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MSF pede uma investigação imediata dos assassinatos de três membros da organização em Tigré e segurança para os agentes humanitários na Etiópia

07/07/2021
María, Yohannes e Tedros foram brutalmente assassinados no fim de junho. Quase duas semanas desde o assassinato de nossos colegas, ninguém assumiu a responsabilidade e as circunstâncias de suas mortes permanecem obscuras.
MSF pede uma investigação imediata dos assassinatos de três membros da organização em Tigré e segurança para os agentes humanitários na Etiópia

Foto: MSF

Barcelona, 5 de julho de 2021 - Após o assassinato brutal de três de seus profissionais na região Tigré, Etiópia, no dia 24 de junho, Médicos Sem Fronteiras (MSF) pede uma investigação imediata sobre os assassinatos e exige que os agentes humanitários sejam permitidos a fazer seu trabalho com segurança. Em resposta aos assassinatos, MSF anuncia a suspensão de suas atividades em Abi Adi, Adigrat e Axum, na região central e no Leste de Tigré. As equipes de MSF em outras áreas de Tigré continuarão cautelosamente a fornecer assistência às pessoas com necessidades urgentes.

“Quase duas semanas desde o assassinato de nossos colegas, ninguém assumiu a responsabilidade e as circunstâncias de suas mortes permanecem obscuras”, disse a diretora de operações de MSF, Teresa Sancristoval. “É por isso que estamos solicitando uma investigação imediata das partes relevantes para estabelecer os fatos do incidente que resultou em suas mortes e nos fornecer um relato detalhado do que aconteceu e quem foi o responsável. Neste momento terrível, tomamos a decisão extremamente dolorosa, mas necessária, de suspender nossas atividades em várias áreas de Tigré. ”

Profissionais usavam identificação

Os três membros da equipe de MSF que foram assassinados usavam roupas que os identificavam como parte da organização e viajavam em um veículo claramente sinalizado com a marca de MSF. Eles estavam atuando na região desde fevereiro de 2021, onde se envolveram exclusivamente em atividades médicas e humanitárias, em alinhamento com o Direito Internacional Humanitário e em diálogo e acordo com todas as partes.

“O assassinato de nossos colegas - María, Tedros e Yohannes - é um exemplo trágico do completo desprezo pela vida humana que nossas equipes testemunharam neste conflito”, diz Sancristoval. “Os níveis de violência contra civis e as atrocidades cometidas em Tigré são absolutamente chocantes. ”

Desde o início do conflito em Tigré, em novembro de 2020, equipes médicas e agentes humanitários têm sido diretamente afetados, enquanto instalações de saúde e ambulâncias foram saqueadas, destruídas ou exploradas para fins militares. Profissionais de MSF foram ameaçados, espancados e testemunharam incursões armadas em unidades de saúde apoiadas pela organização. Algumas organizações de ajuda humanitária, incluindo MSF, têm sido constantemente prejudicadas por declarações públicas que levantam suspeitas injustificadas sobre suas atividades, colocando em risco a segurança de suas equipes no local.
 
Se MSF e outras organizações de ajuda humanitária continuarem trabalhando em Tigré e no resto da Etiópia, todas as partes no conflito devem oferecer garantias de que o trabalho pode ser realizado com segurança, diz Sancristoval.

“As partes no conflito devem assumir a responsabilidade de garantir que um incidente como o assassinato de nossos colegas nunca aconteça novamente”, diz ela. “É vital que os agentes humanitários e a equipe médica possam realizar suas atividades com segurança em um ambiente de confiança e facilitação. As organizações humanitárias devem poder prestar assistência, de forma independente e imparcial, de acordo com as necessidades das pessoas.”

Suspensão de atividades em Abi Adi, Adigrat e Axum

A suspensão das atividades de MSF em Abi Adi, Adigrat e Axum terá grandes repercussões médicas e humanitárias para a população na região central de Tigré. Nos últimos seis meses, as equipes de MSF nessas três áreas forneceram tratamento médico de emergência para 9.440 pessoas; realizaram 763 cirurgias que salvaram vidas; admitiram mais de três mil pessoas para internação; ajudaram mais de 3.300 mulheres a dar à luz; realizaram 365 cesarianas de emergência; forneceram assistência médica para 335 sobreviventes de violência sexual; e forneceram apoio de saúde mental a 1.444 pessoas.

Antes de suspender suas atividades, as equipes de MSF doaram suprimentos médicos para o Escritório Regional de Saúde e para hospitais que continuam sobrecarregados com o grande número de pacientes que necessitam de cuidados.

"A decisão de suspender nossas atividades deixará uma lacuna no fornecimento de cuidados de saúde vitais", diz Sancristoval. “Sabemos que inúmeros pacientes ficarão sem atendimento e alguns deles morrerão; sabemos que o peso sobre o pouco que resta do sistema de saúde será devastador. Nossas equipes devem ter permissão para fornecer assistência humanitária em resposta às necessidades de segurança das comunidades afetadas pela crise. ”

 

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