizada a poucos quilômetros da maternidade.

As equipes de MSF oferecem atendimento obstétrico, incluindo cuidados de emergência, e assistência a sobreviventes de violência sexual na maternidade, em parceria com o Ministério da Saúde Pública e da População. No primeiro semestre de 2026, a maternidade realizou 995 partos e prestou atendimento a 122 sobreviventes de violência sexual.

A mão de um recém-nascido repousa na palma do avô, que procurou atendimento de emergência para a mãe do bebê na Maternidade Isaïe Jeanty, após uma eclâmpsia pós-parto. ©Laora Vigourt/MSF

Em Porto Príncipe, os confrontos armados continuam interrompendo o acesso aos cuidados de saúde para milhares de pessoas. Reiteramos que instalações médicas, pacientes e profissionais de saúde devem ser protegidos em todos os momentos do conflito.

 

MSF também oferece atendimento gratuito no Hospital de Cité Soleil, no Centro de Saúde Orezon, em Brooklyn, assim como no Hospital de Tabarre e na Clínica Pran Men’m, em Delmas 33, mais ao norte. 

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