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Top 10 - MSF lança lista das 10 crises humanitárias menos divulgadas em 2002

02/01/2003
Quinta lista anual enfatiza fome escondida em Angola; os crescentes conflitos na República Democrática do Congo e na Colômbia; o retorno forçado de refugiados à Chechênia; a falta de acesso a medicamentos.

A organização internacional de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançou hoje sua lista das 10 crises humanitárias menos reportadas em 2002. A quinta lista anual chama atenção para as crises humanas que, segundo MSF, foram seriamente ignoradas pela mídia americana no ano passado.

“Essas histórias devem ser contadas”, diz Nicolas de Torrente, diretor executivo de MSF nos Estados Unidos. “De acordo com a experiência de MSF, o silêncio é o melhor aliado da violência, da impunidade e da negligência. A atenção da mídia para as crises graves pode ter um impacto tremendo na mobilização dos recursos necessários para trazer soluções. Mas, para a maioria dos americanos, é como se a maioria dessas vastas catástrofes humanas não existisse”.

Conflitos em dois países, a República Democrática do Congo e a Colômbia, aparecem na lista “Top 10” pelo 4º ano consecutivo. As condições enfrentadas pelas pessoas que lutam para sobreviver em meio a esses conflitos brutais continuam recebendo pouca ou nenhuma atenção na mídia americana apesar de o conflito ter sido agravado em ambos os países. Também recebeu cobertura reduzida uma indiferença à lei humanitária internacional que resultou em um desgaste geral das proteções às pessoas que fogem de guerras.

A crise de acesso a medicamentos para doenças que matam milhões das pessoas mais pobres do mundo também aparece na lista pelo 4º ano. Enquanto a calamidade mundial da Aids tem figurado nos noticiários, pouca atenção tem sido dada pela mídia a “doenças negligenciadas” tais como a doença do sono, calazar, malária e tuberculose.

Segundo o “Tyndall Report”, que monitora noticiários das redes de televisão, os principais jornais televisivos noturnos dedicaram mais tempo à cobertura das tribulações e jubileu da família real britânica (26 minutos) do que a oito das dez crises destacadas por MSF no relatório “Top 10” somadas (25 minutos). A fome catastrófica que matou milhares de pessoas em Angola, um país rico em petróleo, por exemplo, recebeu apenas um minuto de cobertura, enquanto a crise na Libéria não recebeu nenhum. O retorno forçado de refugiados chechenos à sua terra devastada e ainda perigosa e a intensificação da guerra na Colômbia e no Sudão foram praticamente ignorados. Uma pesquisa sobre imprensa escrita, rádio e outras mídias revela falta de cobertura.

“Pessoas por todos os Estados Unidos nos contaram como eles estão sedentos de cobertura independente e profunda de assuntos internacionais,” disse Nicolas de Torrente. “Infelizmente, com exceção de alguns jornalistas dedicados, o foco estreito da mídia dos Estados Unidos deixa muitos norte-americanos lamentavelmente mal informados. Isso está acontecendo num momento em que entender e lidar com assuntos globais talvez seja mais importante do que nunca”.

MSF leva cuidados de saúde a vítimas de guerra, catástrofes, epidemias e exclusão social em mais de 80 países. Em 2002, profissionais de MSF levaram ajuda não apenas a locais de reconhecida crise, mas também a locais que estão fora do brilho dos holofotes da mídia.

Lista das 10 crises humanitárias:
- Fim da Guerra revela emergência nutricional em Angola
- Situação de civis é prejudicada pelo aumento da violência da Colômbia
- Guerra e falta de cuidados de saúde na República Democrática do Congo
- Falta de acesso a ajuda nutricional e proteção inadequada aos refugiados na Coréia do Norte
- Centenas de milhares de deslocados pela Guerra Civil na Libéria
- Guerra, doença, fome e falta de cuidados de saúde contribuem para a mortalidade na Somália
- Violência, falta de acesso a saúde e a ajuda humanitária no Sudão
- Aumento da pressão sobre civis que fogem da guerra na Chechênia
- Populações pobres do mundo ainda morrem por falta de acesso a medicamentos
- Indiferença ao direito humanitário e a proteção de pessoas afetadas pela guerra