A desnutrição permanece alta enquanto a seca continua no Quênia

Resposta humanitária é urgentemente necessária para lidar com os casos crescentes de desnutrição em Illeret.

Foto: Lucy Makori/MSF

No nordeste do Quênia, uma seca contínua afeta a região após três temporadas consecutivas de pouca chuva, agravando uma situação já terrível de insegurança alimentar. O condado de Marsabit está reportando taxas elevadas de desnutrição aguda. Se a assistência médica e humanitária fornecida pelos governos nacional e municipal não melhorar, a crise pode continuar até setembro de 2022. Apesar da prolongada seca, a região tem visto o subinvestimento em nutrição por parte do condado e dos governos nacionais.

Carcaças de animais ao lado da estrada esperando para serem colhidas para serem queimadas. A seca em curso no bairro de Illeret levou a um aumento dos casos de desnutrição nas famílias devido à redução contínua no consumo de leite resultante da deterioração e da morte do gado para a comunidade pastoril. Foto: Lucy Makori/MSF

Cerca de 60% do gado foi perdido

Na área de Illeret, os casos de desnutrição têm aumentado porque as condições de saúde do gado estão se deteriorando devido à seca devastadora, resultando em menos produção de leite.

Telite Saani, uma mãe de seis filhos de 26 anos da vila de Lomadang, tem gêmeos que ainda estão amamentando e atualmente fazem parte do programa de nutrição apoiado por Médicos Sem Fronteiras (MSF) e parceiros, com desnutrição aguda moderada e grave. Seu leite materno é insuficiente pois ela dificilmente consegue algo para comer.

“Nós tínhamos 20 bois e ovelhas também, mas todos eles morreram. Recolhemos as carcaças na beira da estrada para serem queimadas” – Telite Saani, mãe de seis filhos que atualmente faz parte do programa de nutrição apoiado por MSF no nordeste do Quênia.

Com menos recursos hídricos, as pessoas precisam caminhar longas distâncias para encontrar áreas de pastagem para o gado e para o uso doméstico. As famílias quase não têm uma refeição por dia.

“Agora, coleto lenha para vender perto da Etiópia”, diz Telite. “Eu também pego água do poço e a vendo. Se eu conseguir dinheiro, compro farinha para o mingau, mas às vezes, quando não consigo vender, apenas dormimos com fome”.

Telite Saani, mãe de 6 filhos, ao lado do que costumava ser o galpão de gado de sua família na vila de Lomadang, em Illeret. Foto: Lucy Makori/MSF

A situação é agravada pela redução do acesso aos alimentos no mercado e pelo declínio do comércio, uma vez que os preços dos mantimentos subiram 25 a 50%. Essa falta de comida levou as famílias a compartilhar os suplementos nutricionais dados às crianças desnutridas.

Um agravamento da crise de desnutrição

Em fevereiro de 2022, MSF realizou uma avaliação em cinco subcondados de Marsabit. O subcondado de North Horr, especificamente em Illeret, apresentou a pior situação de segurança alimentar e o maior número de crianças desnutridas. Uma triagem em massa feita pelo Unicef em Marsabit, também em fevereiro, mostrou uma taxa global crítica de desnutrição aguda de 23%.

Onze crianças desnutridas que eram pacientes do programa morreram entre meados de fevereiro e meados de março.

Como o número de casos de desnutrição aumentou em Illeret, o gerenciamento de pacientes que precisam de tratamento no centro de saúde tem sido um desafio. A unidade de referência mais próxima fica a cinco horas de carro, com apenas um veículo de transporte público, agravando os impactos de uma equipe médica e medicamentos limitados em instalações de saúde pública.

O Ministério da Saúde e seus parceiros realizaram atividades de sensibilização para apoiar a gestão integrada da desnutrição aguda em alguns subcondados. Essas atividades não puderam ser sustentadas regularmente, reduzindo a identificação de crianças desnutridas e os acompanhamentos na comunidade.

“Mais financiamento e coordenação são necessários para poder atender às necessidades críticas das pessoas e lidar com a desnutrição. As atividades móveis de alcance precisam oferecer avaliação e apoio nutricionais regulares ”, diz Edi Atte, diretora de MSF no Quênia. “No passado, os desafios logísticos e de recursos humanos significavam que as clínicas móveis seriam realizadas apenas uma ou duas vezes por mês, prejudicando o progresso do tratamento de crianças desnutridas e seus acompanhamentos”.

Foto: Lucy Makori/MSF

Resposta de MSF

MSF tem trabalhado com o Ministério da Saúde e seus parceiros para fortalecer o componente médico das atividades de gerenciamento de nutrição em Illeret. As equipes de MSF apoiam a triagem, o diagnóstico e a gestão de pacientes infantis com desnutrição aguda. A busca ativa de casos e a vigilância aumentaram o número de crianças que têm acesso a esses cuidados.

“Desde que começamos nossa intervenção em março, houve um aumento nas admissões de crianças com desnutrição aguda e crianças que não respondem ao tratamento”, disse Edi Atte.” “Reforçamos os encaminhamentos para o centro de estabilização em Illeret, o que permitiu que salvássemos vidas”.

MSF também ajudou a adaptar o departamento de internação do centro de saúde local para se tornar a um centro de alimentação terapêutica com 10 leitos. As mães no centro de alimentação também recebem pelo menos três refeições por dia para aumentar a lactação.

Foto: Lucy Makori/MSF

Agora está chovendo na região e a distribuição de alimentos está ocorrendo. No entanto, ainda há uma necessidade crítica de uma distribuição de alimentos consistente, de qualidade e adequada para as famílias. Soluções a longo prazo também devem ser encontradas para ajudar as pessoas a ter acesso à água, um problema que continua a prejudicar a saúde das crianças.

“MSF pede urgentemente uma distribuição consistente de alimentos para todas as famílias em Illeret e um aumento dos recursos humanos para o centro de saúde de Illeret”, diz Edi Atte.

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