Eixos de atuação

Conflitos Armados

Mais da metade dos programas de MSF é destinada a vítimas de conflitos armados e instabilidade interna. A organização presta assistência a feridos em zonas de guerra em cerca de 25 países, dentre eles República Democrática do Congo, Haiti, Somália, Chechênia, Iraque, Colômbia.

Também fazem parte do trabalho da organização cuidados médicos e cirúrgicos a refugiados e deslocados internos que estejam temporariamente instalados em abrigos ou campos de refugiados.

Em locais como Chade, Colômbia, Sudão e Somália, a instituição está presente com campanhas de vacinação e projetos de saneamento, provendo auxílio médico em clínicas fixas ou móveis, construindo ou reabilitando hospitais, tratando a desnutrição e doenças infecciosas e oferecendo cuidados de saúde mental, quando necessário.

A equipe de MSF em campo também pode providenciar abrigos e suprimentos básicos como cobertores, lâminas de plástico e utensílios de cozinha a quem tenha sido removido de suas casas e não encontre meios de subsistência.

Refugiados: conflitos armados e outras situações de tensão causam grande deslocamento populacional. Em geral, as pessoas fogem da violência ou de perseguições, integrando, assim o quadro de refugiados: civis que, não mais recebendo proteção de seu governo, cruzam a fronteira de seus países para escapar de conflitos.

Refugiados são protegidos por leis internacionais. De acordo com o Estatuto dos Refugiados, adotado em 1951, são pessoas que, "com legítimo medo de perseguição por razões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um grupo social ou opinião política, estão fora da nacionalidade de seus países e estão inaptas ou, devido ao medo, indispostas a aproveitar-se da proteção de seu país".

Desde então, essa definição vem sendo aceita tanto por vias oficiais, quanto por informais. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), órgão responsável por essa parcela da população, estendeu a definição, incluindo pequenos ou grandes grupos em fuga coletiva da insegurança ou da guerra, ao invés de tratar cada caso individualmente.

Deslocados internos: é como se denomina uma pessoa em fuga domiciliar por causa de conflitos, mas que não cruzou a fronteira internacional. Logo, permanecendo sob jurisdição das autoridades locais, esse indivíduo não é considerado um refugiado e não obtém benefício de nenhuma proteção especial dentro das leis internacionais.

Epidemias

MSF tem experiência em responder a manifestações epidêmicas de cólera, meningite, sarampo, malária e outras doenças infecciosas que se espalham rapidamente.

Ao longo das últimas décadas, MSF também tem combatido epidemias devastadoras como o HIV/Aids e a tuberculose, além de doenças negligenciadas como leishmaniose, doença do sono e de Chagas - males que afetam em sua maioria os mais pobres e para os quais há poucas opções efetivas de tratamento.

A organização se preocupa em levar os melhores cuidados médicos possíveis aos seus pacientes. Através da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais (CAME), MSF estimula a melhoria do acesso às ferramentas de pesquisa de novos medicamentos para doenças negligenciadas, assim como testes para diagnósticos e vacinas.

MSF também chama atenção para as necessidades dos soropositivos, aperfeiçoando tratamentos e diagnósticos para a tuberculose, doença que mais mata portadores do vírus HIV e para a qual não há avanços de pesquisa desde 1960.

Em 1999, MSF co-fundou a Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, ou Drugs for Neglected Diseases initiative, no original em inglês), envolvendo pesquisadores, médicos e empresas farmacêuticas na busca por alternativas para o desenvolvimento de remédios. O estímulo à pesquisa e aos estudos é a prioridade do DNDi. Em 2007, a iniciativa foi responsável pela formulação do ASAQ, medicamento bastante eficaz no tratamento contra a malária.

Desnutrição

A desnutrição está associada à metade das mortes de crianças com menos de cinco anos. Quando uma pessoa sofre de desnutrição, o sistema imunológico fica comprometido, e doenças banais como gripe e gastrenterite podem levar à morte. A patologia é causada pela falta de nutrientes básicos na alimentação, e que muitas vezes não fazem parte dos alimentos distribuídos em situações emergenciais.

Em 2007, mais de 122 mil crianças severamente desnutridas foram tratadas em intervenções nutricionais de Médicos Sem Fronteiras. Também foram atendidas cerca de 64 mil crianças com desnutrição moderada. No combate à desnutrição, MSF utiliza alimentos nutritivos terapêuticos e prontos para usar (Ready-to-Use Therapeutic Food, RUTF na sigla em inglês). São leites terapêuticos e pastas enriquecidas especialmente elaboradas para expandir o potencial nutricional das refeições.

Esses alimentos incluem todos os minerais, vitaminas e nutrientes necessários ao rápido crescimento de uma criança, e ainda trazem a vantagem de um fácil transporte. Resultado: mais crianças tratadas e uma eficácia sem precedentes no combate à desnutrição.

A desnutrição leva a morte cerca de 5 milhões de crianças por ano. Em apenas um dia, 20 milhões delas sofrem de desnutrição aguda severa, de acordo com o UNICEF.

O uso de alimentos terapêuticos em grande escala teve início em 2005, no Níger. MSF tratou 63 mil crianças gravemente desnutridas e obteve índices de cura de aproximadamente 90%. O resultado encorajou a organização a iniciar o tratamento da desnutrição moderada com RUTF, no lugar da farinha misturada enriquecida, utilizada até então nesse tipo de tratamento.

Atualmente, a Organização Mundial de Saúde e o UNICEF recomendam o uso prévio do RUTF como forma de prevenção e combate da desnutrição aguda severa.

Desastres Naturais

Desastres naturais podem afetar severamente a estrutura de saúde de uma região ou país em questão de minutos. Por isso, MSF está sempre a postos para intervir, com a rapidez necessária por contar com projetos e missões em diversas partes do mundo. Foi assim quando um terremoto atingiu o sul da China, em 2008, e um furacão passou pela região da Caxemira, na Índia e Paquistão, em 2005, além da grande tsunami no sudeste asiático, em 2004.

Em situações de catástrofe, MSF leva ajuda médica de emergência, apoiando os serviços locais. A organização trabalha tanto em hospitais e clínicas já estabelecidos como montando estruturas provisórias em áreas de difícil acesso. Ações preventivas contra possíveis epidemias são postas em prática, e itens de ajuda humanitária como abrigos e alimentos podem ser distribuídos.

Exclusão de Cuidados de Saúde

Mesmo em países e regiões onde não ocorram conflitos, algumas pessoas acabam excluídas do sistema de saúde por razões sociais. São, em geral, moradores de rua, migrantes, refugiados, populações que vivem em áreas de vulnerabilidade social, grupos étnicos e outras minorias que acabam expostas à violência e a doenças contagiosas.

Muitas vezes, temendo o estigma imposto pela sociedade, há também relutância na busca por ajuda ou o próprio sistema de saúde negligencia essa parcela da população.

Em programas de combate à exclusão, MSF providencia cuidados médicos, sociais e psicológicos às vítimas e dialoga com a sociedade civil e com governos locais e nacionais por melhorias na assistência e na aceitação desses pacientes. Faz parte da missão de MSF alertar para a situação enfrentada por essas pessoas.

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