Haiti: em meio a violência intensa, MSF é forçada a suspender atendimento em maternidade

Confrontos armados em Cité Soleil deixam milhares de mulheres sem acesso a cuidados de saúde

Entrada da maternidade Isaïe Jeanty, apoiada por MSF no Haiti. ©Alexandre Marcou/MSF
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Desde a noite de 13 de junho, a violência tem se intensificado nos arredores da Maternidade Isaïe Jeanty, apoiada por Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Cité Soleil, em Porto Píncipe, no Haiti. Presas no fogo cruzado e enfrentando uma situação insustentável, as equipes foram forçadas a suspender suas atividades médicas, nesta sexta-feira (19/06). O acesso a cuidados de saúde sexual e reprodutiva, já extremamente limitado na região, agora é praticamente inexistente. Milhares de pessoas, principalmente mulheres, não conseguem buscar atendimento médico seguro.

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Dias de confronto intenso

Nos últimos cinco dias, confrontos violentos entre diversos grupos armados têm ocorrido nos bairros de Belekou, Fort-Dimanche e Cais Jérémie. Os tiroteios continuam e atingem diretamente os muros da Maternidade Isaïe Jeanty, no bairro de Chancerelles, provocando deslocamentos e pânico entre as comunidades da região.

Na noite de 15 de junho, mais de cem pessoas — em sua maioria mulheres e crianças — que fugiam dos combates buscaram refúgio e acesso à água dentro da maternidade. Uma mulher foi ferida na perna por uma bala perdida dentro das dependências do hospital e foi estabilizada por nossas equipes no local. O hospital de MSF em Tabarre também atendeu pessoas feridas em decorrência dos confrontos na região.

 

MSF manteve atividades até quando foi possível

Com a escalada dos combates, as autoridades foram obrigadas a suspender as atividades na manhã seguinte. MSF continuou a prestar cuidados de emergência, estabilização de pacientes, e a realizar encaminhamentos por vários dias, mas foi obrigada a evacuar sua equipe e a suspender todas as atividades na manhã de 19 de junho.

Hoje não podemos mais continuar: o hospital está crivado de balas.”

Nicholas Tessier, coordenador de projeto de MSF no Haiti

“Tentamos fornecer um nível mínimo de suporte vital à população com uma equipe reduzida e capacidade limitada. Atendemos várias mulheres que conseguiram chegar à maternidade apesar da insegurança, incluindo uma que deu à luz a gêmeos. Mas hoje não podemos mais continuar: o hospital está crivado de balas, nossas equipes estão exaustas e tornou-se extremamente difícil para as ambulâncias encaminharem pacientes e encontrarem instalações capazes de recebê-las”, disse Nicholas Tessier, coordenador de projeto de MSF no Haiti.

 

Acesso à saúde sexual e reprodutiva se torna quase inexistente

Em Cité Soleil, onde moram cerca de 300 mil pessoas, o acesso à saúde para mulheres é quase inexistente. Muitas são obrigadas a dar à luz em casa em condições precárias, aumentando significativamente o risco de complicações obstétricas.

A suspensão das atividades na maternidade Isaïe Jeanty, causada pelo aumento da violência, agrava ainda mais uma situação já crítica: agora, as mulheres praticamente não têm opções de atendimento.

MSF já havia sido obrigada a suspender temporariamente suas atividades em maio em seu hospital em Cité Soleil, localizado a poucos quilômetros da maternidade. Com a deterioração contínua da situação de segurança, todo o sistema de saúde da região está ameaçado.

É essencial que os grupos armados respeitem os civis e que as instalações de saúde sejam protegidas a todo custo, para que as equipes médicas possam cuidar de quem precisa.

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