MSF inicia projeto com foco em tuberculose no sistema prisional do estado do Rio de Janeiro

Organização atua em parceria com Seppen e SES-RJ para identificação oportuna de pacientes, evitando disseminação da doença

MSF atua junto com equipes do Seppen no Sanatório Penal, em Bangu (RJ), fortalecendo o cuidado a pacientes com tuberculose resistente a medicamentos e casos mais complexos. ©Natasha Bretas/MSF
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A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras está trabalhando em parceria com a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) e a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) para diminuir a incidência de tuberculose entre a população privada de liberdade na capital fluminense.

O trabalho de MSF concentra-se inicialmente nas instalações do Sanatório Penal, no bairro de Bangu (zona oeste do Rio de Janeiro), onde são atendidos pacientes de TB resistente a medicamentos (uma forma mais difícil de tratar e que, portanto, pode transmitir-se por mais tempo), além de pacientes com complicações. A duração prevista do projeto é de três anos. 

“Doenças transmissíveis não são limitadas pelos muros das prisões, configurando um problema de saúde pública”, afirmou Hamaspyur Vardanyan, coordenadora do projeto de MSF. “Acreditamos que esse projeto vai ter impacto positivo não só sobre a saúde da população privada de liberdade, mas também sobre a população em geral”, disse ela. 

O objetivo é reforçar o combate à doença no sistema prisional como parte de uma estratégia mais ampla de resposta à doença que é um problema de saúde pública.

O projeto oferece diagnóstico e apoio ao tratamento de tuberculose para pessoas privadas de liberdade no Estado, com o objetivo de diminuir os altos índices de incidência da doença no sistema prisional, ao mesmo tempo em que ajuda a proteger pessoas que transitam por ele, como familiares, profissionais de saúde e do direito e agentes de segurança pública, dentre outras pessoas.  

O Estado do Rio de Janeiro concentra 15% dos casos de tuberculose (TB) no Brasil, que em 2024 totalizaram mais de 84 mil. Apesar de representarem uma parte pequena da população geral, pessoas privadas de liberdade concentram 8,1% do total de ocorrências, o que faz desse grupo um dos mais suscetíveis a adoecerem com TB. No ano passado 12% dos novos casos da doença tiveram essa origem, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.  A autarquia municipal também está colaborando com o projeto. 

Uma das principais estratégias será a identificação oportuna de casos suspeitos de tuberculose por meio de triagem, com exames clínicos e radiológicos. Esse trabalho acontece inicialmente na Presídio José Frederico Marques, que é a chamada porta de entrada da maioria das pessoas privadas de liberdade no Rio de Janeiro. Com o diagnóstico sendo realizado paralelamente ao ingresso dos detentos no sistema, é possível iniciar imediatamente o tratamento, evitando a transmissão da doença.  

A tuberculose é uma doença que tem cura, desde que o tratamento seja realizado até o final. MSF possui um longo histórico de atuação em projetos voltados à prevenção, diagnóstico e tratamento de TB e de casos complexos de tuberculose resistente a medicamentos.

Apenas em 2024, MSF tratou 25 mil pessoas com TB, incluindo 1.500 pacientes com tuberculose resistente a medicamentos, em mais de 35 países.    

    

Médicos Sem Fronteiras é uma organização que oferece cuidados médicos guiada por princípios humanitários. Presente em mais de 70 países, atende pessoas sem discriminação de raça, gênero, religião, nacionalidade ou convicção política. A definição dos públicos prioritários baseia-se exclusivamente na avaliação das necessidades de saúde identificadas. A possibilidade de aliviar o sofrimento humano por meio da ação médica é o que orienta e norteia nossas ações.  

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