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O resultado de dois anos da campanha de vacinação em massa na República Centro-Africana

20/07/2018
Protegendo o maior número possível de crianças em um contexto de emergência
O resultado de dois anos da campanha de vacinação em massa na República Centro-Africana

Foto: Pierre-Yves Bernard

Em um contexto onde os cuidados de saúde de rotina foram interrompidos e muitas comunidades ficaram sem tratamento médico básico, muitas crianças que vivem na República Centro-Africana (RCA) estão ficando sem as vacinas do programa básico. Desde 2015, em parceria com o Ministério da Saúde, MSF lançou uma campanha inédita para vacinar mais de 213 mil crianças contra nove doenças comuns da infância.

Em 2011, enquanto trabalhavam na República Centro-Africana, as equipes de MSF descobriram que a cobertura de vacinação contra doenças infantis era muito baixa. Isso contribuía para os alarmantes níveis de mortalidade, bem acima do limiar de emergência, uma vez que doenças facilmente evitáveis, como pólio e sarampo, afetavam crianças não vacinadas. Além de problemas de saúde, violência e deslocamento, que são consequências diretas do conflito, as crianças corriam risco de vida por estarem sem proteção contra as doenças infantis mais comuns, mas facilmente evitáveis.

A situação se agravou depois da mortal guerra civil que ocorreu nos anos de 2013 e 2014, quando a porcentagem de crianças imunizadas diminuiu drasticamente. Dados oficiais do Ministério da Saúde do país mostram que, entre 2012 e 2014, o número de crianças vacinadas contra o sarampo caiu de 64% para 25% e, contra infecções respiratórias agudas, de 52% para 20%. Até o final de 2013, apenas 13% das crianças de um ano de idade haviam sido imunizadas contra as doenças.

Em meados de 2015, equipes de MSF, em parceria com o Ministério da Saúde, procuraram resolver esse problema por meio do lançamento de uma campanha de vacinação em massa durante dois anos, em seis dos sete distritos de saúde do país. MSF também se comprometeu a reforçar as atividades de vacinação nas unidades de saúde apoiadas pela organização. Em muitas áreas, os profissionais de MSF foram capazes de vacinar a população apenas pouco antes de uma nova onda de violência, que deixou a comunidade inacessível.

“Essa foi a maior campanha de vacinação já realizada por MSF no país e uma das primeiras destinadas a proteger crianças com menos de cinco anos contra tantas doenças”, explica a dra. Anne-Marie Pegg, conselheira de vacinação de MSF. “Dada a situação na RCA, uma das principais lições aprendidas com a campanha é 'faça isso enquanto você pode!'. Isso significa aproveitar todas as oportunidades que você tem para alcançar as crianças e protegê-las pela vacinação, além de outras medidas preventivas.”

No total, mais de um milhão de doses de vacinas foram administradas a crianças com menos de cinco anos de idade. Além de garantir proteção ao longo da vida contra doenças como difteria, tétano, coqueluche, pólio, influenza, hepatite B, pneumococo, febre amarela e sarampo, MSF realizou triagem nutricional, ofereceu vitaminas, produtos de higiene, mosquiteiros, além de medicamentos para tratamento da malária e de desparasitação. As campanhas aconteceram em 15 distritos nos quais MSF já estava presente: Berbérati, Sosso-Nakombo, Dédé-Makouba, Gamboula, Amada-Gaza, Bangassou, Bakouma, Ouham-Pende, Carnot, Bria, Mbaiki, Moungoumba, Kabo, Batangafo e Ndélé.

De acordo com estudos de acompanhamento realizados por MSF, a cobertura de imunização nas áreas visadas pelas campanhas melhorou significativamente. Na primeira etapa, o nível de cobertura atingiu 80% da população. As boas práticas aprendidas na campanha continuam orientando a resposta de MSF a emergências em áreas onde a cobertura de vacinação é baixa e onde a capacidade da população de acessar serviços médicos (e vice-versa) se deteriora rapidamente. Agora, os esforços estão concentrados em continuar ajudando programas de vacinação de rotina nas estruturas de saúde apoiadas por MSF.

Médicos Sem Fronteiras é uma organização humanitária internacional independente. Trabalhando na República da África Central desde 1997, MSF oferece diversos serviços médicos gratuitos em Bangassou, Bria, Bambari, Batangafo, Paoua, Bossangoa, Boguila, Carnot e na capital Bangui.
 

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