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Iraque: inúmeros deslocados em Kirkuk sem ajuda essencial

05/12/2014
Mais de 180 mil pessoas estão abrigadas em condições precárias na cidade; Médicos Sem Fronteiras é a única organização médica internacional oferecendo serviços na área e pede assistência internacional imediata.

Milhares de pessoas fugindo da violência no Iraque estão desesperadas por comida, água, abrigo e ajuda médica, mesmo depois de chegarem a áreas do país acessíveis para organizações humanitárias, advertiu hoje a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Mais de 180 mil pessoas deslocadas refugiaram-se em Kirkuk, uma cidade multiétnica próximo à linha de frente do conflito, com constante influxo de recém-chegados. Muitas pessoas estão em abrigos precários, superlotados e sofrendo de doenças, incluindo infecções urinárias e torácicas, doenças de pele e anemia por causa, em parte, da falta de comida e água. MSF é a única organização médica internacional oferecendo serviços na área e pede por assistência internacional imediata em Kirkuk e em outras áreas onde pessoas deslocadas e vulneráveis podem ser alcançadas.

“Apesar dos desafios de segurança em Kirkuk, ainda é possível para organizações humanitárias trabalhar na cidade”, disse Fabio Forgione, coordenador-geral de MSF no país. “Mas vemos pouquíssima assistência internacional. A maior parte da ajuda vem de organizações locais e é amplamente insuficiente. Precisamos que organizações humanitárias internacionais ampliem seus esforços assim que possível.”

Mais de 2 milhões de iraquianos fugiram de suas casas este ano por causa do conflito armado. Muitos continuam em áreas diretamente afetadas pela violência e sem acesso à assistência humanitária. Além disso, aqueles que chegam às áreas mais segura são amplamente negligenciados. Governos locais e as comunidades que recebem deslocados estão batalhando para responder à emergência.

“Quando eu vim para Kirkuk eu me senti mais segura, e agora posso dormir”, disse uma mulher que fugiu de bombardeios em Beiji e está vivendo com sua família em uma construção inacabada de Kirkuk. “Mas ninguém veio até nós, com exceção do governador (de Kirkuk) e do Crescente Vermelho. Não vimos ninguém mais. Fizemos demandas, pedindo colchões, fogões, combustível, tapetes. Ninguém nos deu nada.”

Até agora, a resposta internacional tem se concentrado principalmente no Curdistão iraquiano, onde diversos acampamentos para pessoas deslocadas foram preparados. A maior parte dos fundos disponibilizados por doadores internacionais foi direcionada para a região e não para outras áreas acessíveis como Kirkuk.

“Más condições de vida e superlotação têm impacto direto sobre a saúde da população”, diz Forgione. “Depois de fugirem de violência terrível, as famílias precisam de ajuda humanitária básica para aliviar as dificuldades de seus deslocamentos. É incumbência da comunidade internacional prover isso.”

MSF atua em Kirkuk desde 2010 e desde julho ampliou rapidamente sua assistência à população deslocada, operando clínicas móveis em seis locais na cidade, concentrando esforços no atendimento de doenças crônicas, além de cuidados maternos e pediátricos. Desde julho, equipes de MSF realizaram 5.821 consultas médicas. A organização também está distribuindo 25 mil cobertores e mais de 3,7 mil kits com itens de higiene às famílias deslocadas em Kirkuk.

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