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Tuberculose

A tuberculose (TB) é uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo. A cada ano, cerca de 1,5 milhão de pessoas morrem, enquanto outros 9,6 milhões sofrem com a doença, principalmente em países em desenvolvimento.

Médicos Sem Fronteiras combate a tuberculose há mais de 30 anos. Nós oferecemos tratamento para a doença em muitos contextos diferentes, desde situações de conflitos crônicos até pacientes vulneráveis em contextos estáveis.

A TB é frequentemente vista como uma doença do passado, mas um recente ressurgimento e a proliferação de cepas resistentes a medicamentos fazem dela um grande problema da atualidade. Hoje, a tuberculose é uma das três doenças infecciosas que mais mata, junto com a malária e o HIV/Aids.

Ainda que a taxa de mortalidade global tenha tido uma redução de 47% entre os anos de 1990 e 2015, ainda existem lacunas importantes na cobertura e deficiências graves quando se trata de diagnóstico e opções de cuidados.

Além disso, estamos observando um aumento alarmante do número de casos de tuberculose resistente (TB-DR) e multirresistente (TB-MDR) a medicamentos, que não respondem aos remédios de primeira linha usuais.

A tuberculose (TB) é a doença que mais mata pessoas que vivem com HIV na África. Quase 500 mil pessoas desenvolvem cepas resistentes a medicamentos da doença a cada ano.

MSF combate a tuberculose há mais de 30 anos, oferecendo tratamento para a doença em muitos contextos diferentes, desde situações de conflitos crônicos, como o Sudão, até pacientes vulneráveis em contextos estáveis, como Uzbequistão e a Federação Russa. Nós pedimos mudanças urgentes e imediatas no diagnóstico e no tratamento da tuberculose resistente a medicamentos.

O que causa a tuberculose?

A doença tuberculose é causada por uma bactéria (Mycobacterium Tuberculosis) que se espalha pelo ar quando pessoas infectadas tossem ou espirram.

Ela afeta com mais frequência os pulmões, mas pode infectar qualquer parte do corpo, incluindo os ossos e o sistema nervoso.
 
A maioria das pessoas expostas à TB nunca desenvolvem os sintomas, já que a bactéria pode viver na forma inativa dentro do corpo. Entretanto, se o sistema imunológico enfraquecer, como acontece com pessoas desnutridas, pessoas HIV-positivo ou idosas, a bactéria da tuberculose pode se tornar ativa.
 
Cerca de 10% das pessoas infectadas com a bactéria vão desenvolver a forma ativa e contagiosa da doença em algum ponto de suas vidas.
 
Sintomas da tuberculose

Os sintomas da tuberculose incluem:

•    Tosse persistente;
•    Febre;
•    Perda de peso;
•    Dores no peito;
•    Falta de ar, que pode levar à morte.

Entre as pessoas que vivem com HIV, a incidência de TB é muito maior e a doença é a principal causa de morte.
 
Diagnóstico da tuberculose

Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) voltados para novas e mais eficientes ferramentas de diagnóstico e medicamentos para tuberculose estão em falta há décadas.
Em países onde a doença é mais prevalente, diagnósticos dependem, em sua maioria, do mesmo teste arcaico utilizado nos últimos 120 anos: a microscopia do esfregaço, exame microscópico do catarro, ou fluido do pulmão, para identificar os bacilos da TB. O teste só é exato em metade dos casos e a efetividade é ainda menor se os pacientes testados viverem com o vírus HIV. Isso significa que muitos pacientes iniciam o tratamento da tuberculose tardiamente, se é que um dia conseguem começar.
 
Crianças, que frequentemente não conseguem produzir escarro, precisam urgentemente de novas ferramentas de diagnóstico, principalmente por serem particularmente vulneráveis à morte se desenvolverem a forma ativa da doença.

Um novo e promissor e  teste de diagnóstico, o Xpert MTB/RIF, foi introduzido em 2010 e tem sido utilizado em muitos programas de MSF desde então. Não é aplicável em todos os contextos, assim como não é efetivo para diagnóstico de crianças ou de pacientes nos quais a tuberculose ocorre fora dos pulmões (tuberculose extrapulmonar). Por isso, MSF continua pressionando por mais investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para diagnóstico e tratamento de TB.

Como tratar a tuberculose?

O curso do tratamento para tuberculose sem complicações leva, no mínimo, seis meses. Na maior parte dos casos, o tratamento é feito com dois antibióticos poderosos de primeira linha – rifampicina e isoniazida.

Quando os pacientes são resistentes a esses antibióticos, considera-se que eles tenham desenvolvido a TB-MDR, tuberculose multirresistente a medicamentos.

•    A TB-MDR não é impossível de tratar, mas o tratamento é complicado, pois exige a ingestão de grande quantidade de medicamentos;

•    O tratamento pode levar até dois anos e causar diversos efeitos colaterais graves, como, por exemplo, a surdez. Além do tratamento ser muito caro, a taxa de cura também é baixa;

•    Ela afeta cerca de 480 mil pessoas e, ainda assim, apenas 30% dos pacientes com esse tipo da doença são diagnosticados e tratados;
•    Em 2012, foi lançado o primeiro medicamento contra tuberculose em mais de 50 anos, a bedaquilina, que representava uma oportunidade de aumentar a taxa de cura da TB-MDR;

•    Em 2014, um segundo medicamento, a delamanida, também foi aprovado para uso.

•    Porém, até hoje, menos de mil pessoas no mundo todo tiveram acesso aos novos medicamentos, ou seja, apenas uma fração dos pacientes que necessitam urgentemente deles.

A tuberculose ultrarresistente, TB-XDR, é identificada quando a resistência aos medicamentos de segunda linha se desenvolve durante a TB-MDR, e tem menos de 20% de chance de cura.

•    Os pacientes sofrem com a falta de ferramentas para diagnóstico precoce da doença e os tratamentos disponíveis são limitados, devido às poucas alternativas em termos de remédios para tratá-la;

•    Informações de MSF apontaram resultados promissores com base no uso de um antibiótico de alta resistência, chamado linezolida, como parte do regime para TB-XDR;

•    A linezolida não está amplamente disponível em alguns países, pois é extremamente cara e foi patenteada. Além disso, o produto disponível não está registrado como tratamento para tuberculose, o que dificulta o acesso por meio dos estabelecimentos públicos.

Em muitos lugares onde trabalhamos, supervisionar todos os pacientes com tuberculose durante seus tratamentos é quase impossível. É preciso oferecer monitoramento médico e psicossocial adequados, com suporte à adesão ao tratamento e acompanhamento dos efeitos colaterais.

Em 2015, MSF admitiu 18.100 pacientes para tratamento de primeira linha de TB e 2 mil para tratamento de segunda linha de TB-MDR.

Esta página foi atualizada em agosto de 2016.