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Sudão do Sul: a história de Nya

05/09/2016
Nyajuba, de cinco anos, é paciente de uma clínica móvel de MSF em Juba e foi atingida por uma bala perdida durante uma onda de violência no Sudão do Sul

A pequena Nyajuba (Nya), de 5 anos de idade, estava brincando com a sua irmã de 8 perto de casa quando começou o tiroteio. Sentindo o perigo se aproximar, a irmã mais velha puxou Nya e elas correram juntas para a floresta.
Enquanto corriam, Nya foi atingida por uma bala perdida no braço direito. Em estado de pânico e com medo de Nya estar morta, sua irmã a largou e correu o mais rápido que pode. Nya ficou ali sozinha, sangrando muito até desmaiar.

A pequena Nyajuba, de cinco anos, depois da cirurgia (Foto: MSF)Nya ficou duas noites sozinha no meio do mato, enquanto sua avó a procurava nas áreas próximas. Quando a avó finalmente encontrou a menina, seu braço estava muito ferido e ela já havia perdido muito sangue. A avó de Nya a levou à clínica mais próxima, de onde ela foi transferida para Juba.

“Quando recebemos Nyajuba, seu braço estava em condições terríveis. A mão já tinha começado a corroer, já que a bala estava alojada em um terço da articulação do ombro – era uma fratura exposta e em decomposição. Além disso, ela tinha perdido muito sangue e estava gravemente anêmica”, explica Hammed Lukonge, coordenador médico da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF)

Uma equipe de especialistas de MSF, que incluía um cirurgião de trauma, anestesistas e enfermeiros da sala de cirurgia, teve que se organizar rapidamente para a operação. “Não foi fácil tomar essa decisão; tivemos que encontrar um ponto de equilíbrio entre o impacto social de uma criança que cresce sem um dos braços ou deixar que ela perdesse a vida”, lamentou o dr. Lukonge.

Depois de uma conversa com os pais de Nya, ficou acordado que a equipe de MSF poderia amputar o braço da menina. Além disso, por causa de sua significativa perda de sangue, seis doadores foram mobilizados e três bolsas de sangue foram coletadas.

“Fizemos a desarticulação completa do braço direito – removemos o membro inteiro”, diz o dr. Lukonge. “Como era um ferimento de bala, o braço teve que ficar aberto por cerca de sete dias depois da cirurgia até que finalmente pudesse ser fechado”.

O pai de Nya disse à equipe de MSF: “Nossa filha teria morrido se não fosse por MSF. É melhor vê-la crescendo com um braço do que perdê-la por completo”.

Nya é uma das 201 pacientes que foram operadas por equipes de MSF após os recentes confrontos no Sudão do Sul; desses casos, 54 foram grandes operações. MSF também tratou mais de 21 mil pessoas em suas clínicas móveis na cidade de Juba após o recente aumento de violência.  
 

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