Gaza: MSF usa tecnologia 3D para tratar pacientes com queimaduras

Máscaras personalizadas ajudam na cicatrização e na prevenção de sequelas; maioria dos pacientes são crianças

Joud, de 4 anos de idade, vítima de queimaduras, recebe sua máscara 3D na clínica de MSF na Cidade de Gaza. ©Nour Alsaqqa/MSF

O que você vai ler: 

  • Médicos Sem Fronteiras produz máscaras personalizadas por meio de tecnologia 3D para tratar vítimas de queimaduras em Gaza; 
  • Há apenas dois scanners em toda a Faixa de Gaza, enquanto suprimentos médicos essenciais são impedidos de entrar no território; 
  • A maior parte dos atendidos são crianças. 

Com os repetidos ataques na Faixa de Gaza, o sistema de saúde recebe um grande número de pessoas com queimaduras graves. Para tratar os pacientes, Médicos Sem Fronteiras (MSF) utiliza máscaras de terapia de pressão, feitas por meio de impressão 3D. Desde 2020, MSF é a única provedora dessa tecnologia na região.

As próteses são fundamentais para a cicatrização e para prevenir sequelas que representam risco de comprometer a respiração, os movimentos e a função facial. No entanto, podem ser muito caras e geralmente são encontradas em tamanhos únicos.

Outros fatores como o tom de pele, o estilo de vida e a idade, interferem na forma como o design protético que mais beneficiará o paciente será feito. 

Nossas equipes tratam um número alarmante de queimaduras faciais graves na Cidade de Gaza. A maioria dos pacientes são crianças, que representam 85% das pessoas atendidas na clínica.

Salam, de 2 anos de idade, está entre as crianças que recebem máscaras 3D como parte do tratamento especializado. 

Khadija com sua filha, Salam, durante um atendimento na clínica de MSF na Cidade de Gaza. ©Nour Alsaqqa/MSF

A menina usa uma máscara personalizada impressa em 3D para tratar as queimaduras faciais graves que sofreu há um ano. Um ataque aéreo israelense nas proximidades da Cidade de Gaza causou um tremor no abrigo onde sua família vivia, fazendo com que uma panela de cozinha caísse sobre o rosto de Salum.

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Suprimentos médicos essenciais não chegam na Faixa de Gaza 

A violência generalizada transformou a vida dos palestinos na Faixa de Gaza. Mesmo com um cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025, ataques indiscriminados continuam acontecendo em toda a Faixa de Gaza, impedindo, por exemplo, que pessoas acessem cuidados de saúde adequadamente.

As autoridades israelenses também anularam o registro de MSF para atuar na Palestina, juntamente com outras 37 organizações não-governamentais, em 3 de dezembro de 2025.

Isso tem nos impedidos de enviar suprimentos para a região, incluindo o filamento, um material essencial para criação das máscaras 3D personalizadas, que fazem diferença para pessoas como Joud, de 4 anos de idade.

Joud sofreu queimaduras graves em julho de 2024, quando a escola onde sua família se refugiava foi atingida por um ataque israelense, que também matou a mãe do menino.

Mohammed Qatrawi, coordenador de fisioterapia de MSF, brinca com Joud, paciente e vítima de queimadura em Gaza. ©Nour Alsaqqa/MSF

Restam apenas dois scanners 3D funcionando em toda a Faixa de Gaza. Caso os aparelhos apresentem qualquer defeito, não há peças para reposição, porque sua entrada no território está bloqueada.

Apelamos para todas as autoridades competentes que tomem medidas imediatas para permitir a entrega de suprimentos médicos, equipamentos e peças de reposição em Gaza.

A situação é desumana. A população palestina não pode mais suportar tanto sofrimento.

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