MSF lança estudo de vacinação contra a doença do Ebola

Ainda não há vacinas ou tratamentos específicos para o vírus Bundibugyo, responsável pelo atual surto na República Democrática do Congo

Marie Sembu, enfermeira do Ministério da Saúde local, prepara uma injeção da vacina Ervebo durante o evento de lançamento do estudo BRAVO, no Laboratório Provincial de Saúde Pública de Bunia. República Democrática do Congo, setembro de 2026. ©Kristen Poels/MSF
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À medida que o surto da doença do Ebola, causado pelo vírus Bundibugyo, continua se espalhando pela República Democrática do Congo (RDC), Médicos Sem Fronteiras (MSF) e o Epicentre, centro de pesquisa epidemiológica da organização, estão lançando o BRAVO, um importante estudo que acompanhará trabalhadores da linha de frente ao longo do tempo para avaliar o efeito da vacina ERVEBO.  

O estudo está integrado à resposta ao surto liderada pelo Ministério da Saúde local. Atualmente, não há vacina nem tratamento especificamente direcionados ao vírus Bundibugyo disponíveis de forma imediata. 

Realizado em parceria com o Ministério da Saúde, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo (INRB) e parceiros científicos, o estudo documentará e avaliará o uso da ERVEBO®, a única vacina contra o Ebola atualmente disponível em larga escala.  

A vacina possui um perfil de segurança bem estabelecido e já foi amplamente utilizada na RDC. No entanto, ela foi desenvolvida e licenciada para o vírus Zaire, e não para o vírus Bundibugyo, responsável pelo surto atual. 

“Embora a ERVEBO não tenha sido originalmente desenvolvida para proteger contra o Bundibugyo, dados preliminares sugerem que ela pode oferecer algum grau de proteção contra o vírus”, afirmou Guyguy Manangama, epidemiologista e diretor-adjunto de operações de MSF.  

“Em uma corrida contra o tempo como a que a RDC enfrenta atualmente, precisamos utilizar todas as ferramentas disponíveis. Mesmo uma proteção parcial pode ajudar a reduzir os casos graves e as mortes. No entanto, esses potenciais benefícios precisam ser demonstrados cientificamente. Esse é justamente o objetivo do BRAVO.” 

 

Como funciona o estudo  

Lançado no dia 19 de setembro de 2026 no centro de treinamento para profissionais de saúde administrado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Bunia, o estudo terá duração de nove a 12 meses, incluindo três meses dedicados à vacinação e um mínimo de seis meses de acompanhamento dos participantes.  

Equipe de MSF coleta informações dos profissionais da linha de frente que compareceram para receber a vacina durante o evento de lançamento do estudo BRAVO, no Laboratório Provincial de Saúde Pública de Bunia. República Democrática do Congo, setembro de 2026. ©Kristen Poels/MSF

A pesquisa alcançará 20 mil trabalhadores da linha de frente em Ituri e Kivu do Norte, uma população particularmente exposta ao risco de contágio e essencial para a resposta ao surto. O estudo produzirá dados reais sobre o uso da vacina ERVEBO® e sua possível eficácia no contexto do surto atual. 

Diversas vacinas especificamente direcionadas ao vírus Bundibugyo estão em desenvolvimento e poderão estar disponíveis nos próximos meses. Dar continuidade e acelerar essas pesquisas continuam sendo ações fundamentais.  

Enquanto isso, a ERVEBO está sendo oferecida como uma medida provisória devido ao seu perfil de segurança já estabelecido e às aprovações concedidas por importantes autoridades regulatórias, incluindo a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a Organização Mundial da Saúde. 

A participação no BRAVO e a vacinação são totalmente voluntárias. A vacina constitui uma medida adicional de proteção e não substitui as práticas comprovadas de prevenção e controle de infecções.  

Todos os profissionais da linha de frente devem continuar utilizando equipamentos de proteção, seguir protocolos seguros de atendimento e relatar rapidamente qualquer sintoma. 

“É importante destacar que essa vacina não encerrará o surto atual”, afirmou Guyguy Manangama. “No entanto, junto a outras intervenções essenciais, ela pode oferecer proteção adicional às pessoas mais expostas ao risco e ajudar a fortalecer a resposta.” 

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