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Conhecendo Bangui, na República Centro-Africana

Arquiteta brasileira descreve as primeiras impressões ao pisar em terras centro-africanas
07/10/2015

5 de setembro de 2015

Cheguei a Bangui, capital da República Centro-Africana (RCA). O caminho até aqui foi longo. Saí do Rio em direção a Bruxelas, para ter algumas reuniões no escritório operacional de MSF na cidade. De Bruxelas, parti rumo à RCA, com parada em Casablanca e Duala. Por sinal, minha mala decidiu tirar férias em uma dessas duas cidades. Espero que ela esteja curtindo a viagem, mas que saiba que tem compromissos em Bangassou! Bangui é uma cidade propriamente dita. Como capital do país, é aqui que está concentrada a maior parte da população. Passei apenas três dias em Bangui, para ter algumas reuniões enquanto esperava o próximo voo disponível para Bangassou, e é difícil de descrever a cidade, mas algumas coisas me marcaram nesse pouco tempo. A sensação mais estranha era a dúvida se um lugar havia sido destruído ou estava em construção. Por todo canto, é possível encontrar vários prédios com uma boa estrutura, construídos com tijolos e telhados de telha metálica, porém abandonados. As vias principais são asfaltadas, porém cobertas de terra, e o fluxo de carros e motos é grande. É estranho ver tantos carros de tantas ONGs diferentes circulando em uma única cidade. O comércio muitas vezes está organizado na beira dessas vias, em pequenas barracas de madeira. Muito semelhante à estrutura dos nossos “camelódromos”.

Apesar de toda a dificuldade, o povo é simpático e atencioso. Quando dizia que era do Brasil então, recebia um sorriso de orelha a orelha! No domingo, tive a incrível oportunidade de fazer um passeio pelo rio Mbomou que fica entre a RCA e a República Democrática do Congo e acabei conhecendo uma pequena aldeia próxima a Bangui, onde tive meu primeiro contato com a cultura mais tradicional. Construções tipo cabanas, cobertas com palha. Comida sendo feita em fogueiras no chão. Achei super curioso quando vi um menino, de dois anos mais ou menos, com um “celular” feito de argila. Ele me deu o telefone e, da mesma forma como fazia com meu sobrinho em casa, brincamos de falar ao telefone. Eu dizia alô e ele respondia. As crianças são sempre a minha paixão! Sempre que passamos por uma elas, fazem questão de acenar, cumprimentar. Um sorriso lindo no rosto e prontas para brincar.

Agora, estou no aeroporto de Bangui aguardando o voo para Bangassou. Finalmente, depois de tanto tempo, vou conhecer minha casa pelos próximos seis meses.

Bjs,

Vivi