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Uganda: falta de acesso à água potável aumenta risco de doenças entre deslocados

12/07/2005
Pessoas passam mais de três horas na fila para receberem água ou coletam água contaminada da chuva e de riachos, levando a um aumento de doenças relacionadas à água. MSF está cavando poços artesianos, consertando bombas de água e construindo banheiros

A organização internacional de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) informa que os deslocados no campo de Lira, no norte de Uganda, vivem com menos de três litros de água por pessoa, por dia.

"Dezenas de milhares de deslocados que viviam em campos próximos à cidade de Lira tiveram que se mudar nos últimos seis meses para campos que ficam na zona rural do distrito que são mais próximos das suas terras de origem”, disse Peter Muller, Coordenador Geral de MSF em Kampala.

"A população nos campos rurais onde MSF trabalha cresceu de 120 mil para 170 mil habitantes, mas nenhuma grande melhoria no fornecimento de água foi feita pelas autoridades locais. As pessoas vivem com menos de três litros de água por dia, enquanto a quantidade mínima de água potável é de 15 litros por pessoa, por dia. MSF iniciou uma melhoria do fornecimento de água e de estruturas sanitárias”.

As pessoas têm que ficar em filas por mais de três horas todos os dias nos pontos de distribuição de água, ou se aventurar nos arredores do campo onde correm o risco de serem vítimas dos rebeldes do Exército de Resistência do Senhor (LRA – Lord's Resistance Army). Como resultado, as pessoas coletam água contaminada das ruas quando chove, e dos rios e fontes que circundam o campo, levando a um aumento de doenças relacionadas à água.

Os índices de morbidade nas clínicas de MSF revelam que enquanto a malária está em alta, presente em 38% das consultas, a segunda doença mais freqüente é a diarréia com 12%, e 6% têm vermes, que também é uma doença adquirida da água.

No distrito vizinho de Gulu já há uma epidemia de cólera desde março, e nas últimas semanas, casos de cólera também foram notificados nos distritos de Kampala e Arua, Nebbi, Adjumani e Kotido.

A população deslocada também enfrenta problemas de saneamento. Cerca de um quarto não tem acesso a banheiros e aqueles com acesso têm que dividir com pelo menos outras 60 pessoas. O gerenciamento do lixo praticamente não existe e a queima do lixo ameaça incendiar as cabanas nesse período de seca.

MSF iniciou atividades para melhorar a situação de água e saneamento. A organização vai cavar poços artesianos, concertar bombas de água manuais, limpar fontes de água, construir depósitos de lixo e mais de 3 mil banheiros para aumentar a quantidade de água potável e de estruturas sanitárias.

Há 19 anos, as pessoas no norte de Uganda vêm enfrentando um conflito brutal. Mais de 1,6 milhão de pessoas já fugiram de suas casas e vivem em campos ou “cidades protegidas”.

Em Uganda, MSF oferece cuidados de saúde em campos para deslocados nos distritos de Gulu, Lira, Pader e Kitgum, e mantêm um centro de nutrição terapêutica na cidade de Lira.

No distrito de Arua, MSF oferece tratamento para o HIV/aids, enquanto em Nakapiripirit MSF trata pacientes de calazar (leishmaniose visceral).

MSF está no distrito de Lira desde 2004 oferecendo serviços de saúde e nutricionais para as pessoas deslocadas em seis campos rurais na região. Nas últimas semanas, MSF vem tratando casos de cólera em Gulu, Arua, Nebbi e Kotido.

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