Quatro regiões em que a seca está agravando as taxas de desnutrição

Escassez de água acentuada pela emergência climática impossibilita produção e cultivo de alimentos, diminuindo meios de subsistência da população e comprometendo a segurança alimentar.

Foto: Lucy Makori/MSF

A emergência climática já está afetando a saúde global. Quando há pouca água, não é possível cultivar e produzir alimentos. As secas aumentam a insegurança alimentar e a desnutrição. Por outro lado, o excesso de água pode gerar pragas e doenças que prejudicam as colheitas. O aumento do nível do mar, ao trazer água salgada para as áreas costeiras, torna a agricultura impossível, o que também afeta os sistemas de produção de alimentos.

Equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) atuam ao redor do mundo nos ambientes mais vulneráveis ao clima e observam os graves impactos da emergência climática em populações que já vivem em condições precárias devido a conflitos, deslocamentos, crises políticas e econômicas e falta de recursos. Estes são quatro exemplos recentes de regiões que enfrentam casos de desnutrição agravados pela seca:

1. Quênia

Foto: Lucy Makori/MSF

No nordeste do Quênia, uma seca contínua afeta a região após três temporadas consecutivas de pouca chuva, agravando uma situação já terrível de insegurança alimentar. Na área de Illeret, os casos de desnutrição têm aumentado porque as condições de saúde do gado estão se deteriorando devido à seca devastadora, resultando em menos produção de leite.

Em fevereiro de 2022, MSF realizou uma avaliação em cinco subcondados de Marsabit. O subcondado de North Horr, especificamente em Illeret, apresentou a pior situação de segurança alimentar e o maior número de crianças com desnutrição. Uma triagem em massa feita pelo Unicef em Marsabit, também em fevereiro, mostrou uma taxa global crítica de desnutrição aguda de 23%.

2. Somália e Somalilândia

Foto: Dahir Abdullahi/MSF

A Somália e a Somalilândia estão enfrentando uma de suas piores secas em décadas, após quatro temporadas de chuva ruins e uma invasão de gafanhotos que atingiu o Chifre da África, localizado no nordeste do continente africano. A seca e a insegurança contínua forçaram centenas de milhares de pessoas a se deslocar em busca de comida, água potável, abrigo e cuidados de saúde. Nossas equipes já estão vendo sinais extremamente angustiantes de desnutrição aguda entre as crianças.

“Somente em uma semana, admitimos quase 1 mil crianças em nosso programa de alimentação terapêutica ambulatorial em 20 centros diferentes na cidade de Baidoa”, diz Bakri Abubakr, coordenador do programa de MSF na Somália. Enquanto a seca piora, as pessoas no país também estão lutando contra um grande surto de sarampo. A escassez generalizada de água e a insegurança alimentar estão criando as condições necessárias para que doenças se espalhem rapidamente.

3. Etiópia

Foto: Njiiri Karago/MSF

MSF está testemunhando sinais alarmantes de uma crise nutricional mortal e crescente na região de Afar, na Etiópia. Centenas de milhares de pessoas que estão na região fugiram de conflitos recentes e estão lutando, junto com as comunidades locais, contra a seca, a fome e a impressionante falta de acesso a cuidados de saúde e água potável.

Desde abril, MSF está aumentando o suporte ao Hospital Dupti. Este ano, o número de crianças com desnutrição grave admitidas na unidade já excedeu o do ano anterior em três a quatro vezes. As taxas de mortalidade dos pacientes são incrivelmente altas. “Claramente, muitas pessoas em Afar não têm acesso aos níveis mínimos de saúde, alimentos e água necessários para sobreviver. Isso ocorre por uma combinação de conflitos recentes, deslocamento, falta de acesso a cuidados de saúde, escassez de alimentos e água, combinados com uma resposta humanitária insuficiente”, Raphael Veicht, coordenador de emergência de MSF em Adis Abeba, Etiópia.

4. Madagascar

Foto: Erwan Rogard/MSF

As pessoas no sul de Madagascar estão se recuperando dos efeitos de uma seca excepcionalmente severa que afetou gravemente as colheitas e o acesso aos alimentos. A seca também exacerbou a “estação de escassez” (período entre plantio e colheita) anual, resultando em uma crise alimentar e nutricional aguda, deixando milhares de crianças gravemente doentes e levando famílias inteiras à pobreza extrema.

“Estamos vendo crianças desnutridas lutando para recuperar o peso após semanas de tratamento em nossas clínicas móveis. O atendimento médico que prestamos e os alimentos terapêuticos que diferentes organizações vêm distribuindo não são suficientes para reverter a tendência em um ambiente com tão pouco acesso à comida”, disse o coordenador de programas de emergência de MSF, Bérengère Guais, em julho do ano passado. Como parte da resposta de emergência, MSF tratou mais de 11 mil crianças no sul de Madagascar entre março e dezembro de 2021.

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