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Nigéria: MSF transforma rostos e vidas de pacientes com noma

23/10/2015
Equipe de cirurgiões, anestesistas e enfermeiros conduziu 19 cirurgias em Sokoto

Foto: Adavize BAIYE/MSF

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) realizou a terceira intervenção cirúrgica na Nigéria para pessoas com noma, uma infecção que causa desfiguração, frequentemente fatal, e que afeta principalmente crianças pequenas. No final de agosto, 19 pacientes do Hospital Infantil de Noma, em Sokoto, no noroeste da Nigéria, foram submetidos a cirurgia reconstrutiva que vai melhorar sua saúde e suas chances de serem reinseridos na sociedade para levarem vidas normais.

A maioria dos pacientes com noma são crianças com menos de seis anos de idade, cujos sistemas imunológicos foram enfraquecidos pela desnutrição, geralmente conjuntamente com o sarampo. “A noma é causada pela falta de higiene bucal e é exacerbada pela desnutrição grave, comumente associada à pobreza extrema”, diz Agatha Bestman, coordenadora médica de MSF na Nigéria.

 

A doença tem início com úlceras no interior da boca. A úlcera, então, começa a gangrenar e, na medida em que cresce, vai destruindo os ossos e o tecido mole do rosto. Se não for tratada, a doença é fatal em até 90% dos casos. Ainda assim, apesar de suas graves consequências, e do fato de que é relativamente comum em países menos desenvolvidos, principalmente na África subsaariana, a noma ainda não é amplamente conhecida e recebe pouca atenção pública.

Quando a equipe cirúrgica de MSF chegou a Sokoto, mais de 30 possíveis pacientes aguardavam avaliação. A equipe selecionou 19 pessoas para serem submetidas à cirurgia reconstrutiva, baseando-se na complexidade da condição, o estado geral de saúde e o tempo disponível. Nove dessas pessoas foram submetidas a duas rodadas de cirurgia.

Okole Chukwumalinje, de 46 anos, estava na lista de espera pela cirurgia desde janeiro de 2014. “Estou muito grato por ter sido selecionado para a cirurgia”, disse ele. “Espero que, caso o tratamento seja bem-sucedido, eu possa começar uma nova vida e me tornar um missionário.”

A equipe de MSF foi composta por um cirurgião plástico, um cirurgião maxilo-facial, um anestesista e um referente de anestesia, um enfermeiro anestesista e um enfermeiro de centro cirúrgico, que viajaram para a Nigéria saindo da Alemanha, da Holanda e do Zimbábue. Eles trabalharam em parceria com a equipe de MSF do projeto de noma em Sokoto e com o pessoal do Hospital Noma.

“A noma faz buracos profundos no rosto, o que pode dificultar atividades normais, como comer”, afirma o Dr. Hans De Bruijn, cirurgião de MSF. A cirurgia corrige o problema. “Uma cirurgia de noma pode durar até seis horas”, afirma o cirurgião. “Em alguns casos, é necessário apenas um enxerto de pele. Em outros, talvez precisemos reconstruir partes da face.”

Antes da cirurgia, uma equipe de saúde mental de MSF trabalhou com pacientes e seus cuidadores para construir um senso de confiança, apoiá-los nas conversas com a equipe médica e ajudá-los a entender os complexos procedimentos médicos relacionados com a cirurgia de noma. A equipe também trabalhou com pacientes mais jovens para ajudá-los no desenvolvimento de habilidades sociais que eles possam ter perdido, na medida em que pacientes com noma são, comumente, banidos da sociedade. “Apoiar uma pessoa jovem e sua família a superar o impacto emocional da desfiguração é parte essencial do aconselhamento”, afirma Thomas Hoare, psicólogo clínico de MSF.

Os pacientes de noma que não foram selecionados para cirurgia desta vez terão outra chance de serem submetidos a tratamento reconstrutivo quando MSF realizar sua próxima intervenção cirúrgica em Sokoto, no início de 2016. Para o futuro, MSF planeja conduzir cirurgias de noma em Sokoto quatro vezes por ano.

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