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MSF trabalha para que expansão da COVID-19 não agrave ainda mais exclusão de vulneráveis

29/05/2020
Organização atua em centros de isolamento para pacientes em situação de rua em São Paulo
MSF trabalha para que expansão da COVID-19 não  agrave ainda mais exclusão de vulneráveis

Foto: Andre Francois / MSF

Com o forte aumento dos casos da COVID-19 no Brasil, pessoas que já enfrentam problemas de acesso à saúde estão tendo sua situação ainda mais agravada. A sobrecarga enfrentada pelo sistema de saúde está deixando a parcela mais vulnerável da população sem tratamento médico, colocando-a sob risco de morrer sem qualquer possibilidade de assistência.

O trabalho de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em cidades brasileiras com altos índices de contágio pelo novo coronavírus busca amenizar esse quadro desolador, oferecendo possibilidades de atenção médica para os que estão à margem do sistema no país, que já se encontra atrás apenas dos Estados Unidos no número de casos confirmados da doença.

Estas populações – pessoas em situação de rua, migrantes, indígenas, usuários de drogas, idosos que moram em asilos – são o foco do trabalho de MSF no Brasil.  Em São Paulo, que concentra o maior número de casos, buscamos ampliar nossas atividades de educação em saúde, busca ativa de casos e encaminhamento dos pacientes identificados para centros de tratamento. A cidade tem uma população em situação de rua estimada em 24 mil pessoas.

“A preocupação de MSF é que, com o aumento do número de casos confirmados e de mortes e com o sistema de saúde no seu limite, a estratificação do acesso à saúde no Brasil se torne ainda mais palpável”, disse Ana Leticia Nery, coordenadora do projeto de MSF em São Paulo. “Isso significa um aumento desproporcional de mortalidade entre essas pessoas, que vão morrer mais do que as outras.”

Há poucos dias, o Brasil atingiu a cifra alarmante de mais de mil mortes pela COVID-19 em um único dia, e em algumas cidades o sistema público de saúde já entrou em colapso ou está perto disso. A tendência é que o agravamento da situação exclua ainda mais a parcela que já era marginalizada, que vê diminuir suas possibilidades de subsistência e está impossibilitada de praticar o isolamento social, por viver em ambientes aglomerados ou simplesmente não ter casa.

Para tentar amenizar esse problema, em São Paulo, MSF está cuidando da atenção médica em centros de isolamento para pacientes com casos leves da doença. Atuamos em parceria com a prefeitura em dois locais, com capacidade total para cerca de 150 pessoas. “O paciente que é identificado precisa ser isolado”, explica a médica de MSF. “Tanto os que dormem na rua, quanto os que dormem em albergues ou que moram em comunidades carentes, onde é difícil o isolamento social, precisam de estruturas de isolamento emergencial”.

Desde o início de abril, quando os atendimentos foram iniciados em São Paulo, passaram por triagem por profissionais de MSF nos diversos locais de atendimento quase mil pacientes. Até o final da semana passada os centros de isolamento já haviam recebido 139 pessoas diagnosticadas com a COVID-19. Destas, 91 já haviam recebido alta e 7, cujo estado de saúde se agravou, tiveram de ser transferidas para hospitais.

O médico Guilherme Sztrajtman, também de MSF, chama a atenção para o fato de uma parcela dos pacientes atendidos nessas instalações ter outras doenças, como tuberculose, insuficiência cardíaca ou HIV. “Esses pacientes demandam um cuidado especial”, diz.

A coordenadora do projeto de MSF ressalta que a necessidade de locais de isolamento é crescente, porque a pandemia ampliou o contingente de pessoas em situação de rua e em pobreza extrema. “Esse empobrecimento da população jogou novas pessoas na camada de extrema miséria”, explica Ana Leticia. “Há um aumento das pessoas que vivem na rua, que para se protegerem acabam dormindo juntas. Isso aumenta a vulnerabilidade e o risco de transmissão da doença”, explica ela.

MSF tem atuado também em outras frentes, além das instalações de isolamento de pacientes. Iniciamos na última semana atividades de prevenção à COVID-19, identificação de casos e tratamento de idosos em casas de repouso públicas e particulares da cidade de São Paulo. As visitas a essas instituições de longa permanência para idosos (ILPI) incluem treinamento de funcionários, consultas médicas e encaminhamento de casos graves a hospitais de referência no tratamento da doença.

Além da população em idade avançada, trabalhamos também com pessoas que fazem uso de drogas na área conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo. O objetivo é levar informações à população e identificar casos suspeitos, incluindo o encaminhamento a centros de tratamento e hospitais. Também estamos presentes em pontos da região central da cidade onde instituições públicas e outros projetos sociais distribuem refeições a contingentes cada vez maiores. Em todos estes locais, realizamos ações de promoção de saúde, que consiste na divulgação de informações sobre prevenção e contágio da doença e detecção de casos suspeitos. As pessoas com sintomas têm a possibilidade de ser acompanhadas em centros de isolamento.

Sem esse trabalho, realizado de maneira conjunta com o poder público, o acesso a cuidados de saúde para essas pessoas seria muito mais difícil, ou mesmo impossível. “Essa é a importância deste trabalho: fazer com que estas pessoas acessem o sistema de saúde e tenham o tratamento que qualquer outro cidadão teria”, afirma a coordenadora do projeto de MSF.




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