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Níger: MSF responde a surto de meningite C

06/05/2016
Até o momento, mais de 254 mil pessoas foram vacinadas nas regiões de Tillabery, Dosso e Tahoua

Foto: Augustin Ngoyi/MSF

Desde o início de 2016, um surto de meningite C tem afetado todas as regiões do Níger. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) enviou equipes de emergência ao país e está apoiando o Ministério da Saúde para conter a epidemia desde janeiro. O número de casos semanais está diminuindo, mas o estoque de vacinas disponíveis é insuficiente para proteger aqueles em risco, caso haja outro surto da doença.


De acordo com dados oficiais, 1.199 casos de meningite C foram identificados e 87 pessoas morreram da doença, a maioria no oeste do Níger. Houve um aumento contínuo do número de casos entre janeiro e meados de março, após o qual o número de novas infecções começou a cair.

Profissionais de MSF e do Ministério da Saúde vacinam criança contra a meningite na região de Tallabéri, no oeste do Níger (Foto: Augustin Ngoyi/MSF)Desde o início da epidemia, MSF tem apoiado o Ministério da Saúde no monitoramento das áreas afetadas, na vacinação da população e na oferta de tratamento gratuito aos pacientes. Para conter a epidemia nas áreas mais afetadas, MSF conduziu campanhas de vacinação direcionadas em colaboração com o Ministério da Saúde. Mais de 254 mil pessoas foram vacinadas nos distritos de saúde das regiões de Tillabery, Dosso e Tahoua, usando doses obtidas dos estoques do Grupo Internacional de Coordenação para o suprimento de vacinas, assim como do Ministério da Saúde e de MSF. Espera-se que 126 mil doses de vacina adicionais cheguem no fim de abril.

Escassez de vacinas a nível mundial

De acordo com o plano de preparação e resposta a epidemias de meningite no Níger, 2,8 milhões de pessoas deveriam ser vacinadas se um surto afetar ao menos 21 distritos de saúde. No entanto, até o momento, campanhas de imunização foram realizadas em apenas seis desses 21 distritos. “O problema é que, nacionalmente e globalmente, não há vacinas contra meningite C suficientes disponíveis e a vacina é cara. Os fabricantes precisam urgentemente ampliar sua produção e vendê-la a um preço acessível, mas eles não estão fazendo isso”, diz a Dra. Idrissa Campaoré, coordenadora médica de MSF. Além de organizar atividades de vacinação, MSF apoia o Ministério da Saúde para evitar o surgimento de novos casos por meio do treinamento de profissionais de laboratório do setor público para diagnóstico, teste e transporte das amostras. “Se nós não obtivermos as vacinas, é essencial que identifiquemos e confirmemos novos casos o mais rápido possível, para evitar a propagação da doença. Informações devem ser coletadas e compartilhadas, e pacientes tratados o mais rápido possível”, diz a Dra. Idrissa Campaoré.

Treinamento, doações, monitoramento e resposta a alertas

MSF treinou 80 técnicos de laboratório em 32 instalações médicas e doou equipamentos para ampliar a capacidade de realização de testes em laboratórios em oito regiões do país. Equipes de MSF também viajaram com profissionais do Ministério da Saúde para locais onde havia casos confirmados, a fim de avaliar e apoiar o tratamento dos pacientes. MSF oferece equipamento, medicamentos e profissionais a centros de saúde e treina profissionais de saúde locais para o cuidado a pacientes de meningite. Até o momento, MSF treinou 158 gestores de centros de saúde e 51 profissionais de saúde que atuam em sete hospitais distritais.

Equipes de MSF já apoiaram o Ministério da Saúde nigerino na resposta a uma epidemia de meningite que afetou as regiões de Niamey, Zinder, Tahoua, Tillabery e Dosso em 2015. Foram registrados 8.500 casos, incluindo 573 mortes, durante essa epidemia.