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MSF suspende atividades em Pinga, na Rep. Democrática do Congo

12/08/2013
Ameaças feitas a profissionais humanitários são inadmissíveis para organização

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) viu-se obrigada a suspender atividades médicas na cidade de Pinga e em seu entorno, no leste da República Democrática do Congo, após uma ameaça à segurança de suas equipes humanitárias.


“Nós condenamos fortemente a intimidação de nossos profissionais humanitários e não podemos aceitar essas ameaças feitas diretamente às nossas equipes”, disse Colette Gadenne, coordenadora geral de MSF em Goma, capital da província de Kivu do Norte.
 
A suspensão das atividades vai tornar ainda pior a já terrível situação humanitária na região de Pinga. A tensão étnica e os conflitos ativos entre as milícias armadas na área causaram o deslocamento regular de dezenas de milhares de pessoas para as florestas do entorno, onde não há cuidados médicos disponíveis e as mortes não são reportadas.
 
Em Pinga, MSF oferece cuidados médicos às pessoas afetadas pelo conflito desde antes de 2010. O controle da cidade alternou entre diferentes grupos armados com frequência e, em todas as ocasiões, MSF negociou acesso com as partes envolvidas para chegar às pessoas vulneráveis e deslocadas de todas as comunidades. Durante 2012 e a primeira metade de 2013, nossa equipe médica assistiu 1.790 partos, tratou 1.290 crianças desnutridas e realizou mais de 100 mil consultas ambulatoriais. As atividades tiveram continuidade apesar da situação de segurança precária na região, não só na cidade de Pinga, mas também em alguns vilarejos localizados nas linhas de frente das batalhas, como Malemo.
 
Apesar de nossos esforços, a assistência humanitária que podemos oferecer tem limites. A violência e a insegurança, por vezes, impediram MSF de acessar todas as comunidades igualmente.
 
“Civis de todas as comunidades são expostos a níveis chocantes de violência e a deslocamentos constantes, e muitos têm o acesso à assistência médica, alimentos, água e abrigo cortado”, afirma Gadenne. “Sabemos que para cada criança com malária grave que pudemos tratar, para cada mulher com complicações durante o parto, cada pessoa tratada com ferimentos relacionados a trauma, há muito mais sofrimento além do alcance.”
 
Enquanto isso, Médicos Sem Fronteiras continua suas atividades médicas em outras localidades da província de Kivu do Norte e pela República Democrática do Congo.
 
MSF é uma organização neutra, independente e imparcial fortemente orientada pela ética médica. Levamos cuidados médicos de qualidade gratuitamente para todas as comunidades da República Democrática do Congo sem preconceito ou discriminação de raça, etnia, religião ou convicções políticas desde 1981. No ano passado, MSF realizou mais consultas ambulatoriais na RDC do que em qualquer outro país do mundo – foram mais de 1,6 consultas em 2012.

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