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"Não há razão para ter medo de sair na rua", diz médica sobre Ebola

01/08/2012
Coordenadora de emergência de MSF fala sobre o vírus e medidas sendo tomadas para conter o surto em Uganda

Surtos de Ebola são raros, mas para a Dra. Olimpia de La Rosa, coordenadora de emergência de MSF, lidar com a doença não é novidade. Na última aparição do vírus em Uganda, em 2007, ela deu suporte a uma equipe de MSF na contenção do surto. Cinco anos depois, a resposta de MSF está novamente a todo vapor, com equipes ajudando na batalha contra a disseminação do vírus fatal.
 
Qual a situação atual em Uganda e quantas pessoas estão infectadas?
Até o momento, 36 casos de Ebola foram reportados e 14 vidas foram perdidas. Testes de laboratório confirmaram oficialmente a infecção pelo vírus Ebola.
 
Onde é o epicentro do surto?

Dezoito pessoas infectadas com Ebola foram internadas em um hospital em Kigadi, no oeste do distrito de Kibaale, em Uganda. No dia 31 de julho, MSF deu início a uma resposta de emergência em Kigadi para limitar a disseminação do vírus.
 
A comunidade de Kigadi está com medo de que a doença se espalhe?
A comunidade de Kigadi está certamente preocupada, mas a situação nas redondezas é tranquila e o hospital continua em funcionamento. Se pudermos limitar a disseminação do vírus, poderemos controlar a epidemia.
 
O que você acha do pronunciamento do presidente de Uganda, aconselhando as pessoas a evitarem contato direto umas com as outras?

É verdade que evitar contato direto com outras pessoas é uma forma de se proteger. Mas pessoas que não apresentam sintomas não transmitem a doença, e não há razão para ter medo de sair na rua. Evitar o contato com os fluidos corporais de outras pessoas é a melhor forma de limitar um surto de Ebola, mas isto somente é de fato necessário na região de Kigadi.
 
Há cura para o Ebola?
Não há tratamento específico para Ebola, mas há pessoas que sobrevivem à doença. O índice de mortalidade depende do tipo de Ebola, e há cinco deles. Este surto é do tipo Ebola-Sudão, que surgiu no Sudão em 1976. Não é o mais devastador nem o mais contagioso, mas causa a morte em até 70% dos casos.
 
Que tipo de cuidado os pacientes recebem?
Casos graves demandam internação e cuidados intensivos. Os pacientes estão frequentemente desidratados e precisando de solução de reidratação oral. Até o momento, não há tratamento específico ou vacina para a febre hemorrágica Ebola. Diversas vacinas potenciais estão sendo testadas, mas pode demorar anos até que uma seja disponibilizada.

O que MSF está fazendo para conter o surto em Uganda?
A prioridade de MSF é conter a disseminação da epidemia e impedir que novos casos ocorram, tratando aqueles já infectados e implementando um sistema para identificação de novos casos o mais rápido possível, para isolá-los e tratá-los. Montamos equipes para promover atividades de conscientização sobre saúde para alertar a comunidade sobre os sintomas do vírus e formas de evitar a infecção e reduzir riscos de contágio.
 
Por que as equipes médicas de MSF usam roupas especiais para tratar pacientes com Ebola?
A febre hemorrágica Ebola se espalha rapidamente pelo contato direto com pessoas infectadas ou animais e pode ser transmitida pelo sangue, por fluidos corporais e até mesmo pelo contato com roupas usadas por uma pessoa infectada. As equipes de MSF utilizam os trajes para evitar a exposição ao vírus.
 
Quando foram detectados os primeiros casos de Ebola deste surto?
O surto de Ebola foi oficialmente declarado em 28 de julho, mas os primeiros casos apareceram em 12 de julho. Os primeiros sintomas do Ebola podem ser similares aos de outras doenças infecciosas e, por isso, qualquer pessoa que manifeste sintomas precisa ser tratada com extrema cautela. O primeiro caso parece ter sido o de um bebê de três meses, cuja mãe também estava doente. Quando a menina morreu, sua família tentou descobrir do que ela havia morrido, mas não encontrou a resposta, embora houvesse rumores de bruxaria e magia. Sessenta e cinco pessoas foram ao funeral do bebê; 15 ficaram doentes e 11 morreram.
 
Por que os funerais são uma preocupação tratando-se de um surto de Ebola?

Por conta de o Ebola ser extremamente contagioso, e se espalhar por meio do contato com fluidos corporais, funerais são uma preocupação, especialmente quando medidas de prevenção não são tomadas no manuseio do corpo. A maioria das mortes neste surto foi de pessoas que foram ao funeral do bebê.
 
O surto se espalhou para a capital de Uganda, Kampala?
Até o momento, a maioria dos casos de Ebola foram identificados na região de Kibaale, que é onde MSF lançou sua resposta à emergência.