O enfermeiro Helder Torres realiza consultas pediátricas em Olumbe, uma comunidade onde clínicas móveis de MSF oferecem cuidados médicos a pessoas com acesso limitado a serviços de saúde. ©MSF

Médicos Sem Fronteiras (MSF) continuou respondendo à deterioração da situação humanitária em Moçambique, agravada pela intensificação da violência armada, pelos recorrentes eventos climáticos extremos e por surtos generalizados de doenças.  

 

À medida que o conflito em Moçambique entrou em seu oitavo ano, os ataques do Estado Islâmico em Moçambique se intensificaram nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, provocando medo generalizado e três ondas de deslocamento entre julho e dezembro, período em que cerca de 300 mil pessoas tiveram de deixar suas casas. Muitas foram deslocadas inúmeras vezes e, em alguns casos, acabaram retornando a campos de deslocados que haviam deixado anos antes. Os altos níveis de insegurança agravaram ainda mais a pressão sobre o já frágil sistema de saúde, reduzindo o acesso de pessoas deslocadas e das comunidades que as acolhem a serviços essenciais.  

Em 2025, MSF realizou diversas atividades para suprir as lacunas existentes na assistência à saúde. Em todos os nossos projetos e respostas a emergências, incorporamos ações de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV, da tuberculose (TB) e da malária, que estão entre as principais causas de morte em Moçambique. 

Cabo Delgado continua sendo o epicentro da crise. Em Macomia, retomamos atividades que havíamos suspendido após um ataque em 2024, reativando as clínicas móveis e construindo o que hoje é o único centro cirúrgico em funcionamento no distrito, em uma unidade do Ministério da Saúde. Com isso, levamos atendimento à população que, de outra forma, precisaria percorrer duas horas para ter acesso a esses serviços. Em Muidumbe e Nangade, trabalhamos em centros de saúde locais e capacitamos agentes comunitários de saúde. Em Mueda, disponibilizamos profissionais de saúde, insumos e apoio técnico para oferecer atendimento de emergência materno, pediátrico e neonatal, além de cuidados de saúde mental e encaminhamentos no hospital rural. Em Palma, suspendemos temporariamente nossas clínicas móveis e ações de alcance comunitário durante os períodos de maior insegurança. Da mesma forma, em Mocímboa da Praia, um dos principais focos do conflito, interrompemos nossas atividades em setembro devido a ataques e ameaças. Retomamos gradualmente o trabalho em dezembro, concentrando os esforços nos serviços hospitalares essenciais, na saúde mental e nas ações de alcance comunitário. 

A saúde mental continuou sendo um componente central de nosso trabalho. Além de oferecer consultas individuais e em grupo, capacitamos membros das comunidades para ampliar a conscientização e a aceitação em relação aos cuidados de saúde mental, e profissionais de saúde para aprimorar os sistemas de encaminhamento. 

No início de 2025, concluímos nossa resposta emergencial ao ciclone Chido, que havia causado grandes danos a unidades de saúde e sistemas de abastecimento de água, além de provocar um aumento expressivo dos casos de malária e doenças diarreicas. Nossas equipes apoiaram a recuperação, restabelecendo serviços essenciais e oferecendo apoio psicossocial. 

Em Beira, na província de Sofala, transferimos ao Ministério da Saúde o projeto de saúde sexual e reprodutiva que mantínhamos havia mais de uma década, encerrando nossa importante contribuição para a prevenção e o tratamento do HIV na região.  

Em junho, também concluímos nossas atividades regulares em Nampula, onde trabalhávamos para melhorar o atendimento à malária e às doenças tropicais negligenciadas, incluindo a realização de cirurgias para tratar a hidrocele, uma complicação da filariose — doença parasitária tropical que provoca o acúmulo anormal de líquido nos testículos. Continuamos preparados para oferecer apoio em caso de novas emergências. 

Entre julho e dezembro, nos distritos de Chiúre, Mueda, Mocímboa da Praia e Eráti, MSF ofereceu consultas médicas, atendimento de maternidade, avaliação de casos de desnutrição, apoio à saúde mental, encaminhamentos e serviços de água, saneamento e higiene a comunidades deslocadas e às comunidades que as acolhem. Além disso, apoiamos o Ministério da Saúde no enfrentamento de vários surtos de cólera em Cabo Delgado e Nampula. 

Dados referentes a 2025

180.200

Consultas ambulatoriais

10.800

Partos assistidos

18,5 milhões de euros

Despesas

3.650

Consultas individuais de saúde mental

19.200

Pacientes internados em hospital

706

Profissionais em tempo integral

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