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Cinco ataques recentes contra instalações de saúde que afetaram as atividades de MSF

29/07/2021
Ataques forçam a suspensão das atividades médicas e restringem seriamente o acesso das pessoas aos cuidados de saúde.
Cinco ataques recentes contra instalações de saúde que afetaram as atividades de MSF

Foto: Frederic Bonnot/MSF

Ataques contra instalações e profissionais de saúde, sejam deliberados ou indiscriminados, lamentavelmente, fazem parte da violência generalizada e das atrocidades cometidas contra civis em conflitos armados.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) se empenhou para que os Estados garantissem que a prestação de cuidados médicos em ambos os lados da linha de frente dos conflitos fosse protegida. O que levou à aprovação da Resolução 2286 do Conselho de Segurança da ONU (CSNU), em maio de 2016, foi a destruição do centro de trauma de MSF em Kunduz, em 2015, e os ataques devastadores às instalações de saúde na Síria e no Iêmen, em 2016.

Hoje, cinco anos desde que a resolução foi aprovada, pouco mudou para aqueles que estão no terreno em zonas de guerra. Hospitais, profissionais médicos e agentes humanitários continuam a ser ameaçados e alvos de conflitos. Os Estados devem esclarecer e reafirmar seu compromisso de proteger feridos e doentes e aqueles que os tratam.

Confira cinco ataques recentes contra profissionais e instalações de saúde em alguns contextos de conflitos onde MSF atua:

1 - República Centro-Africana (RCA)

Foto: Adrienne Surprenant/Collectif Item for MSF

Ataques implacáveis a pacientes, equipes de saúde e instalações médicas na RCA durante um aumento da violência em todo o país estão forçando a suspensão das atividades médicas de MSF e restringindo seriamente o acesso das pessoas aos cuidados de saúde. Nossas equipes testemunharam dezenas de instalações de saúde saqueadas, danificadas e ocupadas por homens armados. As incursões armadas em hospitais expuseram os pacientes à violência, abuso físico, interrogatório e prisão. Agentes de saúde comunitária em áreas rurais foram ameaçados e agredidos, enquanto motociclistas que entregavam medicamentos vitais e transportavam pacientes feridos e doentes para o hospital foram agredidos, feridos e roubados à mão armada.

“Infelizmente, não é novidade que a violência afeta a assistência médica na RCA. A multiplicidade de grupos armados e os combates ativos causaram uma situação muito ameaçadora que afeta também áreas que antes eram consideradas relativamente estáveis e restringe ainda mais o acesso à saúde para uma população que já luta para obter o básico”, disse Rhian Gastineau, coordenador-geral de MSF no país.

2 – Haiti

Foto: Guillaume Binet/MYOP

Embora o Haiti seja assolado pela violência por muito tempo, a situação de insegurança tem se agravado nos últimos anos. As instalações de saúde não são mais poupadas, e nossas atividades médicas foram interrompidas por uma sequência de incidentes críticos.  

Em fevereiro, um hospital de MSF dedicado ao tratamento de queimaduras graves no distrito de Drouillard teve que ser fechado porque o local estava literalmente cercado por confrontos. Os cerca de 20 pacientes ainda no hospital tiveram que ser transferidos, e o hospital ainda não foi reaberto. Somente mantivemos lá um posto médico avançado para poder estabilizar e encaminhar os feridos ou vítimas de queimaduras. No mês passado, uma explosão de violência no bairro Martissant colocou em risco os profissionais do centro de emergência de MSF. Por vários dias, a equipe médica teve que cuidar dos feridos enquanto se protegia de balas perdidas, e uma de nossas ambulâncias foi roubada. No dia 26 de junho, a instalação foi alvo de disparos e finalmente foi evacuada para não expor ainda mais os pacientes e as nossas equipes.

Além desses episódios extremos, a violência cotidiana é o que ameaça a todos. Quando saímos às ruas, nossas equipes de saúde, assim como a população, vivem com medo de balas perdidas ou roubos. Um profissional de MSF que trabalhava em Tabarre foi assassinado no dia 25 de maio por homens armados depois de ter terminado seu dia no hospital enquanto estava a caminho de casa.

3 - República Democrática do Congo (RDC)

Foto: Ministry of Health, DR Congo

O Hospital Geral de Boga apoiado por MSF na RDC foi alvo de um ataque deliberado no dia 07 de julho, em um contexto de confrontos em curso na cidade. Estima-se que doze pessoas foram mortas, incluindo dez civis, e o hospital foi completamente destruído. Estamos profundamente indignados com este ataque, que terá terríveis consequências a longo prazo para as mais de 80 mil pessoas que dependiam dele. Este ataque incrivelmente violento impede agora o hospital de Boga de funcionar e prestar cuidados às pessoas em condições vulneráveis. Centenas de crianças que sofrem de desnutrição não terão mais acesso ao programa de nutrição terapêutica e milhares de pessoas ficam sem acesso a cuidados de saúde.


“Tudo se transformou em fumaça em questão de horas, ao mesmo tempo em que nunca deixamos de repetir a importância vital dessa instalação para os habitantes da região. Os hospitais em zonas de conflito devem permanecer como espaços neutros e protegidos. Todos os envolvidos nos conflitos em Ituri devem respeitar a ação humanitária dos pacientes e profissionais de saúde”, afirma Frédéric Lai Manantsoa, coordenador-geral de MSF na RDC.

4 - Etiópia

Foto: Claudia Blume/MSF

De acordo com equipes de MSF, em março deste ano, instalações de saúde na região de Tigré foram saqueadas, vandalizadas e destruídas em um ataque deliberado e generalizado à saúde. Das 106 unidades de saúde visitadas por equipes de MSF entre meados de dezembro e início de março, quase 70% foram saqueadas e mais de 30% danificadas; apenas 13% estavam funcionando normalmente. Hospitais também foram ocupados por atores armados, limitando ainda mais o acesso a cuidados médicos para civis, que são obrigados a se deslocar para outros locais em busca de serviços que frequentemente são muito distantes ou não estão disponíveis.

Mais recentemente, no dia 24 de junho, nossos colegas María, Yohannes e Tedros foram brutalmente assassinados, na região de Tigré, e as circunstâncias de suas mortes permanecem obscuras. MSF pede uma investigação imediata sobre os assassinatos e exige que os agentes humanitários sejam permitidos a fazer seu trabalho com segurança. Em resposta aos assassinatos, MSF anunciou a suspensão de suas atividades em Abi Adi, Adigrat e Axum, na região central e no leste de Tigré.

5 - Gaza

Ataques aéreos e bombardeios mataram mais de 200 pessoas e feriram mais de mil, em Gaza, entre 10 e 21 de maio. Em um período de apenas 11 dias, muitas pessoas tiveram suas casas e suas vidas destruídas. Nossa clínica também foi bombardeada, com uma área de espera danificada e uma sala de esterilização inutilizável. A clínica de MSF teve que ser temporariamente fechada, deixando muitos dos nossos pacientes sem acesso a cuidados médicos urgentes. Um membro da equipe de MSF que estava presente descreveu uma cena de terror absoluto, com grandes explosões abalando a vizinhança e mulheres e crianças correndo para a rua, gritando e chorando.





 

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