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Síria: sistema de saúde à beira do colapso em Azaz

11/02/2016
Uma escalada nos confrontos vai estimular ainda mais deslocamentos massivos e intensificar a crise humanitária

Foto: MSF

Na medida em que confrontos pesados no distrito de Azaz, no norte da Síria, deslocam mais dezenas de milhares de pessoas, o sistema de saúde já devastado está à beira do colapso, e qualquer aumento da violência vai intensificar ainda mais a crise humanitária na região, afirmou a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Em busca de segurança, estima-se que cerca de 30 mil pessoas tenham fugido rumo às regiões que fazem fronteira com a Turquia recentemente. A maioria está vivendo fora dos acampamentos para deslocados, que estão abrigando dezenas de milhares de pessoas que já tinham sido anteriormente deslocadas pelo violento conflito.

Enquanto isso, os confrontos continuam pressionando enormemente o já devastado sistema de saúde. Isso envolve o ataque aéreo das últimas duas semanas a diversos hospitais e instalações de saúde menores em Azaz e nas áreas rurais da cidade de Aleppo, sendo ao menos três dos hospitais atingidos apoiados por MSF.

“O distrito de Azaz tem experienciado algumas das piores consequências dessa guerra brutal, e ainda assim cuidados de saúde estão sob cerco”, conta Muskilda Zancada, coordenadora-geral de MSF na Síria. “Estamos extremamente preocupados com a situação no sul do distrito, onde o pessoal médico, temendo por suas vidas, foi forçado a fugir, e os hospitais foram completamente fechados ou só podem oferecer serviços de emergência limitados.”

MSF demanda que todas as partes envolvidas no conflito tomem as medidas necessárias para prevenir deslocamentos massivos de pessoas e a intensificação da crise humanitária. Os ataques às poucas instalações médicas remanescentes precisa parar imediatamente. Os confrontos e os bombardeios de áreas densamente povoadas precisam ser interrompidos, ao menos até que os civis possam fugir para áreas seguras com acesso a serviços básicos.

MSF também alerta para o fato de que agências de ajuda já sobrecarregadas, que batalham para responder às necessidades das pessoas em termos de abrigo, alimentos, água e saneamento, não serão capazes de atender a novos influxos de pessoas deslocadas. “Os acampamentos não têm capacidade para abrigar recém-chegados”, explicou Muskilda Zancada. “Existe o risco de que pessoas, inclusive crianças pequenas e idosos, se vejam forçadas a viver ao relento, em condições congelantes, por ao menos diversos dias. Pode haver efeitos de saúde graves, e a pneumonia é uma grande preocupação.”

Equipes de MSF no distrito de Azaz estão distribuindo itens essenciais, como tendas e cobertores, a pessoas deslocadas, e assistiram cerca de 800 famílias até o momento. As pessoas vivendo fora dos acampamentos representam uma preocupação particular, uma vez que quase não receberam assistência.

Desde sábado, 6/02, houve um aumento de fluxo de cerca de 50% no departamento ambulatorial do hospital de MSF no norte do distrito de Azaz. Atualmente, cerca de 160 consultas estão sendo realizadas por dia, sendo a maioria delas relacionadas a infecções do trato respiratório. MSF também aumentou a capacidade de leitos do hospital de 28 para 36, e está se preparando para ampliá-la ainda mais, em caso de necessidade.

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