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O empenho de uma família na tempestade que devastou Haiti

15/09/2008
Casos como o de Lionel, cuja esposa teve que parir no telhado de uma casa, se repetem no país

Lionel, um carpinteiro de 22 anos, estava em casa no dia 1º de setembro com sua mulher, que estava grávida de sete meses, na região de Brale em Gonaïves, Haiti. Por volta das 23h, a água começou a subir. Quando os dois sentiram o nível aumentar por baixo da cama, souberam que precisavam ir embora. Dentro de duas horas, a água estava quatro metros acima do chão.

A tempestade tropical Hanna estava abatendo o Haiti, misturando a destruição e a devastação já infligidas pela tempestade tropical Gustav alguns dias antes. O furacão Ike e suas próprias chuvas maciças ainda estavam para chegar.

Lionel e sua mulher conseguiram alcançar o telhado de uma das casas mais altas da região, de onde eles conseguiam ver a rua desaparecendo por baixo da água, que subia rapidamente. Eles viram outras pessoas que haviam buscado refúgio no topo de um edifício mais baixo, arrastado pela enchente volumosa.

Lionel está sentado com seu bebê enquanto o menino recebe tratamento na clínica de Médicos Sem Fronteiras em Raboteau.

A mulher de Lionel, sob estresse, deu à luz no telhado. Eles passaram os cinco próximos dias lá, presos, junto com outras 25 pessoas, sem comida ou água. Eles haviam perdido tudo. Sua casa havia sido engolida pela enchente.

Quando as águas finalmente baixaram, eles foram à clínica de MSF em Raboteau. O seu bebê prematuro estava desidratado, mas depois de algumas horas de tratamento de reidratação e cuidados médicos adicionais, ele estava de volta ao normal e a família inteira pôde deixar a clínica.

Já que eles não tinham nenhum lugar para ficar, Lionel e sua família foram para a casa de um amigo em Gonaïves, evitando a área em que costumavam morar por causa das pilhagens que aconteciam à noite. No entanto, a falta de água potável e de comida na região teve consequências diretas para o bebê.

Na quinta-feira, 11 de setembro, Lionel retornou com a criança à clínica. Ela havia desenvolvido uma infecção umbilical e sua mãe, também doente, estava muito fraca para alimentá-la. Eles não estavam sozinhos à procura de cuidados: mais de 700 outras pessoas haviam sido tratadas na clínica de MSF até aquele momento.

O centro de saúde de Raboteau continua sendo uma das poucas clínicas funcionais de Gonaïves. MSF tem oferecido cuidados básicos de saúde e realizado pequenos procedimentos cirúrgicos lá desde o dia 5 de setembro.

Depois de outro dia de tratamento, o bebê de Lionel está agora em condições melhores. "Nós podemos fazer o nosso melhor na clínica daqui", disse o médico de MSF, Dr. Vladimir Gratia. "Mas com a falta de condições de higiene básicas, a situação irá piorar", alertou.

Grandes necessidades continuam em Gonaïves, especialmente com as pessoas começando a voltar para a cidade. Água potável e comida são prioridades. Para Lionel, sua mulher e seu novo bebê, assim como para todos de Gonaïves, a vida continua precária.

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