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Vivendo a guerra na Síria: MSF trata menina de 9 anos

15/03/2013
Mãe da criança fala sobre o ferimento e a realidade que elas, e tantas outras pessoas, estão enfrentando no país

Um estilhaço de bomba feriu a cabeça da garota, e o ferimento é grande. Ela está, também, com um dedo fraturado, que foi costurado, o que nunca deve ser feito quando se trata de ferimentos de guerra, como conta o médico de MSF: “Nós removemos os pontos e um pedaço de estilhaço que ainda estava ali, limpamos o ferimento e fizemos o curativo. Colocamos também uma tala no dedo dela. Se tudo correr bem, ela vai ser liberada hoje mesmo, mas teremos de encontrar algum outro lugar que ela possa ir para substituir o curativo”.

Abaixo, a mãe de menina conta sua história:

“No sábado, era possível ouvir tiros perto de nossa casa. Uma parede ruiu completamente e minha filha foi atingida na cabeça. Levei-a até o hospital de campo na cidade vizinha, porque não há posto de saúde em nosso vilarejo. Felizmente, pude encontrar um carro, porque não há ambulâncias onde estamos. O hospital estava instalado em uma espécie de sótão e todas as pessoas feridas vão até lá para receber cuidados médicos. Eles puderam apenas conter o sangramento de minha filha e suturar a ferida. Eu queria que eles fizessem um raio-x, mas eles não dispunham do equipamento adequado. Minha filha está, também, com o dedo quebrado, mas meu filho de cinco anos está bem.

Você ouve tiros o tempo todo, dia e noite. Ora são helicópteros, ora aviões de guerra... Quase todos fugiram para o vilarejo; não há mais gás, eletricidade, água, pão, telefone. Não há nada mais com o que se possa viver. Não é mais possível viver ali.

Em termos de comida, só restou nosso estoque reserva. Não recebo meu salário há dois meses. Ainda estou trabalhando como professora de matemática em uma escola da cidade M., mas não vou todos os dias. No momento, os alunos estão em época de provas.

Um avião voou pela cidade uma semana atrás e todo mundo, tanto professores quanto alunos, saíram da escola. As janelas das salas de aula estão todas quebradas. Há apenas mesas e cadeiras, nada mais; e a água foi cortada.”

MSF está atuando em três hospitais no norte da Síria, onde tratou 16 mil pacientes e realizou 1300 procedimentos cirúrgicos. As equipes de MSF estão também prestando assistência a refugiados sírios no Líbano, no Iraque, na Jordânia e na Turquia. Leia relatório completo em inglês sobre a atuação de MSF na Síria aqui. 

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