Mais de mil migrantes em situação de vulnerabilidade desembarcam na costa da África Ocidental

Sobreviventes de travessias pela rota do Atlântico chegaram ao Senegal e à Mauritânia com desidratação severa, ferimentos e sinais de violência

© Frederic Seguin/MSF
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Um total de 1.046 pessoas que sobreviveram a travessias marítimas pela rota migratória do Atlântico desembarcaram em situação de vulnerabilidade na última semana de agosto em três cidades da África Ocidental: Nouadhibou, na Mauritânia, e Rosso e Dacar, no Senegal. 

Os sobreviventes estavam a bordo de sete embarcações em situação de perigo, que haviam partido da Gâmbia com destino às Ilhas Canárias, no Oceano Atlântico – uma das rotas migratórias mais longas do mundo – antes de ficarem à deriva no mar.  

Eles foram resgatados e levados à costa, onde equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) prestaram atendimento médico de emergência em colaboração com o Crescente Vermelho da Mauritânia, em Nouadhibou, e com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), em Rosso e Dacar. 

As pessoas resgatadas apresentavam condições médicas como desidratação extrema, perda de consciência, fraturas ósseas, exaustão severa e infecções de pele, gastrointestinais e respiratórias decorrentes do longo período em que permaneceram à deriva no mar.  

Entre elas estavam 134 mulheres, incluindo uma gestante, e 88 menores de idade que necessitam de proteção. 

A maioria dos sobreviventes era oriunda do Senegal e da Gâmbia; os demais vinham do Mali, da Guiné, da Costa do Marfim e de outros países.  

 

Migrantes relatam episódios de violência  

Muitos relataram às nossas equipes ter sofrido violência tanto em seus países de origem quanto ao longo da rota migratória.  

Um sobrevivente que desembarcou em Dacar contou às equipes de MSF que foi espancado por um contrabandista e por homens não identificados e forçado a pagar mais dinheiro pela travessia.  

Uma sobrevivente relatou à nossa equipe que o contrabandista recebeu o pagamento de sua passagem e depois a estuprou antes do embarque. 

“Quando as pessoas percorrem uma rota de 2 mil quilômetros que atualmente é a mais mortal do mundo, elas certamente estão fugindo de algo ainda pior”, afirmou Dalil Adji, coordenador-geral da força-tarefa de migração de MSF na África Ocidental.  

As pessoas que apoiamos frequentemente nos contam que escolheram essa rota para escapar da violência e de condições extremas em seus países de origem. No entanto, elas encontram mais violência ao longo do caminho.”

Dalil Adji, coordenador-geral da força-tarefa de migração de MSF na África Ocidental

“Apelamos aos governos da África Ocidental e da Europa para que evitem esse custo humano por meio da criação de vias seguras e legais para que as pessoas possam buscar proteção, além de estabelecer uma resposta migratória que priorize a vida humana, a dignidade e a assistência oportuna”, conclui Adji. 

 

Apoio de MSF 

Além do atendimento médico de emergência, as equipes de MSF encaminharam os casos mais graves para cuidados especializados e forneceram água, alimentos, cobertores, kits com itens de necessidade básica e atendimento emergencial em saúde mental aos sobreviventes. 

As equipes de MSF prestam assistência a migrantes que desembarcam na rota do Atlântico desde 2024.  

Desde o início do projeto, profissionais da organização têm testemunhado o crescente custo humano dessa rota migratória e o elevado nível de vulnerabilidade entre aqueles que a percorrem.  

Apesar dos riscos evidentes, as pessoas continuam escolhendo esse caminho perigoso por falta de alternativas.

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