Doença de Chagas

Médicos Sem Fronteiras (MSF) atende pacientes com doença de Chagas desde 1999. Atualmente, realiza projetos na Bolívia, mas já levou ajuda para pacientes com Chagas na Guatemala, em Honduras, na Nicarágua, no México e no Brasil.

A doença de Chagas ou tripanossomíase americana é causada pelo Trypanosoma cruzi. As formas de transmissão de maior importância epidemiológica são a vetorial através de insetos hematófagos, os triatomíneos (barbeiros), a transfusional, a congênita e a oral. No continente americano, apenas em 2006 ocorreram 12,5 mil óbitos atribuídos a esta doença, 41,2 mil novos casos foram diagnosticados e a prevalência estimada está entre 15 e 18 milhões de infectados, com cerca de 40 milhões de pessoas dispersas por 21 países expostas ao risco de infecção.

A doença de Chagas deve ser considerada um problema de saúde a nível mundial, tendo em vista que a globalização com os movimentos populacionais aumentam o potencial de dispersão para países não endêmicos onde não é feita a triagem em bancos de sangue, elevando o risco de transmissão transfusional, congênita e por transplantes de órgãos.

Os portadores crônicos podem permanecer décadas sem manifestar sintomas, o que dificulta o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado. Atualmente só é preconizado o tratamento para casos agudos ou crônicos quando diagnosticado em adultos jovens. Existem grandes desafios para a determinação da cura parasitológica associada à eficácia terapêutica, sendo prioritário o desenvolvimento de novos métodos de avaliação bem como de drogas mais efetivas e formulações pediátricas ainda não disponíveis.

As equipes de MSF na América Latina procuram mostrar que, com um acompanhamento semanal, a medicação pode ser mais eficaz do que se espera, com efeitos colaterais administráveis. No entanto, é necessária uma significativa captação de fundos junto à comunidade internacional para apoiar os programas de combate à doença na América Latina. Além disso, a produção e a distribuição dos únicos remédios existentes (Nifurtimox e Benzonidazol) têm que ser garantidas, e uma versão pediátrica desenvolvida. MSF também pede o desenvolvimento de novos testes para diagnóstico e um tratamento mais eficaz.

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