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Madagascar: MSF começa a atuar contra peste pneumônica

20/10/2017
Uma ação rápida e eficaz pode reduzir drasticamente o número de mortes e pôr fim ao surto
Madagascar: MSF começa a atuar contra peste pneumônica

Foto: RIJASOLO

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) começou no dia 18 de outubro a trabalhar com autoridades locais para enfrentar um surto de peste pneumônica na cidade portuária de Tamatave, na costa leste de Madagascar.

Profissionais internacionais de MSF estão apoiando equipes do Ministério da Saúde local para fornecer cuidados aos pacientes hospitalizados no centro de triagem e tratamento da doença. O centro especializado foi construído no início da semana, do lado de fora do hospital da cidade, por parceiros internacionais, incluindo MSF.

“A peste é compreensivelmente uma doença assustadora, mas uma ação rápida e eficaz pode reduzir drasticamente o número de mortes e pôr fim ao surto”, diz Luca Fontana, especialista em água e saneamento de MSF. “A peste pneumônica é tratável e os pacientes têm 100% de chances de recuperação completa quando o tratamento começa a tempo. Além disso, pessoas sob risco de infecção podem receber medicamentos profiláticos que os impedirão de ficar doentes. É por isso que MSF respondeu com ações concretas ao pedido de ajuda em Tamatave feito pelas autoridades”.

Além de tratar os doentes, os profissionais de MSF estão ajudando as autoridades locais a melhorar o sistema de triagem para a identificação rápida e o isolamento dos pacientes, e também está coordenando o sistema de ambulâncias na cidade de Tamatave. Especialistas em água e saneamento de MSF, ao lado de equipes locais, estão envolvidos em protocolos de higiene e desinfecção no hospital e na comunidade, para reduzir o risco da doença se espalhar mais.

A cidade portuária de Tamatave, também conhecida como Toamasina, tem cerca de 300 mil habitantes e uma das maiores concentrações de casos de peste pneumônica no país, com 261 casos e dez mortes desde o início do surto. Enquanto a peste bubônica é transmitida por pulgas infectadas por pequenos mamíferos, a peste pneumônica é transmitida entre humanos[1]. Madagascar registra casos de peste pneumônica todo ano em seu planalto central, onde a doença está presente em ratos, mas a cidade de Tamatave não tem um vetor animal natural, e não registrou nenhum caso de peste nos anos recentes.

Segundo dados oficiais, de 1º a 17 de outubro Madagascar registrou 1.032 casos de peste, incluindo 695 casos de peste pneumônica, e 89 mortes.

 

Innocente, de 33 anos, é médica em Madagascar. Ela foi infectada pela peste e curada no centro de tratamento da doença onde MSF está trabalhando atualmente, em Tamatave. A seguir, ela conta sua história.

 

Innocente, de 33 anos, é médica em Madagascar. Foto: Celine Ronquetti“Durante cinco dias, me senti muito cansada; sentia desconforto e dores de cabeça e no peito. Achei que estava sofrendo de angina. No dia 5 de outubro, tive um sintoma alarmante: comecei a cuspir sangue. Como havia feito um treinamento sobre peste pneumônica com alguns colegas, fui ao hospital de Tamatave para fazer alguns exames. Eu era claramente um caso suspeito e então me confirmaram que eu estava infectada pela peste. Eu tomei uma injeção e permaneci no hospital. Minha família entrou em pânico. No segundo dia, os sintomas começaram a desaparecer: glândulas inchadas, dores de cabeça etc. Como estava me sentindo melhor, comecei a ajudar a equipe médica aqui mesmo que ainda estivesse em recuperação. Havia muitos pacientes, muitos casos da peste na primeira semana da epidemia. Agora, os casos diminuíram. A equipe médica me recomendou tirar duas semanas de descanso. Não sei se minha família está preparada para minha volta. Eles dizem que sim, mas posso sentir que eles ainda têm medo de mim. Então, fico longe para que minha família fique em paz. Estou me sentindo otimista. Não quero viver com esse segredo: eu tive a peste e fui curada”.

 

 

 

[1] Todas as formas de peste – bubônica, pneumônica e septicêmica – são causadas pela bactéria Yersinia pestis. Para mais detalhes, consultar informações da OMS em http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs267/en/