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Pneumonia: investidores se juntam a MSF pela redução de preço da vacina

27/04/2017
Na reunião anual da Pfizer, MSF e investidores fazem um apelo à corporação para que reduza o preço da vacina contra pneumonia, doença que mais mata crianças no mundo
Pneumonia: investidores se juntam a MSF pela redução de preço da vacina

Foto: Pierre-Yves Bernard/MSF

Hoje, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está dando voz a investidores particulares na reunião anual geral da Pfizer, que acontece em New Jersey, nos Estados Unidos, para responsabilizar a corporação farmacêutica e exigir a redução do preço da vacina contra pneumonia para crianças em todos os países em desenvolvimento.

Há uma semana, MSF lançou a Your Stock, Your Voice (Suas ações, Sua voz, em tradução livre para o português), uma ferramenta online e inovadora que encoraja as pessoas que têm ações da Pfizer, inclusive fundos de aposentadoria, a exigirem mudanças que possam salvar vidas. Por meio da plataforma, os investidores podem conferir se um dado investimento inclui ações da Pfizer, e, em caso positivo, oferece opções para que essas pessoas tomem providências. Em poucos dias, centenas de investidores e outras pessoas compartilharam mensagens nas redes sociais para pedir à empresa que reduza o preço da vacina para 5 dólares por crianças (pelas três doses necessárias) em todos os países em desenvolvimento.

A pneumonia é a principal causa de mortalidade infantil no mundo, matando cerca de 1 milhão de crianças a cada ano. A Pfizer e a GlaxoSmithKline (GSK) são as duas produtoras da vacina contra pneumonia, e estipularam para ela preços nada acessíveis para muitos países em desenvolvimento. Um terço dos países do mundo ainda não puderam introduzir a vacina contra pneumonia em seus programas de vacinação, especialmente em decorrência dos preços altos. Em 2015, todos os 193 países presentes na Assembleia Mundial de Saúde votaram uma resolução decisiva que pedia vacinas mais acessíveis e maior transparência acerca da composição dos preços desses produtos.

MSF vem tentando negociar uma redução de preço com a Pfizer há muitos anos. Após anos de negociações infrutíferas tanto com a Pfizer como com a GSK, em 2015, MSF lançou a A Fair Shot (Uma Dose Justa, em tradução livre para o português), campanha pública que pede às duas empresas farmacêuticas que reduzam os preços das vacinas contra pneumonia. Por meio dessa campanha, mais de meio milhão de pessoas no mundo se mobilizaram para fazer apelos à Pfizer e à GSK.

Em novembro de 2016, seguindo um anúncio semelhante feito pela GSK, a Pfizer finalmente concordou em reduzir o preço da vacina para organizações humanitárias trabalhando em contextos de emergência – como MSF – ao valor de 9 dólares por crianças (pelas três doses necessárias). MSF e a Pfizer ainda estão negociando um acordo que traduza o comprometimento público feito pela farmacêutica. MSF espera que a Pfizer limite o número de condições que pretende incluir no acordo, de modo que MSF possa receber suprimentos adequados da vacina e tenha capacidade de imunizar a maior quantidade possível de crianças conforme o acordo.

Enquanto o comprometimento da Pfizer com emergências humanitárias representa um passo na direção certa, ainda não é a solução para os milhões de crianças que vivem em países em desenvolvimento, como a Jordânia, as Filipinas ou a Tailândia, onde o preço da vacina ainda é muito alto. “Com o suporte de investidores da Pfizer por todo o território estadunidense, esperamos que a empresa finalmente venha a se comprometer com seus acionistas, dando às crianças de todos os países em desenvolvimento a chance de serem protegidas contra a maior assassina de crianças no mundo: a pneumonia”, disse Jason Cone, diretor executivo de MSF nos Estados Unidos. “É inconcebível que haja uma vacina capaz de salvar vidas, mas que dezenas de milhares de crianças em todo o mundo não tenham acesso a ela devido aos preços abusivos da Pfizer. Mais uma vez, fazemos um apelo à Pfizer para que reduza o preço da vacina a 5 dólares para todas as doses necessárias e para todas as crianças de países em desenvolvimento”.


 

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