MSF ajuda a reduzir em 90% casos de cólera na República Democrática do Congo

Em meio a conflitos, região de Ruzizi enfrentou a mais grave epidemia de cólera dos últimos cinco anos

Sessão de prevenção de cólera | @Frederic OMEGA/MSF

O que você vai ler: 

  • Médicos Sem Fronteiras (MSF) contribuiu para reduzir em 90% o número de casos de cólera em Sangé, na República Democrática do Congo (RDC).
  • Essa foi a mais grave epidemia da doença na região de Ruzizi nos últimos cinco anos.
  • MSF está apoiando o Centro de Tratamento de Cólera no Hospital Geral de Sangé e o Centro de Saúde de Ndunda. Mais de 800 pacientes foram tratados para a doença. Foram instalados também mais de 50 pontos de tratamento de água.

Em oito semanas de trabalho, Médicos Sem Fronteiras contribuiu para reduzir em 90% o número de casos de cólera em Sangé, na província de Kivu do Sul, no leste da República Democrática do Congo (RDC). Essa foi a mais grave epidemia da doença na região de Ruzizi nos últimos cinco anos, agravada pelo acesso limitado a pontos de captação de água, por um sistema de saúde frágil e pelos deslocamentos em massa de pessoas que fogem dos confrontos entre o exército congolês (FARDC), aliado ao Wazalendo, e o grupo armado AFC/M23.

Tanishaka, paciente em tratamento | @ Frederic OMEGA/MSF

“No meio da noite, tive dores de estômago intensas, seguidas de vômitos e diarreia. Quando vi que o meu estado estava piorando, alertei os meus vizinhos, que me ajudaram a pagar o transporte até o hospital”, conta o agricultor Tanishaka, uma das mais de 800 pessoas com cólera que receberam tratamento de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Sangé.

Dificuldades no acesso à água potável

Em Sangé, as famílias estão sem acesso regular à água potável há vários meses. Isso porque os dois principais pontos de captação ficaram inacessíveis.

“Devido à presença de grupos armados, era impossível para as pessoas terem acesso aos pontos de captação de água, cujos sistemas de filtragem estavam entupidos com areia e sujeira. As pessoas ficaram sem água potável”, explica Mamadu Diallo, coordenador da equipe médica de MSF.

A maioria dos moradores não teve outra escolha a não ser beber água contaminada do rio ou de canais de irrigação, como relata Busime, mãe de Gisele, de 3 anos de idade, que está recebendo tratamento para cólera no Hospital Geral de Sangé.

Busime (à esquerda) e a sua filha, Gisele, de 3 anos | @ Frederic OMEGA/MSF

É água suja, que não foi tratada. Mas, por causa da escassez, bebemos porque não temos outra escolha.”
Busime, mãe de Gisele, de 3 anos de idade

“A minha filha ficou completamente desidratada. Ela ficou na cama e nem conseguia se levantar depois de ir ao banheiro”, conta.

Mais de 50 pontos de cloração de água instalados

Em resposta à epidemia, MSF está apoiando o Centro de Tratamento de Cólera no Hospital Geral de Sangé e o Centro de Saúde de Ndunda, nos arredores da cidade. Mais de 800 pacientes foram tratados para a doença. Foram instalados também mais de 50 pontos de cloração de água na zona de saúde de Ruzizi.

MSF está trabalhando com a comunidade para ajudar a limpar os pontos de captação de água. Então a água será filtrada e clorada novamente.

“O acesso gratuito à água potável é o principal problema na área, e precisa ser resolvido com prioridade”, diz Edwige Baluga, coordenadora médica de MSF.

Para reduzir o risco de novos surtos da doença, MSF também sensibiliza líderes comunitários para a aplicação de medidas preventivas e identificação precoce dos sintomas. As pessoas recebem orientações sobre higiene e sobre como higienizar corretamente recipientes de água potencialmente contaminados.

Leia mais: MSF lançou resposta de emergência para conter surto de cólera na cidade de Lomera

“O deslocamento constante de pessoas causado pelo conflito traz para a região pessoas que nunca receberam orientação sobre medidas de prevenção do cólera”, explica Elisé Wilondja, supervisora de promoção de saúde de MSF.

Busimé e a pequena Gisele estão entre as pessoas deslocadas pela violência. “Fugi da guerra no vilarejo de Kigurwe e voltei para Sangé há um mês porque os meus filhos não conseguiam se adaptar”, relata a mãe,

A epidemia foi agravada pelos constantes deslocamentos de pessoas que fogem dos confrontos regulares entre o exército congolês (FARDC), os seus aliados Wazalendo e o grupo armado AFC/M23.

Nakitula, uma agricultora de 25 anos | @ Frederic OMEGA/MSF

No Hospital Geral de Sangé, Nakitula, uma agricultora de 25 anos que sofre de cólera relata uma história semelhante. “Fugi para Kahungwe, na região de Lemera. Mas como não tinha campos para cultivar e nenhum meio de subsistência, voltei, pois as condições de vida estavam se tornando cada vez mais difíceis. Para sobreviver neste momento, faço pequenos trabalhos ao longo do dia, assim posso comer.”

Os deslocamentos contínuos das pessoas estão contribuindo para a propagação da epidemia, pois elas são forçadas a viver em lugares superlotados e, às vezes, em condições insalubres, sem acesso a água potável.

No final de janeiro, após uma explosão em Sangé que matou várias pessoas e feriu outras dezenas, a equipe de MSF teve que se retirar de Sangé por questões de segurança. No entanto, MSF continou realizando atividades de forma remota.

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