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Na Guiné, uma homenagem com letra maiúscula

17/12/2015
Bebê sobrevivente de Ebola leva nome de enfermeira de MSF

Foto: Sam Phelps

Era madrugada do dia 28/10 quando a enfermeira Nubia Aguiar recebeu a informação de que uma paciente gestante do centro de tratamento de Ebola em Nongo, em Conacri, na Guiné, sentia dores. Depois de tentar, sem sucesso, encontrar um ginecologista para assistir o parto, uma vez que não há profissionais dessa especialidade no projeto, Nubia correu para o centro de tratamento. Ao chegar ali, soube que a mãe, portadora do vírus Ebola, havia dado à luz uma menina com a ajuda da coordenadora médica de MSF e de uma enfermeira. Algumas horas depois, infelizmente, a ela sofrera complicações pós-parto e, mesmo com ajuda médica, acabou falecendo. “A partida dela foi muito triste. Ela era jovem, tinha até nos contado que tinha outros dois filhos em casa. Fizemos o possível por ela, mas, infelizmente, não foi suficiente”, conta Nubia. A bebê, no entanto, era motivo de alegria, e respondia bem ao tratamento. Dias depois, havia testado negativo para o vírus. Dali para frente, seria necessário acompanhar bem de perto como ela reagiria diante da possibilidade de o vírus reaparecer.

Como é de costume na Guiné, sete dias depois do nascimento da criança, era preciso dar um nome ao bebê. Os tios foram chamados ao centro de tratamento, onde a menina continuava recebendo cuidados em isolamento. Mesmo à distância, sem poder tocá-la, os tios observavam a criança com carinho, e fizeram suas orações para saudá-la. Foi então que veio a surpresa: “Eles me disseram que a criança se chamaria Nubia, como eu”, relembra emocionada a enfermeira de MSF. “Naquele momento, tudo o que eu consegui dizer foi um simples ‘obrigada’. Depois, soube que meu nome foi lembrado por eu ter sido a primeira estrangeira com quem uma das tias de Nubia teve contato. Imagino que essa foi a forma que eles encontraram de agradecer os cuidados que tivemos e ainda estamos tendo com os membros da família, ainda que tenhamos perdido a mãe da bebê”, conta.

No sábado, 28 de novembro, Nubia recebeu alta do centro de tratamento. Ela é a primeira bebê nascida de mãe com Ebola a sobreviver ao vírus. Nubia, a enfermeira, explica que vai ser necessário observar a criança, e estão previstas visitas semanais. “Até mais frequentes, se necessário. Como ela é o primeiro caso de cura pós-parto com Ebola, não sabemos exatamente como ela vai reagir. Todo cuidado é pouco”, explica. A família foi instruída sobre os cuidados necessários nesse momento, já que Nubia não tem Ebola, mas está sujeita a outras infecções. Amor e carinho, no entanto, não lhe faltarão. “Os tios que se prontificaram a cuidar dela são muito afetuosos e já têm uma filha de um ano e algo. Ela é bastante amada, e isso é o mais importante”, conta a Nubia de MSF, que diz sentir-se honrada por participar de forma tão especial da história da menina.

A Guiné entra agora em contagem regressiva para ser declarada livre de Ebola. Serão necessários 42 dias sem qualquer registro de novo caso. Médicos Sem Fronteiras está, atualmente, repassando a administração do centro de tratamento de Ebola de Nongo ao Ministério da Saúde, mas deve inaugurar uma clínica para sobreviventes de Ebola em dezembro, para oferecer cuidados médicos e apoio psicológico gratuitos.

O surto de Ebola na África Ocidental matou cerca de 11.300 pessoas, principalmente na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa. Desde março, equipes de MSF trataram 10.288 pacientes de Ebola; 1.932 deles no centro de tratamento de Ebola em Conacri, na Guiné.

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