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Nigéria: aproximadamente 6 mil novos deslocados internos estão vivendo em condições muito precárias em Maiduguri

01/04/2015
Conflito entre o grupo Boko Haram e o exército nigeriano forçou milhares de pessoas a deixarem suas casas

Foto: Issa Mohammad/MSF

Como resultado do conflito entre o grupo Boko Haram e o exército nigeriano no fim de março, cerca de 6 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas rumo a Maiduguri, capital do estado de Borno. As autoridades abriram um novo acampamento, mas atualmente não há latrinas nem água no local e os abrigos são insuficientes. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) atua no estado de Borno desde 2003. Nossa equipe avaliou as necessidades e iniciou atividades de emergência nesse acampamento.

As autoridades abriram um novo acampamento para acomodar os deslocados em um amplo complexo anteriormente usado como um centro de treinamento (“Centro de Formação Federal”: FTC), em Dalori, subúrbio de Maiduguri.

Estima-se que o número de pessoas deslocadas morando nesse grande acampamento seja de 6 mil, principalmente mulheres, crianças e idosos. Mais pessoas estão a caminho.

Os primeiros deslocados chegaram em 21 de março, e o influxo da população cresceu exponencialmente no fim de semana seguinte. MSF trabalha no estado de Borno desde 2003, e avaliou a situação do acampamento em 23 de março.

O Ministério da Saúde estruturou uma clínica com seis leitos no campo FTC, e profissionais médicos de Bama começaram a trabalhar ali. Os pacientes têm sofrido predominantemente de malária, gastroenterite, desnutrição, diarreia e vômitos.

No campo FTC, apenas 10% da população de deslocados internos vive sob um teto – ainda que nos edifícios degradados do FTC anterior, abandonados há quatro anos – e a maioria está sendo obrigada a dormir debaixo de árvores. A Agência Nacional de Administração de Emergências (NEMA, na sigla em inglês) da Nigéria está oferecendo tendas. Uma cozinha coletiva está sendo construída no acampamento, mas, por enquanto, essas pessoas que estão fora do acampamento dependem deles para conseguir alimentos. A falta de instalações sanitárias continua sendo o maior problema e as pessoas têm de defecar a céu aberto, na medida em que não há latrinas. Não há suprimentos de água, e as autoridades providenciaram duas escavações de poços.

Ministério da Saúde pede que MSF ofereça apoio
MSF, em colaboração com a NEMA, começou a fazer distribuições. Até 15 mil litros de água limpa estão sendo transportados e isso continuará até que os dois poços que estão sendo cavados estejam prontos. Mais atividades de água e saneamento terão início no campo FTC, assim como em outros acampamentos em Borno.

 

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