Sudão do Sul: profissionais de MSF estão desaparecidos após escalada da violência

Em meio aos confrontos, MSF ainda não conseguiu contato com 26 dos 291 profissionais que trabalhavam em Lankien e Pieri, no estado de Jonglei

© MSF

Médicos Sem Fronteiras (MSF) está profundamente preocupada com a segurança e bem-estar de suas equipes no Sudão do Sul, em meio à recente onda de violência em Lankien e Pieri, no estado de Jonglei. Vinte e seis dos 291 profissionais da organização que trabalham nas duas localidades seguem desaparecidos, depois que perdemos contato com eles em meio aos confrontos. 

A equipe já havia evacuado o complexo hospitalar por causa do aumento das tensões e após receber informações sobre um possível ataque à cidade. Logo em seguida, MSF iniciou esforços para confirmar o paradeiro de todos os profissionais e para saber se estavam em segurança, mas ainda não conseguiu estabelecer contato com parte da equipe.

Leia também: 

Sudão do Sul enfrenta colapso no sistema de saúde em meio à pior escalada da violência desde 2018  

MSF condena bombardeio de seu hospital em Old Fangak 

A comunicação nas áreas de Lankien e Pieri é extremamente limitada. A falta de acesso à internet é ainda pior para quem foi forçado a fugir para áreas remotas de mata em busca de segurança. A perda de contato pode estar relacionada, portanto, à ausência de conexão. Mas estamos seriamente preocupados com a possibilidade de alguns de nossos profissionais estarem enfrentando condições muito difíceis, que os impeçam de se comunicar conosco.  

Essa violência teve um impacto insuportável não apenas nos serviços de saúde, mas também nas pessoas que os mantinham em funcionamento. Os profissionais de saúde nunca devem ser alvos.”

– Yashovardhan, coordenador-geral de MSF no Sudão do Sul

Muitos dos nossos profissionais foram forçados a fugir da violência junto com suas famíliasVários estão agora deslocadosabrigados em áreas remotas com pouco acesso a alimentaçãoágua ou serviços básicos de saúdeAlém de MSF ter sido forçada a suspender as atividades médicas para aproximadamente 250 mil pessoas nas duas localidades, essa crise afetou diretamente os próprios profissionais de saúde que prestavam cuidados às suas comunidades. 

“Estamos profundamente preocupados com o que aconteceu aos nossos colegas e com as comunidades que atendemos. Onde as condições de segurança permitem, iniciamos um apoio de emergência nas áreas em que as pessoas estão buscando refúgio. Também estamos tomando medidas para apoiar nossa equipe durante esse período acrescenta Yashovardhan, coordenador-geral de MSF no Sudão do Sul. 

Médicos Sem Fronteiras está mobilizando todos os esforços para restabelecer o contato com os os integrantes de nossa equipe que permanecem desaparecidas e para apoiar os profissionais afetados e suas famílias. A segurança e a proteção de nossas equipes continuam sendo nossa maior prioridade. 

Reiteramos que instalações médicas, pacientes e profissionais de saúde devem ser protegidos em todos os momentos do conflito. Ataques à saúde são inaceitáveis e privam comunidades de cuidados médicos essenciais, em período de urgente necessidade.  

Compartilhar

Relacionados

Como ajudar