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“No momento, esperamos que a situação não seja tão grave, mas estamos nos preparando para o pior”

03/08/2012
Henry Gray, coordenador de logística de MSF para emergências lidando com o surto de Ebola em Uganda, descreve a preparação de sua equipe para cuidar dos pacientes suas famílias e ajudar a prevenir a disseminação da doença.

“Nossa equipe chegou a Uganda no último final de semana e, desde então, estamos trabalhando arduamente para reagir ao surto de forma abrangente na área de Kagadi. MSF tem bastante experiência com Ebola e estamos utilizando a mesma abordagem implementada nos surtos anteriores, que consideramos efetivas no combate à doença.

Estamos instalando um centro de tratamento em Kagadi, que deve levar de sete a dez dias para ser finalizada. Os pacientes virão para cá para serem tratados. Isolá-los ajudará a reduzir os riscos de contágio.

Trabalhar com um surto de Ebola não se trata apenas de reagir aos desafios físicos de um surto; educar as pessoas também é vital. Agentes de saúde estão particularmente suscetíveis a serem infectados então, além de tratar os pacientes, uma de nossas prioridades é treinar a equipe de saúde ugandesa para reduzir os riscos de contágio enquanto estiverem tratando pacientes. Temos de aplicar procedimentos de segurança extremamente rigorosos para garantir que nenhum profissional de saúde seja exposto ao vírus – por meio de material contaminados dos pacientes ou resíduos médicos infectados com Ebola.

O público em geral está preocupado, o que é compreensível, visto que essa não é uma doença com a qual eles têm contato frequente. Este é o maior surto de Ebola em Uganda desde 2007 e muitas pessoas não entendem o que é o Ebola. Eles sabem reconhecer sintomas de malária ou cólera, mas o Ebola é muito mais assustador, em parte porque os primeiros sintomas podem ser muito similares aos de doenças conhecidas.

Os sintomas podem envolver febre, vômitos, inflamações na garganta  e dores de cabeça. Em casos graves, pode ocorrer sangramento interno ou externo. Pacientes com casos graves da doença precisarão de cuidados intensivos. Normalmente, eles estão muito desidratados e precisam receber fluidos por via intravenosa. Infelizmente, não há tratamento específico ou vacina para Ebola – diversas vacinas estão em desenvolvimento, mas é provável que demore vários anos até que alguma delas esteja disponível.

O Ebola se dissemina rapidamente e pode ser fatal e seus efeitos sociais podem ser muito graves. Os pacientes que estamos tratando estão muito assustados, por razões óbvias. Suas famílias estão também amedrontadas e, por isso, além do centro de tratamento, estamos estruturando formas de dar suporte psicológico aos pacientes, suas famílias e nossas equipes, que podem estar também traumatizados com o que está acontecendo.

Muitas pessoas evitam apertos de mão ou beijos no rosto ao se cumprimentarem, mesmo que as pessoas só sejam contagiosas caso estejam com os sintomas do Ebola. Há muita publicidade sobre as formas de reduzir os riscos de transmissão da doença e procurar ajuda médica imediatamente se alguém apresentar os sintomas, e essas mensagens são vitais.

Assim que terminarmos a construção do centro de tratamento e de treinar as equipes nos próximos dias, teremos capacidade para tratar entre 50 e 60 pacientes por vez. No momento, esperamos que a situação não seja tão grave, mas estamos nos preparando para o pior.”