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Nigéria: surto de cólera no estado de Borno

03/11/2014
Em menos de um mês, foram registrados 4.500 casos e os números continuam aumentando

No final de setembro, uma epidemia de cólera eclodiu no estado de Borno, nordeste da Nigéria. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), que já operava na região remota de difícil acesso e onde a provisão de cuidados de saúde é extremamente limitada, está, agora, respondendo à epidemia. Em menos de um mês, já houve 4.500 casos de cólera e 70 mortes relacionadas com a doença na capital do estado e principal cidade do país, Maiduguri, e o número de casos continua aumentando.


MSF ofereceu assistência durante um surto anterior de cólera em Maiduguri, em 2010, e estruturou um centro de tratamento de 120 leitos no hospital da cidade. Diante dessa mais recente epidemia, MSF decidiu reabrir o centro de tratamento e ampliar o número de leitos para 150. Oito profissionais de MSF estão atuando em colaboração com o pessoal do Ministério da Saúde na oferta de cuidados para os casos mais graves, e 1.912 pessoas já foram tratadas.

MSF também estruturou cinco pontos de reidratação oral em diversos distritos da cidade. De fácil estruturação, esses pontos de reidratação dão às pessoas acesso a soluções orais. A organização Action Contre La Faim (ACF) está avaliando dar início às atividades de água, higiene e saneamento.


Epidemias de cólera são frequentes na Nigéria e um surto ocorreu no estado de Bauchi, também localizado no nordeste do país, em janeiro deste ano. As equipes de MSF ofereceram tratamento em um centro de tratamento de cólera para entre 8.500 e 15.500 pessoas que foram contaminadas com a doença.


Todos os anos, de três a cinco milhões de pessoas por todo o mundo são vítimas da doença. Infecção aguda do intestino, a cólera é altamente contagiosa e é transmitida pela ingestão de alimentos e água contaminados com a bactéria ou com fezes. A doença mata entre 100 e 120 mil pessoas todos os anos. A doença ocorre, frequentemente, em locais superlotados, onde faltam água limpa, coleta de lixo e lavatórios. Crianças e idosos são particularmente vulneráveis. Os principais sintomas são a diarreia aquosa e vômitos, que podem levar rapidamente à desidratação grave e, por vezes, à morte. No entanto, se for tratada precocemente, a cólera pode ser curada facilmente. O tratamento consiste na reposição dos fluidos e sais perdidos para prevenir a desidratação – a reidratação dos sais é administrada oralmente. Pacientes gravemente doentes precisam ser internados em hospitais e alguns precisam receber até 12 litros de fluidos por via intravenosa por dia. Algumas vezes, é preciso antibióticos. Apesar da velocidade com que os sintomas surgem e de sua gravidade, a recuperação é espetacular e, após apenas alguns dias de tratamento, a bactéria desaparece e os pacientes recuperam sua saúde.

Em maio de 2013, o governo nigeriano declarou estado de emergência nos estados de Borno, Yobe e Adamawa, após a radicalização do movimento islâmico Boko Haram, ativo principalmente no nordeste da Nigéria. MSF deu início à primeira intervenção no estado de Borno após um ataque na cidade de Baga, em maio de 2013, mas foi rapidamente forçada a encerrar suas atividades devido à insegurança cada vez maior. Algum tempo depois, uma intervenção para avaliação foi realizada em Chibok, no sul do estado, e 3.760 pessoas foram tratadas, sendo mais da metade crianças com menos de cinco anos de idade, muitas das quais com desnutrição. Após trabalhar na região por dez semanas, as operações tiveram de ser suspensas novamente por razões de segurança.


MSF retornou a Maiduguri em maio de 2014 e está oferecendo suporte a clínicas médicas, fixas e móveis, em dois dos três acampamentos da cidade para pessoas deslocadas. Esses acampamentos abrigam pessoas que tiveram de fugir de ataques do Boko Haram na região do entorno. Atualmente, há 58 mil pessoas vivendo nos três acampamentos e a Agência nacional de Gerenciamento de Crise (NEMA, na sigla em inglês), estima que o número total de pessoas deslocadas seja de 350 mil.


MSF pôde continuar seu trabalho no combate à epidemia de cólera na cidade uma vez que não tem estado sujeita a ataques já há algum tempo e a situação é estável. Os estados de Yobe, Borno e Adamawa são extremamente remotos e as restrições de acesso estão impactando o comércio e a economia local. No estado de Borno, o acesso a cuidados de saúde para pessoas deslocadas, para os habitantes vulneráveis de Maiduguri e para a população em geral é totalmente inadequado.

Entre setembro e outubro de 2014, epidemias de cólera atfetam Haiti, Níger e Costa do Marfim

Após um descanso de mais de 18 meses, casos de cólera têm sido registrados na capital do Haiti, Porto Príncipe, e houve diversas pequenas ocorrências da doença em outros lugares do país. MSF inaugurou cinco centros de tratamento de cólera (CTC´s).

A cólera está afetando cerca de mil pessoas em diversas regiões do sul do Níger. Em parceria com o Ministério da Saúde, equipes de emergência de MSF trataram cerca de mil pacientes.

Cerca de 40 casos foram registrados em uma comunidade de pescadores de Gana que vive em um distrito de Abidjan, capital da Costa do Marfim. Gana tem sua própria epidemia de cólera, e 15 mil pessoas contraíram a doença. MSF está avaliando a melhor maneira de responder à emergência.

 

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