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Vacinas contra a COVID-19: MSF lamenta que apenas 2% do suprimento de 2021 e 2022 da Pfizer vá para o Covax Facility

26/01/2021
Apesar da promessa de equidade, países em desenvolvimento são deixados no final da fila de espera para a vacina
Vacinas contra a COVID-19: MSF lamenta que apenas 2% do suprimento de 2021 e 2022 da Pfizer vá para o Covax Facility

Foto: Juan Carlos Tomasi/MSF

A Pfizer e a BioNTech anunciaram no dia 22 de janeiro um acordo para fornecer até 40 milhões de doses de sua vacina contra a COVID-19 para o Covax Facility, um mecanismo criado para garantir que potenciais vacinas contra a COVID-19 sejam disponibilizadas em todos os países, inclusive nos mais pobres. Embora Médicos Sem Fronteiras (MSF) encare favoravelmente o comunicado, este acordo de compra antecipada representa lamentavelmente apenas 2% das doses (40 milhões de 2 bilhões*) em acordos firmados pela Pfizer e BioNTech para 2021 e 2022. MSF pede transparência e urgência das duas empresas farmacêuticas e da Gavi, a Aliança das Vacinas, em relação ao preço, fornecimento e distribuição.

A maioria das doses da vacina da Pfizer (75%, 1,5 bilhão de 2 bilhões*) nesses acordos foi acertada em acordos a portas fechadas para países de alta renda, deixando uma fatia mínima para países em desenvolvimento e organizações humanitárias. De um total de mais de 27,2 milhões de doses entregues até agora, os países de alta renda receberam quase 27 milhões, mas os países de renda média receberam apenas cerca de 250 mil doses - e os países de baixa renda não receberam nenhuma.*

Em vez de continuar priorizando acordos bilaterais com países de alta renda, a Pfizer deve disponibilizar as doses da vacina para o Covax Facility o mais rápido possível. E a Gavi deve, no mínimo, exigir que todas as empresas compartilhem sua tecnologia para que todas as vacinas bem-sucedidas sejam produzidas em quantidades adequadas para atender à necessidade global, independentemente de questões de propriedade.

O desenvolvimento da vacina da Pfizer foi apoiado por uma doação de quase US$ 443 milhões do governo alemão, por meio de sua parceira BioNTech, e um empréstimo de mais de US$ 118 milhões do Banco Europeu de Investimento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) listou a vacina para uso emergencial no final de dezembro de 2020 - a única vacina contra a COVID-19 a receber essa aprovação até o momento.

Desde o início da pandemia, e à luz desse investimento público significativo, MSF pediu que quaisquer potenciais futuras vacinas contra a COVID-19 fossem disponibilizadas a preço de custo e faz um apelo à Pfizer e a quaisquer outras empresas farmacêuticas que entram em acordos com a Gavi a fixarem esse preço.

O Covax Facility inclui um Compromisso Avançado de Mercado (AMC, na sigla em inglês) para 92 países em desenvolvimento. É fundamental que esses países não sejam deixados no final da fila esperando por vacinas enquanto os países de alta renda com acordos bilaterais tenham acesso privilegiado.

Por Dana Gill, consultora de políticas dos EUA para a Campanha de Acesso de MSF

“Apesar dos apelos de vários Chefes de Estado por solidariedade global no início da pandemia, o que vemos hoje está muito longe de ser uma imagem de equidade. Até agora, os países mais ricos administraram quase 27 milhões de doses da vacina contra a COVID-19 da Pfizer/BioNTech, enquanto nenhuma dose foi distribuída em países de baixa renda.

Embora o anúncio de hoje da Pfizer para o Covax seja um passo positivo, o problema está nos detalhes. A indústria farmacêutica está fazendo negócios como sempre: o acordo é de apenas 2% das doses totais estimadas da Pfizer e da BioNTech - uma insignificância, considerando sua capacidade de produção e os acordos bilaterais que já fecharam com países de alta renda - e detalhes importantes sobre preços e entrega ainda são sigilosos. Se a Pfizer leva a sério a equidade e o apoio à estrutura da OMS para alocação de vacinas contra a COVID-19, a maior parte de seu suprimento deve ser oferecida ao Covax e a preço de custo.

A transparência em todos os níveis é fundamental para garantir o acesso equitativo às vacinas contra a COVID-19. A total transparência da Pfizer/BioNTech e da Gavi sobre acordos, sobre os preços cobrados para todos os países participantes do Covax e, especificamente, quando as doses serão entregues a esses países, é absolutamente essencial. Bilhões de dólares de financiamento público apoiaram o desenvolvimento de vacinas contra a COVID-19 e o próprio Covax Facility. Convocamos empresas farmacêuticas como a Pfizer e seus parceiros para fornecer ao Covax os volumes de que precisa a um preço de custo, e as informações sobre isso devem ser disponibilizadas ao público. Se o mundo vai sair desta pandemia, devemos distribuir essas vacinas de forma equitativa, não com base em quem tem maior poder aquisitivo.”

*Com base em dados da AirFinity (20 de janeiro de 2021).

 

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