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De malas prontas

19/07/2013

19 de Julho de 2013 - Maputo, Moçambique

Olá pessoal, espero que estejam todos bem.

Hoje estou escrevendo meu último diário de bordo. Isso mesmo: minha participação neste projeto vai acabar em breve.

O trabalho aqui em Moçambique é intenso e lento ao mesmo tempo. Nesse finalzinho de trabalho dá uma vontade imensa de ver tudo pronto e todos os planos realizados, mas as coisas não funcionam bem assim.

O trabalho aqui é multilateral e depende de muitos fatores para se efetivar. Contudo, estou feliz por deixar algumas conquistas marcantes para a história do projeto de Médicos Sem Fronteiras na cidade de Maputo: a descentralização do serviço de atendimento a pessoas vivendo com vírus HIV, por exemplo, foi uma grande conquista! A descentralização foi a expansão do serviço de atendimento de saúde para os centros de saúde da cidade, facilitando o acesso daqueles que tinham dificuldades para receber assistência. A implementação dessa grande iniciativa levou muito tempo para se concluir, mas valeu muito à pena. A demora na conclusão garantiu uma descentralização mais organizada e de melhor qualidade. Hoje, 28 unidades sanitárias da cidade de Maputo oferecem serviço de atendimento relacionado a HIV/AIDS, incluindo o tratamento.

O atendimento das pessoas co-infectadas com tuberculose e HIV também evoluiu. Hoje o paciente pode receber as duas consultas no mesmo local. É o que chamamos aqui de “Paragem Única”.

No momento, estamos em processo de favorecer também os pacientes em tratamento de tuberculose multirresistente. Esse é um tipo de tuberculose mais grave, que exige um tratamento mais longo. Estamos em processo de expandir o número de unidades que oferecem esse tratamento. O processo exige muita dedicação, treinamento de pessoal, preparação das estruturas físicas, entre outros.

Além disso, queremos também implementar, ainda este ano, o teste de carga viral, para detectar a quantidade de HIV presente no sangue das pessoas que vivem com o vírus. O Brasil já faz esse teste de maneira regular, mas Moçambique ainda não. Esse teste ajuda muito no acompanhamento da pessoa infectada e na avaliação clínica para que ela não adoeça, por meio de medidas tomadas pelo clínico após a realização do exame.

O trabalho com MSF é assim. Realizamos nossas atividades até o fim de nossa participação no projeto e, então, outro colega chega para continuar o trabalho pelo período da participação dele. Por isso, é também importante deixar tudo organizado para que o substituto consiga se adequar o mais rápido possível.

Muito obrigada aos leitores que acompanharam esse diário de bordo.

Fiquem bem e até a próxima!