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Sudão do Sul: crise médica iminente em Pibor

04/03/2016
Violência devastadora e saque do complexo médico de MSF na região está agravando as necessidades de saúde da população

Foto: Jacob Kuehn/MSF

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) condena fortemente o saque de seu centro médico em Pibor, no Sudão do Sul, que ocorreu durante e após pesados confrontos de 23 a 25 de fevereiro, que também destruíram grandes partes da cidade. Suprimentos médicos, alimento terapêutico para crianças desnutridas e até leitos de pacientes foram roubados da instalação de MSF. Foram encontrados projéteis de balas em todo o complexo e os poucos itens que não foram roubados, como bolsas de fluidos intravenosos, medicamentos vitais e documentos médicos, foram danificados e espalhados pelo complexo, em desprezo às necessidades médicas urgentes da população.

“Esse é um ataque ultrajante e descarado contra cuidados médicos vitais”, disse Corinne Benazech, coordenadora-geral de MSF no Sudão do Sul. “Todos os itens de valor que não estavam presos ao chão foram roubados, até mesmo os leitos hospitalares para tratar crianças doentes e desnutridas na pediatria. Infelizmente, gestantes, crianças e aqueles mais vulneráveis sofrerão em consequência desse saque, na medida em que esse era um dos únicos centros médicos disponíveis para o acesso de pacientes a cuidados essenciais.”

Foram encontrados projéteis de balas em meio ao que restou do saque ao centro de saúde de MSF em Pibor (Foto: Jacob Kuehn/MSF)O centro médico de MSF era o único centro de saúde em funcionamento em toda a região. Era também o local a partir de onde MSF administrava seus serviços médicos em Gumuruk e Lekongole. Cumulativamente, esses projetos servem uma população de aproximadamente 170 mil pessoas. Como consequência desse saque cruel, a capacidade de MSF de prestar assistência médica nesses três locais foi significativamente reduzida e as populações afetadas pela crise agora estão propensas a contrair doenças que poderiam ser evitadas e até mesmo à morte. A crise médica enfrentada pela população é ainda mais agravada pela destruição significativa que acontece em Pibor e por saques generalizados. Na cidade, muitas casas e abrigos foram incendiados, saqueados ou destruídos e o mercado está completamente vazio. Milhares de pessoas também fugiram para a mata, onde não há acesso a quaisquer cuidados médicos. Nesta semana, MSF completou uma visita de avaliação a Verthet, onde equipes estabilizaram três pacientes com ferimentos à bala e encontraram necessidades significativamente não respondidas.

Mais de 2 mil pessoas buscaram abrigo na base da UNMISS após a eclosão de confrontos em Pibor (Foto: Jacob Kuehn/MSF)“A situação humanitária na região de Pibor é crítica no momento”, disse Corinne Benazech. “Milhares de pessoas fugiram para a mata e não têm acesso à assistência humanitária. Com casas incendiadas e propriedades saqueadas, as pessoas que estão voltando para a cidade de Pibor enfrentarão uma estação chuvosa severa. É preciso uma grande resposta humanitária, mas deve haver garantias de todas as partes armadas de que o acesso humanitário será facilitado e que instalações humanitárias não serão saqueadas. Enquanto nossa equipe trabalha para lançar uma resposta emergencial de curto prazo no centro de saúde saqueado em Pibor, nossa capacidade de manter atividades médicas de sensibilização das comunidades de Gumuruk e Lekwongole certamente serão impactadas negativamente.”

Na medida em que confrontos consumiam Pibor no dia 23 de fevereiro, a equipe de MSF estava em risco de ficar presa no fogo cruzado enquanto fortes tiroteios se aproximavam do complexo. A equipe teve de se dirigir à base da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS, na sigla em inglês), onde mais de 2 mil deslocados, principalmente crianças, continuam abrigados, mas com acesso limitado a alimentos, e a disponibilidade de água e saneamento é drasticamente inferir aos padrões humanitários mínimos de emergência. Atualmente, a equipe de MSF está tratando 140 pacientes por dia no complexo da UNMISS. Quase dois terços dos pacientes de MSF são crianças com menos de cinco anos, sofrendo de malária, infecções do trato respiratório e diarreia.

MSF oferece cuidados médicos de forma neutral e imparcial a quem mais precisa, independentemente de raça, afiliação política ou etnia. MSF está prestando assistência médica a mais de 800 mil pacientes por ano no Sudão do Sul.

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